{"id":1277,"date":"2009-05-29T20:07:46","date_gmt":"2009-05-29T23:07:46","guid":{"rendered":"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/?page_id=1277"},"modified":"2024-03-16T14:20:32","modified_gmt":"2024-03-16T14:20:32","slug":"en-etapa-1-relatorio-4","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/?page_id=1277","title":{"rendered":"Etapa 1 \u2013 Relat\u00f3rio 4"},"content":{"rendered":"<h4>25.JAN.2002<\/h4>\n<h3 class=\"tit-rel\">Chegueino estado Mato Grosso do Sul e percorri metade de sua extens\u00e3o leste-oeste. Na ponta do &#8220;nariz de Minas&#8221;, extremo oeste do estado, atravessei o rio Parana\u00edba que divide Minas Gerais de Mato Grosso do Sul. A travessia foi de balsa pois a ponte atirantada que est\u00e1 sendo constru\u00edda h\u00e1 oito anos ainda n\u00e3o est\u00e1 pronta.<\/h3>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"images-rel\" src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_1\/rel_04\/1.jpg\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"200\" height=\"150\" align=\"baseline\" \/><\/p>\n<p>Logo em Parana\u00edba, minha primeira cidade no Mato Grosso do Sul, percebi que a hospitalidade continuava t\u00e3o grande quanto em Minas. Agora o cafezinho de Minas foi substitu\u00eddo pelo Terer\u00e9, ch\u00e1 gelado muito tomado nessa regi\u00e3o. De Parana\u00edba desci passando por Inoc\u00eancia at\u00e9 chegar na BR 262, \u00fanico acesso para Campo Grande. Por sinal, aqui, diferente de Minas, n\u00e3o existem op\u00e7\u00f5es de estradas de terra, quase todas s\u00e3o asfaltadas, com exce\u00e7\u00e3o das estradas que levam \u00e0s fazendas. A regi\u00e3o \u00e9 muito plana e boa para pedalar, pela primeira vez cheguei a fazer mais de cem quil\u00f4metros por dia. A dificuldade das subidas desapareceu e foi substitu\u00edda pelo forte sol e com praticamente nenhuma sombra nas estradas, o cerrado fechado que existia no nordeste do estado foi substitu\u00eddo por pastagens e pouco se v\u00ea da mata original.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"images-rel\" src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_1\/rel_04\/2.jpg\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"150\" height=\"134\" align=\"baseline\" \/><\/p>\n<p>Essa \u00e9 a regi\u00e3o relatada no livro Inoc\u00eancia de Visconde de Taunay, um dos cl\u00e1ssicos do Romantismo na Literatura Brasileira<\/p>\n<blockquote><p>Ora e a perspectiva dos cerrados, n\u00e3o desses cerrados de arbustos raqu\u00edticos, enfezados e retorcidos de S\u00e3o Paulo e Minas Gerais, mas de garbosas e elevadas \u00e1rvores que, se bem n\u00e3o tomem, todas, o corpo de que s\u00e3o capazes \u00e0 beira das \u00e1guas correntes ou regadas pela linfa dos c\u00f3rregos, contudo ensombram com folhuda rama o terreno que lhes fica em derredor e mostram na casca lisa a for\u00e7a da seiva que as alimenta; ora s\u00e3o campos a perder de vista, cobertos de macega alta e alourada, ou de viridente e mimosa grama, toda salpicada de silvestres flores; ora sucess\u00f5es de luxuriantes cap\u00f5es, t\u00e3o regulares e sim\u00e9tricos em sua disposi\u00e7\u00e3o que surpreendem e embelezam os olhos; ora, enfim, charnecas meio apauladas, meio secas, onde nasce o altivo buriti e o gravata entran\u00e7a o seu tapume espinhoso.<\/p>\n<p>Nesses campos, t\u00e3o diversos pelo matiz das cores, o capim crescido e ressecado pelo ardor do Sol transforma-se em vicejante tapete de relva, quando lavra o inc\u00eandio que algum tropeiro, por acaso ou mero desenfado, ateia com uma fa\u00falha do seu isqueiro.