{"id":424,"date":"2009-10-20T19:03:58","date_gmt":"2009-10-20T22:03:58","guid":{"rendered":"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/?page_id=424"},"modified":"2024-03-16T14:20:31","modified_gmt":"2024-03-16T14:20:31","slug":"etapa-1-relatorio-10","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/?page_id=424","title":{"rendered":"Etapa 1 \u2013 Relat\u00f3rio 10"},"content":{"rendered":"<h4>22.MAI.2002<\/h4>\n<h3>Ola amigos, acabei de atravessar a grande cordilheira do Andes. Desci as \u00faltimas montanhas e cheguei no Oceano Pac\u00edfico, passando pela regi\u00e3o des\u00e9rtica do sul peruano. Completei meus primeiros cinco mil quil\u00f4metros e agora estou em Pisco, pequena cidade do litoral a 240 km da capital Lima.<\/h3>\n<p>Sa\u00edmos do eixo tur\u00edstico de Cuzco e atravessamos a cordilheira no seu sentido mais acidentado, leste-oeste. Os Andes se divide em duas cadeias de montanhas paralelas ao oceano, a cordilheira oriental e a ocidental. Descemos a oriental e visitamos o vale do rio Apurimac (aprox. 1400 m.a.n.m.) que fica entre as duas cadeias.<\/p>\n<p>Antes de chegar no rio passamos por grandes subidas e descidas perto da cidade de Abancay (chegamos a descer mais de 40 km seguidos). Um caminh\u00e3o me fechou e acabei caindo da bicicleta. Esfolei o bra\u00e7o e a perna e torci a m\u00e3o. Nada s\u00e9rio, hoje os esfolados j\u00e1 est\u00e3o cicatrizados e a m\u00e3o quase n\u00e3o d\u00f3i. Os moradores dessa regi\u00e3o foram muitos simp\u00e1ticos (com exce\u00e7\u00e3o do desnaturado motorista) e nos ajudaram muito.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" align=\"center\" class=\"images-rel\" src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_1\/rel_10\/mapa02.gif\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p>Descemos at\u00e9 chegar num trecho de estrada em constru\u00e7\u00e3o que acompanha paralelamente o rio Apurimac. Grande parte desta estrada que pedalamos foi constru\u00edda nos \u00faltimos dez anos por empresas brasileiras.<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o da estrada \u00e9 uma interessante obra de engenharia onde existem v\u00e1rios desafios de cortes de montanhas rochosas e grandes contens\u00f5es do rio. A estrada est\u00e1 interditada para ve\u00edculos comuns e pedalamos perto de imensas retro-escavadeiras e caminh\u00f5es durante esses 150 km de obra entre Abancay e Chalhuanca.Estas grandes obras empregam muitas pessoas que v\u00e1rias vezes se transformam em moradores fixos dos improvisados acampamentos. Dessa forma, ap\u00f3s conclu\u00eddas as obras, nascem pequenas vilas mesclando os moradores nativos com os trabalhadores dos mais diversos lugares.<\/p>\n<p>O vale do rio Apurimac tem uma \u00e1rea de cultivo menor que a do rio Vilcanota e possui imensas montanhas que foram erodidas por suas \u00e1guas. Segundo o Consejo Transitorio de Administracion Regional de Apurimac estas grandes montanhas fazem deste c\u00e2nion o mais profundo do mundo com 4.691 metros entre o topo da montanha mais alta (5.991 m.a.n.m) e o n\u00edvel do rio (1.300 m.a.n.m.).<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" align=\"center\" class=\"images-rel\" src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_1\/rel_10\/foto_10_01.jpg\" alt=\"Vale do Rio Apurimac\" \/><\/p>\n<p>Segundo o geof\u00edsico Mateo Casaverde o rio Apurimac \u00e9 o componente inicial de toda bacia do rio Amazonas. Cientistas peruanos consideram que a nascente do rio Apurimac esta no nevado Mismi, a 5.597 m.a.n.m. (15\u00b0 30.8\u2019 latitude sul; 71\u00b0 40.6\u2019 longitude oeste). A nascente do rio principal do Amazonas \u00e9 motivo de discuss\u00e3o at\u00e9 hoje. Outros cientistas acreditam que a nascente da bacia amaz\u00f4nica \u00e9 o nosso conhecido rio Vilcanota, que pedalei desde sua nascente at\u00e9 Machu Picchu &#8211; onde o Vilcanota muda de nome para rio Urubamba. Em ambas teorias o rio Amazonas \u00e9 considerado o maior rio do planeta em extens\u00e3o e vaz\u00e3o de \u00e1gua.