{"id":422,"date":"2009-10-20T19:03:17","date_gmt":"2009-10-20T22:03:17","guid":{"rendered":"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/?page_id=422"},"modified":"2024-03-16T14:20:31","modified_gmt":"2024-03-16T14:20:31","slug":"etapa-1-relatorio-9","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/?page_id=422","title":{"rendered":"Etapa 1 \u2013 Relat\u00f3rio 9"},"content":{"rendered":"<h4>24.ABR.2002<\/h4>\n<h3>Ola amigos, depois do lago Titicaca segui pelo rio Vilcanota at\u00e9 Machu Picchu passando pelo lindo vale sagrado dos incas. Visitei v\u00e1rias ru\u00ednas interessantes e comunidades que vivem do turismo ou da agricultura da f\u00e9rtil regi\u00e3o.<\/h3>\n<p>Foram v\u00e1rios dias descendo junto com o rio at\u00e9 chegar na divisa do altiplano com a floresta amaz\u00f4nica, local estrat\u00e9gico onde se encontra grande concentra\u00e7\u00e3o de ru\u00ednas incas e o santu\u00e1rio de Machu Picchu, centro do imp\u00e9rio que dominou a maior cadeia de montanhas do mundo.<\/p>\n<p>Depois de Copacabana segui para Yunguyo e Puno, ainda na beira do lago Titicaca. Em Puno peguei um barco para conhecer as ilhas flutuantes de Uros e a ilha de Taquile. As ilhas flutuantes de Uros s\u00e3o artificiais e chegam a ter mil metros quadrados, s\u00e3o feitas com Totora e possuem casas onde vivem as milenares comunidades de Uros. Hoje as ilhas abertas \u00e0 visita\u00e7\u00e3o s\u00e3o extremamente tur\u00edsticas mas \u00e9 poss\u00edvel ter uma id\u00e9ia de como viviam essas comunidades que utilizam somente esse vegetal para construir suas casas, barcos e o pr\u00f3prio ch\u00e3o de onde habitam.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"images-rel\" src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_1\/rel_09\/foto_rel9_01.jpg\" align=\"left\" alt=\"Ilhas flutuantes de Uros\" \/><br \/>\nIlhas flutuantes de Uros<\/p>\n<p>Depois de Uros segui para Taquile, uma ilha natural que tamb\u00e9m possui uma interessante comunidade que mant\u00e9m seus costumes h\u00e1 s\u00e9culos. Ali parece que estamos fazendo uma viagem no tempo. \u00c9 poss\u00edvel encontrar moradores que ainda usam os quipus, antigo m\u00e9todo de mem\u00f3ria e contabilidade. Os incas n\u00e3o possu\u00edam escrita e todos dados eram armazenados com esses barbantes com diferentes n\u00f3s onde \u00e9 poss\u00edvel registrar festas, cultivos, gados e acontecimentos. Hoje Taquile \u00e9 uma comunidade com uma vida muito simples sem televis\u00e3o ou carros, ali todos se ajudam e n\u00e3o existem ricos nem pobres, s\u00e3o iguais, n\u00e3o tem pol\u00edcia e entre eles n\u00e3o circula o dinheiro proveniente do turismo &#8211; este dinheiro \u00e9 utilizado somente quando algu\u00e9m necessita sair da ilha. Quando algu\u00e9m morre todos moradores se fecham em algum lugar e ningu\u00e9m trabalha. Um dia por ano s\u00e3o feitos todos casamentos que duram v\u00e1rios dias com muita festa.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"images-rel\" src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_1\/rel_09\/foto_rel9_02.jpg\" align=\"right\"  alt=\"Ilha de Taquile\" \/><br \/>\nIlha de Taquile<\/p>\n<p>De Taquile voltei \u00e0 Puno e pela primeira vez passei mal com comida. Puno \u00e9 a maior cidade que beira o lago e possui s\u00e9rios problemas de infra-estrutura. O esgoto \u00e9 lan\u00e7ado diretamente no lago e toda \u00e1gua consumida prov\u00e9m do mesmo lugar. Hoje est\u00e3o fazendo um servi\u00e7o paliativo de drenagem do lago para evitar o assoreamento completo da orla em frente \u00e0 cidade.