<\/p>\n<p><cite>Visconde de Taunay, INOC\u00caNCIA<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<p>A regi\u00e3o \u00e9 muito pouco habitada (5,81 habitantes por quil\u00f4metro quadrado) e fiz v\u00e1rias vezes pedaladas onde passava horas sem encontrar nenhuma casa, carro ou pessoas. As cidades por que passei t\u00eam uma caracter\u00edstica muito interessante &#8211; praticamente todas possuem uma pra\u00e7a de esportes que \u00e9 muito utilizada pela popula\u00e7\u00e3o, excelente local de integra\u00e7\u00e3o e logicamente \u00f3timo instrumento para ambientar a cidade e integrar as pessoas de uma forma saud\u00e1vel.<\/p>\n<p>Outra caracter\u00edstica interessante que reparei em todo o percurso, desde Cordisburgo at\u00e9 aqui, \u00e9 o transporte escolar &#8211; nota 10 para o MEC. Perguntei em todos os locais sobre a qualidade do transporte e n\u00e3o escutei nenhuma reclama\u00e7\u00e3o. Qualquer estudante, em todos locais que passei, t\u00eam transporte gratuito at\u00e9 a escola mais pr\u00f3xima.<\/p>\n<p>O estado tem o maior rebanho bovino do pa\u00eds e ultimamente o governo tem investido muito na industrializa\u00e7\u00e3o. Hoje a ind\u00fastria praticamente igualou sua import\u00e2ncia \u00e0s cria\u00e7\u00f5es bovinas. A cultura de rodeio e m\u00fasicas sertanejas \u00e9 muito forte, tudo tem grande influ\u00eancia da &#8220;vida vaqueira&#8221; e at\u00e9 as estradas j\u00e1 foram feitas pensando no transporte do gado, que \u00e9 feito por caminh\u00f5es ou tocando a vaquejada pelas laterais do asfalto que sempre possui largura suficiente para passar centenas de animais.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"images-rel\" src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_1\/rel_04\/3.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"134\" align=\"baseline\" \/><\/p>\n<p>Quando cheguei na BR262 a hist\u00f3ria mudou muito, sempre evito pedalar em grandes estradas pois no Brasil quase todas s\u00e3o muito perigosas, sem acostamento e com motoristas loucos. O trecho de \u00c1gua Clara at\u00e9 Campo Grande foi feito em tr\u00eas dias sem muita gra\u00e7a, pedaladas no meio de muitos caminh\u00f5es e paradas na beira de estrada. Valeu a pena porque encontrei um grupo de ciclistas que vinham na outra dire\u00e7\u00e3o e me passaram v\u00e1rias dicas do Pantanal e contatos em Campo Grande. S\u00e3o os &#8220;Trilheiros do Pantanal&#8221;, grupo de cicloturismo que, como o pr\u00f3prio nome indica, sabem tudo sobre a regi\u00e3o que irei passar.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"images-rel\" src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_1\/rel_04\/4.jpg\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"250\" height=\"104\" align=\"baseline\" \/><\/p>\n<p>Campo Grande \u00e9 a capital do estado. Aproveitei a estrutura para ajustar algumas pe\u00e7as da bicicleta e fazer uma reportagem interessante com Ast\u00fario de Freitas.<\/p>\n<p>Fundador do INAMB (Instituto de Preserva\u00e7\u00e3o e Controle Ambiental), Ast\u00fario de Freitas tomou frente na d\u00e9cada de 80 da luta contra os coureiros. Sua coragem e determina\u00e7\u00e3o foram cruciais para a preserva\u00e7\u00e3o dos jacar\u00e9s no Pantanal.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"images-rel\" src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_1\/rel_04\/11.jpg\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"175\" height=\"200\" align=\"baseline\" \/><\/p>\n<p>&#8211; Preservar os jacar\u00e9s foi um primeiro importante passo na luta pela presserva\u00e7\u00e3o ambiental. Qual ser\u00e1 o segundo passo e como resolv\u00ea-lo?<\/p>\n<p>* Hoje o maior problema do nosso estado \u00e9 o desmatamento. A lei autoriza o fazendeiro desmatar 80% de sua terra e os 20% de preserva\u00e7\u00e3o \u00e9 escolhido pelo propriet\u00e1rio que muitas vezes deixa uma \u00e1rea sem grande import\u00e2ncia para o meio ambiente. Ainda pior s\u00e3o aqueles que vendem exatamente a \u00e1rea preservada deixando assim que o pr\u00f3ximo propriet\u00e1rio desmate outros 80% fazendo assim uma matem\u00e1tica extremamente destrutiva para nossa natureza. Durante os anos que lutei no Pantanal perdi muitos homens e vi muitos coureiros morrerem. Acabamos vencendo essa guerra mas o custo foi alto, \u00e9 uma hist\u00f3ria triste. Tenho vontade de voltar a ativa e lutar novamente pelo meio ambiente mas n\u00e3o tenho paci\u00eancia de conviver com pol\u00edticos. Preciso liberdade de a\u00e7\u00e3o e na pol\u00edtica ficamos muito presos a interesses secund\u00e1rios.