{"id":429,"date":"2009-10-20T19:08:48","date_gmt":"2009-10-20T22:08:48","guid":{"rendered":"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/?page_id=429"},"modified":"2024-03-16T14:20:31","modified_gmt":"2024-03-16T14:20:31","slug":"etapa-2-relatorio-2","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/?page_id=429","title":{"rendered":"Etapa 2 &#8211; Relat\u00f3rio 2"},"content":{"rendered":"<h4>31.JUL.2002<\/h4>\n<h3 class=\"tit-rel\">Ola amigos, depois de New Castle fiz uma longa jornada na Austr\u00e1lia. Revezando pedaladas e caronas percorri quase toda a costa leste. Passei por Brisbane, Rockampton, Mackay, Hervey Bay, Townsville, Cairns e v\u00e1rias pequenas cidades.<\/h3>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_2\/rel_02\/foto_02_1.gif\" class=\"images-rel\" align=\"center\" alt=\"mapa oceania\"><\/p>\n<p>A temperatura mudou radicalmente nesse percurso. Atravessei o Tr\u00f3pico de Capric\u00f3rnio e estou cada dia mais perto da linha do Equador. O frio de New South Wales for substitu\u00eddo pelo calor dos Tr\u00f3picos \u00damidos de Queensland. A mudan\u00e7a no comportamento das pessoas tamb\u00e9m foi forte. No norte as pessoas s\u00e3o mais alegres e recept\u00edveis. Airlie Beach, Magnetic Island, Cairns e a barreira de corais foram os locais mais interressantes dessa etapa.<\/p>\n<p>O pa\u00eds passa hoje por uma situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica muito boa. Sua hist\u00f3ria conta com alguns &#8220;altos e baixos&#8221; &#8211; Depois de ser col\u00f4nia penal inglesa, passou por uma fase rica na &#8220;Corrida do Ouro&#8221; em 1850, uma depress\u00e3o econ\u00f4mica no come\u00e7o do S\u00e9c. XX e hoje vive novamente em tempos de fartura. Aqui n\u00e3o vi pobreza.<\/p>\n<p>A economia que h\u00e1 algumas d\u00e9cadas atr\u00e1s era baseada na l\u00e3 se transformou em uma grande pot\u00eancia de carv\u00e3o natural, ouro, trigo, a\u00e7\u00facar, vinicultura, turismo e diamantes. Este \u00faltimo a Austr\u00e1lia ocupa segundo posto mundial. Os produtos industrializados nacionais s\u00e3o orgulhosamente expostos nas vitrines com estampas do tipo &#8220;Feito na Astr\u00e1lia&#8221; ou &#8220;M\u00e3o de Obra Nacional&#8221;.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos 20 anos o turismo se transformou no maior contribuidor da economia nacional. Segundo o Cultures of the world (1991) a Austr\u00e1lia recebe a visita de 2 milh\u00f5es de turistas por ano. Jap\u00e3o, Estados Unidos, Nova Zel\u00e2ndia, Inglaterra e Alemanha s\u00e3o as principais fontes.<\/p>\n<p>O turismo interno tamb\u00e9m \u00e9 forte. O sonho de consumo de australiano \u00e9 viajar de trailler pela Austr\u00e1lia se aproveitando da excelente estrutura de Caravans Parks e centenas de parques. O retorno dos impostos pagos pela popula\u00e7\u00e3o \u00e9 claramente vis\u00edvel nas estruturas urbanas. Os aventureiros de trailler, em geral casais com mais de 40 anos, utilizam mesas, \u00e1gua, banheiros e muitas vezes churrasqueiras com g\u00e1s gratuito distribu\u00eddos por toda Austr\u00e1lia.<\/p>\n<p>Logicamente essa estrutura foi muito bem vinda para mim. Minhas cozinhas foram essas churrasqueiras gr\u00e1tis, conhecidas como barbecues, onde fazia minhas refei\u00e7\u00f5es. Aqui tentei de todas as formas diminuir meus custos mas tudo \u00e9 realmente muito caro para um sulamericano. Decidi diminuir meu tempo na Austr\u00e1lia para n\u00e3o &#8220;falir&#8221; o projeto e peguei v\u00e1rias caronas nesse \u00faltimo trajeto.<\/p>\n<p>Austr\u00e1lia \u00e9 um dos pa\u00edses mais urbanizados do mundo. 85% da popula\u00e7\u00e3o vive em cidades. Os fazendeiros s\u00e3o menos de 1% da popula\u00e7\u00e3o. Estou tendo uma vis\u00e3o parcial desse imenso pa\u00eds. Estou passando apenas na costa leste, bastante habitada e urbanizada. O resto da Austr\u00e1lia \u00e9 praticamente um deserto \u00e1rido e despovoado.