<\/p>\n<p>De Puno deixei para tr\u00e1s o lago naveg\u00e1vel mais alto do mundo e segui para Juliaca. Comecei ent\u00e3o a descida pelo vale sagrado do rio Vilcanota. A estrada \u00e9 nova, bem sinalizada, asfaltada e com acostamento. A fant\u00e1stica paisagem das duas cordilheiras com o vale no meio e a hist\u00f3ria e misticismo dos incas fizeram desse trecho um dos mais interessantes de toda viagem. No caminho existem ru\u00ednas de templos, locais de armazenamento de alimentos, moradias, centros administrativos, etc. e em alguns trechos \u00e9 poss\u00edvel ver o caminho inca original. Hoje praticamente todas essas ru\u00ednas s\u00e3o exploradas turisticamente.<\/p>\n<p>Essa regi\u00e3o \u00e9 muito plana e v\u00e1rias cidades possuem a bicicleta como forma de locomo\u00e7\u00e3o principal. \u00c9 muito comum ver &#8220;t\u00e1xis-bicicleta&#8221; onde o condutor carrega na frente um banco onde cabem duas pessoas. As cidades parecem um pouco um grande parque de divers\u00e3o e os cruzamentos s\u00e3o sempre muito movimentados e um pouco sem lei. A bicicleta que chegar primeiro tem prefer\u00eancia e v\u00e1rias vezes elas passam raspando umas com as outras.<\/p>\n<p>De Juliaca desci para Pucara e no meio do caminho encontrei com Michel, um franc\u00eas que veio de bicicleta do Chile e tamb\u00e9m estava indo para Machu Picchu (http:\/\/membres.lycos.fr\/andesvtt\/) . Estamos fazendo juntos esta etapa da viagem. Paramos em Ayaviri e depois fomos para La Raya onde dormimos na boca do Vulc\u00e3o desativado (Vulcanota) e seguimos para Sicuani, Checacupe, templo de Cusipata e Urcos.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"images-rel\" src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_1\/rel_09\/foto_rel9_03.jpg\" align=\"right\"  alt=\"Vale Sagrado\" \/><br \/>\nVale Sagrado<\/p>\n<p>Passamos por San Pedro de Racchi, perto do extinto vulc\u00e3o Quinsachata, onde est\u00e3o as ru\u00ednas que possu\u00edam tr\u00eas diferentes fun\u00e7\u00f5es: templo para Wiracocha, templo para \u00e1gua e silos de armazenamento de alimentos e ponto de escambo entre os produtores. O templo erguido em mem\u00f3ria ao Wiracocha &#8211; o Deus inca criador do universo \u2013 \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o feita de pedra, barro, palha e madeira e chama aten\u00e7\u00e3o pelo altura de sua parede central com mais de dez metros. Segundo a lenda, Wiracocha peregrinou pelos Andes dizendo: &#8211; Que obede\u00e7am as na\u00e7\u00f5es, que ordeno que brotem e se multipliquem! Assim uns emergiram dos lagos, outros de fontes, covas e \u00e1rvores, para receberem dele as sementes, as artes e as diferentes l\u00ednguas que teriam que cultivar. Deu tamb\u00e9m uma ordem de vida falando cordialmente para que uns aos outros n\u00e3o se maltratassem ou se injuriassem. Os que preferiram a rebeldia ficaram petrificados em Tiwanaku, Pucara e Jauja.