<\/p>\n<p>(Hoje o escritor Reginaldo Alves de Ara\u00fajo est\u00e1 terminando o livro &#8220;O Paladino do Pantanal&#8221; que contar\u00e1 toda a hist\u00f3ria de Ast\u00fario e das lutas pela preserva\u00e7\u00e3o dessa regi\u00e3o.)<\/p>\n<p>Em Campo Grande fiz uma reportagem na televis\u00e3o que mudou bastante minha viagem. A partir deste dia as pedaladas s\u00e3o constantemente paradas no meio da estrada por algum carro que me oferece comida, \u00e1gua, ou apenas quer conversar. Em algumas cidades passo e sou aplaudido, gritam, correm atr\u00e1s, \u00e9 a maior festa!<\/p>\n<p>Desde o tri\u00e2ngulo mineiro at\u00e9 o momento estou pedalando pelo Aqu\u00edfero Guarani com 1.194.800 km2 e 45 trilh\u00f5es de litros de \u00e1gua, sendo o maior reservat\u00f3rio de \u00e1gua doce da Am\u00e9rica do Sul. Cerca de 70% do aqu\u00edfero se localiza no Brasil. Aqui a \u00e1gua \u00e9 boa e farta. Desde a largada estou bebendo \u00e1gua direta dos rios \u2013 com exce\u00e7\u00e3o dos rios que passam perto das cidades. Quando os moradores n\u00e3o t\u00eam um rio pr\u00f3ximo eles improvisam um buraco com aproximadamente seis metros de profundidade e constroem qualquer engenhoca para retirar dali \u00e1gua fresca e pot\u00e1vel eternamente.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"images-rel\" src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_1\/rel_04\/5.jpg\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"200\" height=\"160\" align=\"baseline\" \/><\/p>\n<p>Apesar da fartura de \u00e1gua a regi\u00e3o n\u00e3o possui declives que possibilitem a constru\u00e7\u00e3o de hidrel\u00e9tricas o que a torna carente de eletricidade. Hoje o estado importa, principalmente de S\u00e3o Paulo, 92% da energia que consome.<\/p>\n<blockquote><p>Duas usinas termel\u00e9tricas, uma em Corumb\u00e1 e outra em Campo Grande, est\u00e3o em constru\u00e7\u00e3o e dever\u00e3o utilizar g\u00e1s natural trazido pelo gasoduto Brasil-Bol\u00edvia. Outra importante obra de infra-estrutura em andamento \u00e9 a Ferrovia Norte do Brasil (Ferronorte), que ligar\u00e1 Mato Grosso do Sul a S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p><cite>Almanaque Abril 2002<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<p>Depois de Campo Grande fui para Sidrol\u00e2ndia. Fiquei na Aldeia Ind\u00edgena Terer\u00e9 de etnia Tereno. Mato Grosso do Sul possui 48 \u00e1reas ind\u00edgenas e tem a segunda maior popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena do Brasil, depois da Amaz\u00f4nia. Na aldeia, com aproximadamente 400 pessoas, fiquei na casa do Maioque, 26 anos, que trabalha em uma ind\u00fastria em Sidrol\u00e2ndia e quer fazer faculdade em administra\u00e7\u00e3o e direcionar o curso para aproveit\u00e1-lo na comunidade. A aldeia fica dentro da cidade e funciona como elo de liga\u00e7\u00e3o da aldeia original, que fica a trinta quil\u00f4metros dali, com a cidade. Se n\u00e3o fosse duas ocas constru\u00eddas ao lado do campo de futebol e a fisionomia das pessoas n\u00e3o descobriria nunca que se tratava de uma aldeia ind\u00edgena. Pouco se mant\u00e9m da cultura tereno e, cada vez mais, a ambi\u00e7\u00e3o da tribo \u00e9 construir casas mais parecidas com as dos brancos e obterem maior integra\u00e7\u00e3o com a cidade. Uma quest\u00e3o delicada que envolve a dissemina\u00e7\u00e3o de uma cultura com a novas necessidades de uma comunidade.