<\/p>\n<p>De Newcastle fui para Toronto onde dei uma aula na Toronto High School. Percebi que os alunos s\u00f3 se concentraram quando comecei a falar de lugares pobres da Am\u00e9rica do Sul. \u00c9 dif\u00edcil explicar o que \u00e9 pobreza para alunos que vivem num pa\u00eds com renda per capita de mais de vinte mil d\u00f3lares por ano e os desempregados ganham do governo quase dez vezes o sal\u00e1rio m\u00ednimo do Brasil. Em geral as diferen\u00e7as de sal\u00e1rios s\u00e3o muito pequenas. Dentro de uma empresa o cargo mais alto dificilmente chega a ganhar mais que 20 vezes o valor do cargo mais baixo. Aqui a palavra fome n\u00e3o existe.<\/p>\n<p>Voltei para Newcastle de onde fui de \u00f4nibus para Brisbane, no sul de Queensland, a maior cidade do estado. O frio seguia forte. Com meu terr\u00edvel saco de dormir eu quase congelava nas noites em que acampava. Na sa\u00edda da cidade existe um trecho da highway proibido para bicicletas e tive de utilizar umas estradas menores que passam pelo interior.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_2\/rel_02\/foto_02_2.jpg\" class=\"images-rel\" align=\"right\" alt=\"Brisbane\"><\/p>\n<p>Essa regi\u00e3o do interior \u00e9 uma das \u00e1reas rurais mais importantes do pa\u00eds. A cria\u00e7\u00e3o bovina conta com alta tecnologia. Algumas cidades parecem um pouco com filmes de faroeste. Em Gympie por exemplo fiquei hospedado em cima de um bar com as portas &#8220;bang bang&#8221;, balc\u00e3o de madeira, um bando de homens bebendo cerveja e uma loira servindo.<\/p>\n<p>Do interior segui para Hervey Bay onde me encontrei com o Jo\u00e3o Guimba e a Paty, um casal de paulistas que est\u00e1 fazendo a volta pela Austr\u00e1lia numa Van. Aproveitei a oportunidade da carona e seguimos juntos at\u00e9 Townsville.<\/p>\n<p>Townsville \u00e9 a segunda maior cidade de Queensland, depois de Brisbane. \u00c9 aqui o maior porto para os setores pecu\u00e1rio, a\u00e7ucareiro e de minera\u00e7\u00e3o. Apesar do meu esfor\u00e7o para ver coala e canguru livres, foi somente num parque em Townsville que consegui ver esses animais. Na verdade vi muitos cangurus mas todos estavam mortos atropelados. Aqui \u00e9 o habitat perfeito para o coala que se alimenta das folhas das mais de 400 esp\u00e9cies de eucaliptos australianos.<\/p>\n<p>&#8220;Os tr\u00f3picos \u00famidos de Queensland abrigam o registro quase completo da evolu\u00e7\u00e3o das plantas no continente australiano. Cerca de 50% de todas as esp\u00e9cies de aves e 30% das esp\u00e9cies de marsupiais encontrados no pa\u00eds vivem aqui.&#8221; (Guia Visual da Austr\u00e1lia, Folha de S\u00e3o Paulo)<\/p>\n<p>Estou passando aqui no inverno para evitar a umidade excessiva das mon\u00e7\u00f5es e tamb\u00e9m os ciclones (Um dos mais famosos foi o Ciclone Tracy que destruiu a cidade de Darwin em 1974).<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_2\/rel_02\/foto_02_3.jpg\" class=\"images-rel\" align=\"left\" alt=\"Mata nos Tr\u00f3picos \u00damidos ao norte da Austr\u00e1lia\"><\/p>\n<p>Apesar de todo cuidado com o meio ambiente, segundo o Atlas da Austr\u00e1lia da Header&#8217;s Digest, desde a ocupa\u00e7\u00e3o europ\u00e9ia o pa\u00eds liderou a quantidade de esp\u00e9cies de plantas e animais que entraram em extin\u00e7\u00e3o. Os colonizadores introduziram v\u00e1rios animais para praticarem esportes de ca\u00e7a ou divers\u00e3o, principalemente raposas e coelhos. Hoje estes animais se transformaram em grande problema para o ecossistema.<\/p>\n<p>Outro problema ambiental \u00e9 a energia. Combust\u00edveis f\u00f3sseis proporcionam grande parte da energia australiana mas polui muito a atmosfera quando \u00e9 queimado. Pesquisadores est\u00e3o buscando meios mais eficientes e menos danosos de usar suas reservas de carv\u00e3o e g\u00e1s e desenvolvendo fontes renov\u00e1veis de energia e formas de captar a inesgot\u00e1vel energia solar, e\u00f3lica e mar\u00edtima. Aproveito o assunto para uma dica pessoal: Nunca mais comprem pilhas comuns ou alcalinas! Estou usando pilhas recarreg\u00e1veis de NiMH desde o come\u00e7o da viagem. Carrego seis pilhas e um pequeno carregador que funcionam perfetiramente. Al\u00e9m da economia financeira estou com a consci\u00eancia tranquila de n\u00e3o estar jogando dezenas de pilhas usadas, venenos qu\u00edmicos para a natureza, no lixo.