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"images-rel\" src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_1\/rel_09\/foto_rel9_04.jpg\" align=\"right\"  alt=\"Ru\u00ednas do Templo em Wiracocha\" \/><br \/>\nRu\u00ednas do Templo em Wiracocha<\/p>\n<p>De Urcos sa\u00edmos do vale e subimos a cordilheira para chegarmos em Cuzco (3.350 m.a.n.m.) onde matei um pouco a saudade da fam\u00edlia com as visitas da minha m\u00e3e e tia. Cuzco vem da palavra qu\u00edchua Qosqo que significa umbigo do mundo (Garcilaso de la Veja &#8211; 1609) e era formada por v\u00e1rios pal\u00e1cios, templos esot\u00e9ricos, armaz\u00e9ns e ruas orientadas de acordo com o nascer e p\u00f4r do sol. Em novembro de 1533 o espanhol Francisco Pizarro e seu ex\u00e9rcito entraram na base do imp\u00e9rio inca conquistando Cuzco e transformaram completamente a cidade. No final de 1536 houve uma rebeli\u00e3o na tentativa de restaurar o imp\u00e9rio, fracassada a tentativa, Manco Inca (o n\u00famero quatorze da dinastia), iniciou sua retirada em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 selva de Machu Picchu e Vilcabamba &#8211; ordenou que destru\u00edssem os caminhos e pontes, estrat\u00e9gia que lhe permitiu resistir at\u00e9 1572 quando T\u00fapac Amaru I, o \u00faltimo inca, foi capturado e decapitado.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"images-rel\" src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_1\/rel_09\/foto_rel9_05.jpg\" align=\"right\"  alt=\"Plaza de Armas - Cuzco\" \/><br \/>\nPlaza de Armas &#8211; Cuzco<\/p>\n<p>Hoje \u00e9 poss\u00edvel ver v\u00e1rias edifica\u00e7\u00f5es coloniais constru\u00eddas sobre as bases incaicas. A arquitetura espanhola foi majestosa e construiu imponentes edif\u00edcios, principalmente igrejas. Cuzco, cidade dos filhos do Sol, \u00e9 o ponto tur\u00edstico de milhares de estrangeiros e rota para os que desejam conhecer Machu Picchu. A cidade \u00e9 uma amostra da Torre de Babel onde \u00e9 poss\u00edvel encontrar gente de todo o mundo \u2013 israelenses (como tem israelenses!), franceses, americanos, ingleses, alem\u00e3es, canadenses, belgas, su\u00ed\u00e7os, argentinos, chilenos, espanh\u00f3is, brasileiros, etc.<\/p>\n<p>Dentre as v\u00e1rias ru\u00ednas que circundam Cuzco est\u00e3o Sacsayhuaman, Qenqo, Tambomachay e Puca pucara. A que mais me chamou aten\u00e7\u00e3o foi Sacsayhuaman, incr\u00edvel constru\u00e7\u00e3o com pedras gigantes encaixadas a ponto de n\u00e3o caber uma folha de papel entre elas. Segundo Garcilaso &#8220;\u00e9 a maior obra que os incas fizeram para mostrar seu poder e majestade, foi a fortaleza de Cuzco, cuja grandeza \u00e9 inacredit\u00e1vel para quem n\u00e3o a conhece e para os que conhecem e viram com aten\u00e7\u00e3o imaginam que s\u00e3o feitas por encantamento ou por dem\u00f4nios e n\u00e3o homens&#8230;&#8221;. Esta fortaleza come\u00e7ou a ser destru\u00edda em 1537 e em 1559 foi parcialmente desmontada para construir a catedral de Cuzco.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"images-rel\" src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_1\/rel_09\/foto_rel9_06.jpg\" align=\"right\"  alt=\"Sacsayhuaman\" \/><br \/>\nSacsayhuaman<\/p>\n<p>Fiquei alguns dias em Cuzco e aproveitei para despachar alguns equipamentos para o Brasil que fizeram minha bagagem diminuir de setenta para sessenta quilos.<\/p>\n<p>Voltei para o vale e continuei descendo o rio em dire\u00e7\u00e3o a Machu Picchu. Este trecho \u00e9 bastante visitado por turistas que fazem o &#8220;tour do Vale Sagrado&#8221; que compreende Pisac, Chinchero e Ollantaytambo.