<\/p>\n<p>Perguntei para Maioque o que ele achava da perda da identidade de sua aldeia:<\/p>\n<p>\u2013 Tenho o sonho de construir uma casa de sap\u00e9, para manter a cultura. Constru\u00ed com tijolos pela dificuldade de conseguir e transportar material adequado para a oca. Desejo construir um centro cultural que d\u00ea uma caracteriza\u00e7\u00e3o para a aldeia. Tenho medo de, no futuro, as pessoas nos visitarem e n\u00e3o perceberem que aqui \u00e9 aldeia ind\u00edgena. Explica Maioque.<\/p>\n<p>Por recomenda\u00e7\u00e3o de Maioque fui para a reserva ind\u00edgena perto de Nioaque. A aldeia Brej\u00e3o tamb\u00e9m de etnia Tereno com 3.114 h\u00e1 e 105 fam\u00edlias. No caminho desci a Serra de Maracaju e pude matar a saudade das serras de Minas. Apesar de ser uma serra relativamente baixa ela ganha muito destaque pois \u00e9 a \u00fanica em toda a grande plan\u00edcie que a cerca. A vis\u00e3o do alto da serra \u00e9 magn\u00edfica e, ao baixarmos, a vegeta\u00e7\u00e3o fica muito mais densa.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"images-rel\" src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_1\/rel_04\/10.jpg\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"250\" height=\"95\" align=\"baseline\" \/><\/p>\n<p>Toda essa regi\u00e3o foi muito marcada pela Guerra do Paraguai (1865-1870) que dizimou quase dois ter\u00e7os da popula\u00e7\u00e3o paraguaia e utilizou, ao lado das tropas brasileiras, milhares de \u00edndios Guaicuru que lutaram em troca de uma terra que j\u00e1 lhes pertencia. A tr\u00edplice Alian\u00e7a, formada pelo Brasil, Argentina e Uruguai e bancada pelos mercadores ingleses foi encarregada do genoc\u00eddio. A disputa foi pela estrat\u00e9gica regi\u00e3o do rio da Prata.<\/p>\n<p>Na aldeia Brej\u00e3o parei por tr\u00eas dias na casa da simp\u00e1tica fam\u00edlia de Chiquetano e Ilza que me receberam como um filho e fizeram quest\u00e3o de me mostrar toda a regi\u00e3o. A aldeia fica a quinze quil\u00f4metros de Nioaque e tamb\u00e9m est\u00e1 sendo muito descaracterizada. Os moradores est\u00e3o substituindo suas tradicionais ocas por casas com tijolos e telhas de amianto, querem ter televis\u00e3o, geladeira, m\u00e1quina de lavar, etc. Segundo o cacique Jos\u00e9 Lu\u00eds as mudan\u00e7as est\u00e3o sendo para pior e as tradi\u00e7\u00f5es est\u00e3o se perdendo. Hoje a escola da aldeia possui um professor de l\u00edngua e de tradi\u00e7\u00f5es da etnia tereno e ele espera que as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es comecem a respeitar mais a sua cultura. Al\u00e9m dessa nova disciplina a escola est\u00e1 tentando implantar o segundo grau para n\u00e3o afastar os alunos da comunidade.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"images-rel\" src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_1\/rel_04\/7.jpg\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"200\" height=\"120\" align=\"baseline\" \/><\/p>\n<p>Algumas mudan\u00e7as j\u00e1 n\u00e3o possuem volta, como \u00e9 o caso da religi\u00e3o. Antigamente n\u00e3o existia uma igreja ou religi\u00e3o propriamente dita, eles se consideravam esp\u00edritas e acreditavam em Deuses da natureza, hoje existe uma dezena de diferentes igrejas que se estabeleceram na aldeia e na mente dos seus moradores e at\u00e9 mesmo o S\u00e3o Sebasti\u00e3o, santo que lutava contra os \u00edndios, virou padroeiro e \u00e9 comemorado com festa na aldeia.<\/p>\n<p>Todos ali t\u00eam uma vida em comum, ningu\u00e9m \u00e9 dono de terra e a utiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 feita de acordo com a necessidade dos moradores, eles se ajudam e respeitam os mais velhos de uma forma exemplar. Qualquer problema \u00e9 levado ao cacique que tem poder sobre todas as autoridades e as decis\u00f5es sempre s\u00e3o discutidas em conjunto. Todos respeitam muito a natureza e vivem em perfeita harmonia com seu entorno.