<\/p>\n<p>Para saber mais sobre a bacia do Amazonas entre no site da Agencia Nacional de \u00c1guas: www.ana.gov.br<\/p>\n<p>De Chalhuanca subimos para o frio e \u00e1rido plat\u00f4 da cordilheira ocidental com mais de 4500 m.a.n.m.. Esta foi uma das regi\u00f5es de atua\u00e7\u00e3o do rec\u00e9m banido grupo terrorista Sendero Luminoso. O grupo terrorista surgiu na d\u00e9cada de 80 sobre a lideran\u00e7a do graduado Abimael Guzm\u00e1n e influ\u00eancia do l\u00edder comunista chin\u00eas Mao Tse-tung. No governo de Fujimori o grupo foi investigado e exterminado, estando hoje o ex-l\u00edder Guzm\u00e1n preso no Peru.<\/p>\n<p>A regi\u00e3o do plat\u00f4 \u00e9 muito pobre e possui apenas pequenos povoados dispersos. Sua pequena economia vem da cria\u00e7\u00e3o de lhamas. Outra vez passei mal com a comida e parei para descansar no \u00fanico alojamento de Pampa Marca, um povoado com menos de cem casas. O &#8220;hotel&#8221; \u00e9 usado tamb\u00e9m como matadouro das lhamas e pela manh\u00e3 do dia seguinte acordei com uma pilha de cabe\u00e7as de lhamas rec\u00e9m decapitadas na porta do meu quarto. Ali n\u00e3o era, logicamente, um bom lugar para meu est\u00f4mago. Resolvi ent\u00e3o seguir de caminh\u00e3o at\u00e9 a pr\u00f3xima cidade. Devido ao alto grau de subsist\u00eancia da regi\u00e3o, a estrada ainda \u00e9 muito pouco utilizada e esperei por mais de tr\u00eas horas uma carona &#8211; nesse tempo passaram apenas quatro carros. Finalmente consegui carona com o caminh\u00e3o que foi pegar os corpos das lhamas. Assim fui at\u00e9 Puquio e por l\u00e1 fiquei dois dias me recuperando.<\/p>\n<p>Puquio \u00e9 uma cidade cercada por um bosque com v\u00e1rios lagos e imensas pedras que rolaram de suas montanhas. Dali separei do bom companheiro Michel que seguiu viagem para Arequipa ao sul enquanto segui para o norte em dire\u00e7\u00e3o a Lima.<\/p>\n<p>Depois de dois dias fechado em um quarto eu j\u00e1 estava louco de vontade de pedalar. \u00c9 engra\u00e7ado, parece que vicia. Reparado o &#8220;motor da bicicleta&#8221; segui para a \u00faltima subida dos Andes e depois a maior descida de toda viagem. No alto est\u00e1 o parque nacional de preserva\u00e7\u00e3o de Vicunhas que \u00e9 muito cobi\u00e7ada por sua excelente pele (Na lei consta uma multa de mil d\u00f3lares para o carro que atropelar uma Vicunha na \u00e1rea do parque). Desci incr\u00edveis 80 km antes de chegar em Nazca quando sa\u00ed de mais de 4000 m.a.n.m. at\u00e9 chegar em 1000 m.a.n.m.. Foram tr\u00eas horas de adrenalina numa ladeira que me deu as boas vindas ao deserto.<\/p>\n<p>No meio da descida \u00e9 poss\u00edvel ver a camada de poeira que flutua na atmosfera do deserto. Submergi nessa camada e agora a visibilidade n\u00e3o ultrapassa os cinco quil\u00f4metros.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" align=\"center\" class=\"images-rel\" src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_1\/rel_10\/foto_10_02.jpg\" alt=\"Descida para o deserto - camada de poeira\" \/><br \/>\nDescida para o deserto &#8211; camada de poeira<\/p>\n<p>Neste deserto sul peruano est\u00e1 a cidade de Nazca com suas misteriosas e imensas linhas e aquedutos.<\/p>\n<p>Segundo a pesquisadora Maria Reiche, que dedicou 50 anos de sua vida estudando as linhas, &#8220;Nazca \u00e9 o maior calend\u00e1rio astron\u00f4mico do mundo, particularmente um calend\u00e1rio agr\u00edcola que assinalava o levante das \u00e1guas.&#8221; Segundo o pesquisador David Johnson &#8220;os desenhos s\u00e3o mapas das \u00e1guas subterr\u00e2neas&#8221;. O hidr\u00f3logo Steve Mabee da equipe da Universidade de Massachusetts pesquisa hoje a \u00faltima hip\u00f3tese buscando confirmar a teoria.