<\/p>\n<p>Pisac \u00e9 um dos pontos mais estrat\u00e9gicos. Desde sua plataforma cerimonial \u00e9 poss\u00edvel avistar grande parte do vale para supervisionar e administrar sua produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola &#8211; o territ\u00f3rio andino \u00e9 considerado como um dos oito centros de origem da agricultura no mundo.<\/p>\n<p>Conhecemos o Santu\u00e1rio de Ollantaytambo (ou Tambo), um dos maiores complexos arqueol\u00f3gicos do Peru e segundo o sacerdote e historiador Bernab\u00e9 Cobo (1653), no livro &#8220;Historia del Nuevo Mundo&#8221; \u00e9 o local do surgimento do imp\u00e9rio inca.<\/p>\n<p>&#8220;&#8230; Luego que fueron puestos (los Incas) por su padre el sol en la laguna de Titicaca, les mand\u00f3 que tomasen la v\u00eda y derrotaque gustasen&#8230; Y que despedido con esto el sol su padre, caminaron la vuelta del Cuzco, probando a hincar en la tierra la barreta de oro donde quiera que paraban, y que llegando al valle de Yucay, y bajando un poco m\u00e1s por la rivera del r\u00edo que por el corre hicieron alto en Pacarictanpu (significa dormida que amanhece) &#8230; as\u00ed salieron de una cueva que est\u00e1 en el sobredicho asiento de Tampu, Tambo, llamado Pararictanpu por una ventana de piedra&#8230; de donde partieron al salir el sol, por cuya causa dieron aquel nombre a aquel lugar, encamin\u00e1ndose al valle del Cuzco&#8230;&#8221;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"images-rel\" src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_1\/rel_09\/foto_rel9_07.jpg\" align=\"right\"  alt=\"\" \/><\/p>\n<p>Todos as constru\u00e7\u00f5es incas possuem uma grande integra\u00e7\u00e3o com os elementos da natureza. A localiza\u00e7\u00e3o de seus monumentos n\u00e3o foram feitos para serem apreciados de qualquer lugar mas de locais predeterminados e normalmente situados em pontos elevados que possibilitam uma vis\u00e3o total do conjunto. Os aparentemente disseminados grupos de constru\u00e7\u00f5es se integram visualmente com as montanhas formando uma interven\u00e7\u00e3o harm\u00f4nica onde o desenho de sua urbaniza\u00e7\u00e3o muitas vezes \u00e9 relacionada com imagens de animais sagrados. O solst\u00edcio de ver\u00e3o (22 de dezembro) e o solst\u00edcio de inverno (21 de junho), Capac Raymi e Inti Raymi, s\u00e3o datas onde os raios solares mostram o esplendor de v\u00e1rias constru\u00e7\u00f5es como tra\u00e7ados de ruas, aberturas nas casas, esculturas e templos que fazem jogos de luz e sombra e revelam caracter\u00edsticas m\u00edsticas e astron\u00f4micas dos seus monumentos.<\/p>\n<p>O imp\u00e9rio inca dominou v\u00e1rias artes. A arquitetura ficou como marca de uma civiliza\u00e7\u00e3o que at\u00e9 hoje intriga a todos por sua alta tecnologia. As constru\u00e7\u00f5es em pedra gigantescas com seus encaixes perfeitos usaram t\u00e9cnicas ainda hoje desconhecidas e impratic\u00e1veis para as constru\u00e7\u00f5es contempor\u00e2neas. Os incas tamb\u00e9m dominaram os m\u00e9todos de preven\u00e7\u00e3o de terremotos onde colocavam sob as paredes uma base com pequenas pedras para absorverem os movimentos s\u00edsmicos.