<\/p>\n<p>Nessa nova realidade ind\u00edgena \u00e9 preciso que eles tenham maior consci\u00eancia da import\u00e2ncia de sua cultura e n\u00e3o se espelhem tanto nos brancos pois, em muitos aspectos, os ind\u00edgenas t\u00eam muito mais a ensinar do que a aprender.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"images-rel\" src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_1\/rel_04\/8.jpg\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"200\" height=\"160\" align=\"baseline\" \/><\/p>\n<p>ELOKETI ON GOVO KE YA YEXOTI YA VEMOUM TERENO\u00c9 YA MATO GROSSO DO SUL BRASIL HARA \u00c1 PROGETUK\u00c9 PEDALANDO E EDUCANDO ANAPUYAKU\u00c9<\/p>\n<p>Desde que sa\u00ed de Campo Grande passei por diversos acampamentos de sem terra pelas estradas e alguns assentamentos do Incra. Parei no Acampamento Formiga que existe h\u00e1 um ano e oito meses e l\u00e1 conversei com Abidorau Nunes de Souza, 31 anos, que vive ali desde o come\u00e7o da ocupa\u00e7\u00e3o. O acampamento tem uma \u00e1rea ao lado da rodovia entre o asfalto e a cerca de terreno privado (todos acampamentos ficam do mesmo lado possibilitando a passagem de gado pelo outro lado da rodovia). Est\u00e3o sempre acampados em frente \u00e0 fazenda que pleiteiam habitar e ficam ali aguardando a libera\u00e7\u00e3o do governo para a ocupa\u00e7\u00e3o. Qualquer um pode se unir ao acampamento bastando construir seu barraco ao lado e cumprir com algumas exig\u00eancias do governo. Parte deles t\u00eam planta\u00e7\u00f5es ao lado da barraca e fazem algum tipo de trabalho na cidade enquanto outros vivem somente com a cesta b\u00e1sica distribu\u00edda gratuitamente para os sem terra. Abidorau conta que passa o dia sentado na barraca, fica ali esperando o momento de ocupar sua terra e poder fazer seu cultivo. As barracas s\u00e3o feitas em mutir\u00e3o com bambus e folhas de Bacuri retirados das proximidades, piso de terra batida e tetos impermeabilizados com lonas pretas distribu\u00eddas pelo pessoal da CUT (Central \u00danica dos Trabalhadores).<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"images-rel\" src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_1\/rel_04\/9.jpg\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"79\" height=\"250\" align=\"baseline\" \/><\/p>\n<p>Conversei com o Secret\u00e1rio da Agricultura e Turismo de Jardim, Sr. Rufino, que tem um projeto ambicioso para resolver o problema dos sem terra de sua cidade. Ele pretende fazer uma ocupa\u00e7\u00e3o planejada e estabelecer regras para os novos moradores. O assentamento ficar\u00e1 aberto para visita\u00e7\u00e3o e os turistas poder\u00e3o comer refei\u00e7\u00f5es produzidas no pr\u00f3prio local. \u2013 Pretendemos fazer um assentamento modelo para todo o pa\u00eds. Afirma Rufino.<br \/>\nA situa\u00e7\u00e3o \u00e9 realmente delicada e a demora nas decis\u00f5es significam mais tempo de cestas b\u00e1sicas sendo pagas pelo governo e pessoas vivendo em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias nas beiras das estradas.<br \/>\nAgora vou para Bonito, Bodoquena, Miranda e sigo para o Pantanal.<\/p>\n<p>At\u00e9 a pr\u00f3xima,<br \/>\n<strong>Argus<\/strong><\/p>\n<div class=\"nota full\">\n<strong>Links para pesquisas<\/strong><br \/>\nMinas Gerais: www.mg.gov.br<br \/>\nMato Grosso do Sul: www.ms.gov.br<br \/>\nCultura Ind\u00edgena: Funai &#8211; Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio www.funai.gov.br<br \/>\nBiblioteca ind\u00edgena: http:\/\/sites.uol.com.br\/cliohistoria\/biblioteca\/indigenas.htm<br \/>\nMuseu do \u00edndio: www.museudoindio.gov.br  http:\/\/www.uniderp.br\/atlas\/mrg.htm<br \/>\nAtlas Geogr\u00e1fico digital de Mato Grosso do Sul: www.assomassul.org.br<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>25.JAN.2002 Chegueino estado Mato Grosso do Sul e percorri metade de sua extens\u00e3o leste-oeste. 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