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" align=\"center\" class=\"images-rel\" src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_1\/rel_10\/foto_10_03.jpg\" alt=\"Vista a\u00e9rea das linhas de Nazca com a estrada e o mirante\" \/><br \/>\nVista a\u00e9rea das linhas de Nazca com a estrada e o mirante<\/p>\n<p>A Aero Condor (www.aerocondor.com.pe) apoiou o projeto e concedeu um v\u00f4o para que eu pudesse ver e tirar fotos dos desenhos que s\u00e3o leg\u00edveis somente de avi\u00e3o (outro mist\u00e9rio). Os desenhos est\u00e3o distribu\u00eddos em uma \u00e1rea de 525 km2 e foram feitos pela cultura Nazca (pr\u00e9-inca) entre 300 a.C. e 800 d.C. V\u00e1rios desenhos s\u00e3o animais estilizados &#8211; p\u00e1ssaros, sapo, cachorro, aranha, baleia, etc. &#8211; (tamb\u00e9m encontrados nas cer\u00e2micas) e chegam a ter trezentos metros de comprimento. Para fazerem as linhas eles escavaram a capa superior de pedras (mais escuras) em at\u00e9 30 cm de profundidade.<\/p>\n<p>&#8220;Algumas coisas podemos explicar hoje, outras no futuro e outras nunca&#8230;&#8221; &#8211; Maria Reiche, 1982<\/p>\n<p>Nazca tamb\u00e9m possui geniais aquedutos (puquios) que ficam na zona arqueol\u00f3gica de Cantalloc. Apesar de des\u00e9rtica, a regi\u00e3o \u00e9 rica em \u00e1gua subterr\u00e2nea (basta imaginar que toda \u00e1gua dos Andes ocidentais passam por essa regi\u00e3o antes de chegar no oceano). Os aquedutos foram uma h\u00e1bil forma de captar \u00e1gua subterr\u00e2nea do alto das montanhas e traz\u00ea-la para a superf\u00edcie da cidade. Essa forma de irriga\u00e7\u00e3o funciona at\u00e9 hoje e \u00e9 respons\u00e1vel pela produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola (algod\u00e3o, batata, milho, feij\u00e3o, etc.) que alimenta toda popula\u00e7\u00e3o local.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" align=\"center\" class=\"images-rel\" src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_1\/rel_10\/foto_10_04.jpg\" alt=\"Local de manuten\u00e7\u00e3o do aqueduto\" \/><br \/>\nLocal de manuten\u00e7\u00e3o do aqueduto<\/p>\n<p>&#8220;Normalmente o rio tem \u00e1gua corrente somente por 40 dias por ano, desta forma Nazca teria seca por mais de 10 meses se n\u00e3o fosse o trabalho dos antigos \u00edndios&#8221; &#8211; Antonio Raimondi<\/p>\n<p>O t\u00e3o conhecido car\u00e1ter sagrado dos elementos da natureza pelas culturas incas \u00e9 ainda mais forte quando se trata de &#8220;\u00e1gua no deserto&#8221;. Os aquedutos e as linhas s\u00e3o logicamente rondadas de muitos mist\u00e9rios e lendas que sempre possuem a \u00e1gua como elemento principal.<\/p>\n<p>Toda regi\u00e3o que passei est\u00e1 com s\u00e9rios problemas de desemprego. Os poucos profissionais que existem trabalham como taxistas ou vendedores em pequenos com\u00e9rcios. Desemprego ali\u00e1s que sucede em toda Am\u00e9rica do Sul e vem crescendo assustadoramente com a globaliza\u00e7\u00e3o. O valor da m\u00e3o de obra aqui \u00e9 irris\u00f3rio, uma almo\u00e7o &#8211; que usa ingredientes da agricultura e pecu\u00e1ria manual &#8211; custa o mesmo que uma garrafa de \u00e1gua industrializada. As grandes empresas est\u00e3o sendo vendidas e as estatais doadas, ou melhor, privatizadas e seus lucros logicamente desaparecem nas m\u00e3os da plutocracia mundial liderada pelo rei do capitalismo, os Estados Unidos, que tamb\u00e9m est\u00e1 na lideran\u00e7a da polui\u00e7\u00e3o ambiental. Mas o marketing ianque \u00e9 bem feito: O Sr. Bush posa de mocinho do lado do presidente Toledo, falando de ajuda para combater o tr\u00e1fico (que existe porque nunca conseguiram combater o uso nos Estados Unidos) e est\u00e1 tudo resolvido. Enquanto isso, no continente da alegria, o Presidente do Congresso da Rep\u00fablica, Sr. Carlos Ferrero, desfila de bicicleta pelas ruas de Lima e o nosso Rom\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 convocado para a sele\u00e7\u00e3o. Quem entende?!