<\/p>\n<p>&#8220;Nos Andes, a enorme quantidade de ecossistemas que interagem na sua geografia, unida a sua instabilidade clim\u00e1tica, proporcionou ao longo de mil\u00eanios o desenvolvimento de um conhecimento humano e um pensamento dirigido a encontrar os meios necess\u00e1rios para sustentar e projetar sociedades em harmonia com o incerto ritmo de sua diversificada natureza; \u00e9 por isso que conceitua o mundo como um todo &#8220;vivo&#8221; e interagido onde o homem \u00e9 apenas uma parte&#8221;<\/p>\n<p>Fernando Elorrieta Salazar e Edgar Elorrieta Salazar<\/p>\n<p>A palavra inca \u00e9 um fonema que variou de Enqa a Inga e Inca; significa o Espirito, for\u00e7a ou energia que ordena as coisas para gerar ou produzir bem estar.<\/p>\n<p>Em Ollantaytambo deixamos nossos equipamentos num hotel e seguimos com as bicicletas mais leves para o caminho inca &#8220;alternativo&#8221; que acompanha o rio at\u00e9 \u00c1guas Calientes, cidade mais pr\u00f3xima de Machu Picchu que s\u00f3 tem acesso de trem ou a p\u00e9 pela trilha inca.<\/p>\n<p>Devido aos altos pre\u00e7os da entrada pelo caminho inca original (variam de 180 a 480 d\u00f3lares) resolvemos chegar em Machu Pichu pedalando pela trilha paralela \u00e0 linha do trem. Grande parte da estrutura tur\u00edstica do local est\u00e1 privatizada e possui pre\u00e7os abusivos, boa parte do dinheiro que circula vai para o governo em forma de impostos e pouco se v\u00ea revertido para a popula\u00e7\u00e3o local. No caminho fomos barrados (a 20 km de Machu Picchu) pela administra\u00e7\u00e3o do trem e fomos obrigados a utilizar o servi\u00e7o da Perurail que tamb\u00e9m \u00e9 privatizada e n\u00e3o permite que nenhum turista passe pela regi\u00e3o sem pagar sua passagem.<\/p>\n<p>De \u00c1guas Calientes subimos em bicicleta os \u00faltimos dez km at\u00e9 chegar na porta de Machupicchu e poder ver o mais belo dos santu\u00e1rios de todo o vale que ficou protegido por s\u00e9culos pelo manto verde da natureza que os incas tanto cultuaram.<\/p>\n<p>Machu Picchu foi descoberto por Iram Bingham em 1911 e \u00e9 considerada a obra m\u00e1xima da ideologia inca. Foi constru\u00edda estrategicamente na divis\u00e3o entre o altiplano e a floresta amaz\u00f4nica e est\u00e1 situada no alto de uma montanha que envolve uma das curvas mais sinuosas do rio Vilcanota. A cidade cujo nome significa p\u00e1ssaro velho ou o soberano espirito tutelar da paz dos homens \u00e9 um exemplo perfeito de interven\u00e7\u00e3o urbana. Sua localiza\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o foram feitas para aproveitar ao m\u00e1ximo as caracter\u00edsticas naturais do local. As casas, templos, pra\u00e7as, cultivos, etc. est\u00e3o em total harmonia com seu entorno. Subimos para o ponto mais alto da regi\u00e3o, o monte Waynapicchu, de onde se v\u00ea toda Machu Picchu e a curva do rio. No topo desta montanha existem incr\u00edveis constru\u00e7\u00f5es de pedra assentadas em declividades que chegam a 80 graus.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"images-rel\" src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_1\/rel_09\/foto_rel9_08.jpg\" align=\"right\"  alt=\"\" \/><\/p>\n<p>A beleza de Machu Picchu contrasta com sua vizinha rec\u00e9m constru\u00edda \u00c1guas Calientes, uma cidade sem nenhum planejamento que acabou se transformando num ponto de trem com um amontoado de hot\u00e9is e restaurantes para usufruir do incessante turismo.<\/p>\n<p>Peru passou recentemente (2000) por uma grave crise de corrup\u00e7\u00e3o em seu governo (Fujimori) e at\u00e9 hoje a estrutura burocr\u00e1tica governamental reflete este passado. Locais como Machu Picchu possuem uma das maiores receitas tur\u00edsticas mundiais e, no entanto, a popula\u00e7\u00e3o local segue com problemas de infra-estrutura e pobreza. O legado inca est\u00e1 sendo utilizado como instrumento tur\u00edstico de enriquecimento de poucos ao inv\u00e9s de ser um ensinamento de conviv\u00eancia em harmonia entre as pessoas e a natureza.<\/p>\n<p>De Machu Picchu o rio Vilcanota continua descendo a cordilheira e vai formar o rio Amazonas, atravessar o Brasil e desaguar no oceano Atl\u00e2ntico. Eu tomei um caminho diferente, voltei para Ollantaytambo, recoloquei os equipamentos na mochila e agora sigo em dire\u00e7\u00e3o oeste para Nazca, subindo e descendo morros novamente.<\/p>\n<p>Agora tenho um novo desafio, talvez maior que subir os Andes, conseguir uma passagem para atravessar o Oce\u00e2no Pac\u00edfico.<\/p>\n<p>Um grande abra\u00e7o,<br \/>\n<strong>Argus<\/strong><\/p>\n<p><em>&#8220;Seja voc\u00ea a mundan\u00e7a que deseja ver no mundo&#8221;<\/em><br \/>\nGandhi<\/p>\n<p><strong>Para saber mais<\/strong><br \/>\n<strong>Livros<\/strong><br \/>\nCobo, Bernab\u00e9<br \/>\n1956 (1653), Historia del Nuevo Mundo.<br \/>\nDollfus, Oliver<br \/>\n1991, Territorios Andinos, reto y memoria. Instituto Franc\u00e9s de Estudios Andinos. Lima<br \/>\nGranadino, Cecilia<br \/>\n1993, Cuentos de nuestros Abuelos Qechuas, Recuperando La Tradici\u00f3n Oral. Lima Graf. Lima.<br \/>\nGarcilaso de la Veja, El Inca<br \/>\nS\/f. (1609)<br \/>\nHyslop, John<br \/>\n1992, &#8220;qhapaq\u00f1an, el Sistema Vial Incaico&#8221;. Instituto Andino de Estudios Arqueol\u00f3gicos-Petr\u00f3leos del Per\u00fa. Lima.<br \/>\nLumbreras, Luis Guillermo<br \/>\n1969, De los Pueblos, las Culturas y las Artes del Antiguo Per\u00fa. Moncloa-Campod\u00f3nico, Editores Associados. Lima<br \/>\nMolina, Crist\u00f3bal de. &#8220;El cusque\u00f1o&#8221;<br \/>\n1943 (1574), F\u00e1bulas y Ritos de los Incas. Las Cr\u00f3nicas de los Molinas. Los Peque\u00f1os Grandes Libros de la Historia Americana. Serie I, Tomo IV. Lima.<br \/>\nPonce Sangin\u00e9s, Carlos<br \/>\n1969 a, La ciudad de Tiahuanacu. Faculdad de Arquitetura. Universidad Mayor de San Andr\u00e9s. La Paz.<br \/>\nSullivan, William<br \/>\n1999, El Secreto de los Incas, Edit. Grijalbo. Barcelona.<br \/>\nwww.theincas.com<br \/>\nwww.incas.org<br \/>\nwww.fordham.edu\/halsall\/mod\/1540cieza.html<br \/>\nwww.incaconquest.com<br \/>\nwww.att.virtualclassroom.org\/vc98\/vc_68\/Mesoamerica\/Inca\/<br \/>\nwww.ciudadfutura.com\/misteriosincas\/<br \/>\nwww.incasgroup.com<br \/>\nwww.peru.com<br \/>\nwww.naya.org.ar\/peru\/incas.htm<br \/>\nwww.rose-hulman.edu\/~delacova\/incas\/collier.htm<br \/>\nwww.pbs.org\/opb\/conquistadors\/peru\/peru.htm<br \/>\nwww.monografias.com\/trabajos4\/incas\/incas.shtml<\/p>\n<p><strong>Para visitar<\/strong><br \/>\nIlhas de Uros e Taquile:<br \/>\nAll Ways Travel S.R.L.<br \/>\nwww.allwaystravelperu.com<br \/>\nelianapauca@yahoo.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>24.ABR.2002 Ola amigos, depois do lago Titicaca segui pelo rio Vilcanota at\u00e9 Machu Picchu passando pelo lindo vale sagrado dos incas. 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