<\/p>\n<p>De Nazca fui para Palpa, pela estrada Panamericana, num caminho que por v\u00e1rias vezes mudava a paisagem de um deserto \u00e1rido para \u00e1reas muito f\u00e9rteis, onde normalmente est\u00e3o as pequenas cidades. Pouco antes de chegar em Palpa me chamou a aten\u00e7\u00e3o uma pequena fazenda com planta\u00e7\u00f5es de manga, laranja, etc., que parece muito com as fazendas do interior de Minas Gerais. Entrei para &#8220;assuntar&#8221; e acabei estendendo minha barraca embaixo de um p\u00e9 de manga. Passei o resto da tarde proseando com a simp\u00e1tica fam\u00edlia Reategui, uma mistura de espanh\u00f3is e peruanos que vivem da venda de doces, sucos e pratos preparados com a produ\u00e7\u00e3o da casa. Me senti ainda mais em casa quando me ofereceram torresmo com mishkichado &#8211; uma bebida muito parecida com a caipirinha.<\/p>\n<p>\u00c1gua a vista!!<\/p>\n<p>De Palpa fui Ica e depois para o litoral ver pela primeira vez as \u00e1guas do Oceano Pac\u00edfico.<\/p>\n<p>Cheguei no litoral num peda\u00e7o aben\u00e7oado pela natureza: Parque Nacional de Paracas, h\u00e1bitat e local de migra\u00e7\u00e3o de 215 esp\u00e9cies de aves dentre elas o ping\u00fcim, flamingo e o condor andino. Acampei na praia (a temperatura est\u00e1 \u00f3tima para camping \u2013 antes o frio das montanhas n\u00e3o me animava muito&#8230;) e no outro dia fui pedalar pelo Parque.<\/p>\n<p>A Reserva foi fundada em 1975, tem 335 mil hectares protegidos (65% de mar e 35% de deserto) e foi considerada, em 1992, Zona de Import\u00e2ncia Internacional especialmente como H\u00e1bitat de Aves Aqu\u00e1ticas (Conven\u00e7\u00e3o de RAMSAR). Faz parte do Sistema de Areas Naturales Protegidas por el Estado (SINANPE), que \u00e9 gerenciado pelo Instituto Nacional de Recursos Naturales (INRENA).<\/p>\n<p>O encontro do deserto com o mar formou imensas fal\u00e9sias e praias incr\u00edveis. Uma das forma\u00e7\u00f5es mais interessantes \u00e9 a La Catedral que foi formada pela eros\u00e3o do vento e do mar h\u00e1 aproximadamente 32 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s (Per\u00edodo Terci\u00e1rio).<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" align=\"center\" class=\"images-rel\" src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_1\/rel_10\/foto_10_05.jpg\" alt=\"La Catedral - Parque Nacional de Paracas\" \/><br \/>\nLa Catedral &#8211; Parque Nacional de Paracas<\/p>\n<p>Depois da pedalada no parque fui para as Islas Ballestas, resid\u00eancia de milhares de p\u00e1ssaros e muitos, muitos lobos-marinhos. Fiquei impressionado com a quantidade e com os sons que eles fazem. Em alguns locais formam-se grutas e o som ecoa e impressiona ainda mais. Muitos barcos tur\u00edsticos visitam a ilha diariamente. N\u00e3o \u00e9 permitido desembarcar e todo tour \u00e9 feito pela \u00e1gua &#8211; e que assim continue eternamente&#8230;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" align=\"center\" class=\"images-rel\" src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_1\/rel_10\/foto_10_06.jpg\" alt=\"Lobos-marinhos nas Islas Ballestas\" \/><br \/>\nLobos-marinhos nas Islas Ballestas<\/p>\n<p>Sigo buscando alguma forma de atravessar o oceano, estou pensando em desenvolver um pedalinho.<\/p>\n<p>Um abra\u00e7o e at\u00e9 o pr\u00f3ximo relat\u00f3rio&#8230;<br \/>\n<strong>Argus<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Repito por pura alegria de viver:<br \/>\na salva\u00e7\u00e3o \u00e9 pelo risco,<br \/>\nsem o qual a vida n\u00e3o vale a pena&#8221;<br \/>\n<em>Clarice Lispector<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>22.MAI.2002 Ola amigos, acabei de atravessar a grande cordilheira do Andes. 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