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_2\/rel_02\/foto_02_4.jpg\" class=\"images-rel\" align=\"right\" alt=\"Fontes alternativas de energia para evitar a polui\u00e7\u00e3o ambiental\"><\/p>\n<p>Fiquei impressionado com a quantidade de periquitos (psitac\u00eddeos) que vi. Aqui ningu\u00e9m tem gaiola. Todos os p\u00e1ssaros vivem soltos e \u00e9 poss\u00edvel encontr\u00e1-los de todos tipos e cores. Al\u00e9m dos periquitos encontrei muitos pelicanos no litoral e vi um dos habitantes mais ex\u00f3ticos daqui, o platy-pus, que combina caracter\u00edsticas de mam\u00edfero e p\u00e1ssaro.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_2\/rel_02\/foto_02_5.jpg\" class=\"images-rel\" align=\"left\" alt=\"Pelicanos em Queensland\"><\/p>\n<p>Austr\u00e1lia, o sexto maior pa\u00eds do mundo, tamb\u00e9m \u00e9 conhecida por &#8220;Oldest Continent&#8221; pois muitas de suas rochas foram formadas no per\u00edodo pr\u00e9-cambriano, h\u00e1 mais de 5 bilh\u00f5es de anos. Terremotos s\u00e3o raros e o \u00faltimo vulc\u00e3o que entrou em erup\u00e7\u00e3o foi h\u00e1 mais de 5000 anos. A montanha mais elevada tem apenas 2193 metros (Mount Kosciusko).<\/p>\n<p>A topografia plana do continente influencia n\u00e3o somente a pluviometria mas tamb\u00e9m os cursos dos rios. Os rios que correm para o mar nascem na costa e possuem pequenos cursos. Os rios de dentro do continente s\u00e3o cheios de curvas e sempre secam antes de chegar no litoral.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_2\/rel_02\/foto_02_6.jpg\" class=\"images-rel\" align=\"right\" alt=\"Fonte: Atlas of Australia - Headers Digest\"><\/p>\n<p>Em Townsville fui mergulhar na famosa Barreira de Corais.<\/p>\n<p>&#8220;A grande barreira de corais \u00e9 um complexo de 35 milh\u00f5es de hectares de ilhas e corais que se estendem por mais de 2.000 km ao longo da costa nordeste da Austr\u00e1lia. Constru\u00edda por incont\u00e1veis min\u00fasculos p\u00f3lipos de coral h\u00e1 mais de 2 milh\u00f5es de anos, \u00e9 a maior estrutura do mundo constru\u00edda por um animal.&#8221; (Cultures of the world &#8211; Austr\u00e1lia)<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 uma barreira cont\u00ednua e inclui aproximadamente 2800 conjuntos de corais que variam o tamanho entre um hectare at\u00e9 100.000 ha. Estima-se que existam 1500 esp\u00e9cies de peixes, mais de 300 esp\u00e9cies de corais, 4000 moluscos e 400 esp\u00e9cies de esponjas. Al\u00e9m da parte submersa a reserva compreende tamb\u00e9m 600 ilhas, dentre elas a Magnetic Island.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_2\/rel_02\/foto_02_7.jpg\" class=\"images-rel\" align=\"right\" alt=\"Magnetic Island - Queensland\"><\/p>\n<p>Depois dos dois dias &#8220;tur\u00edsticos&#8221; fui dar uma aula na Cleveland Training Centre para alunos de um Centro de Deten\u00e7\u00e3o. Foi uma experi\u00eancia diferente e bastante interessante. O Centro de Deten\u00e7\u00e3o deles \u00e9 realmente um local para aprendizagem e reinser\u00e7\u00e3o social. Possui quadras esportivas, piscina, escola, etc.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a clim\u00e1tica perto de Townsville \u00e9 radical. De Cardwell para Tully por exemplo em apenas 43 km de dist\u00e2ncia a m\u00e9dia anual de chuva simplesmente duplica. Localizada na latitude 18.2 Sul, Tully chove 4450 mm\/ano &#8211; maior \u00edndice pluviom\u00e9trico da Austr\u00e1lia. A floresta \u00e9 densa e j\u00e1 come\u00e7o a sentir o clima do sudeste asi\u00e1tico se aproximando.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_2\/rel_02\/foto_02_8.jpg\" class=\"images-rel\" align=\"left\" alt=\"Townsville\"><\/p>\n<p>Segui viagem passando por algumas cidades que guardam uma heran\u00e7a da grande corrida do ouro que ocorreu em 1850.<\/p>\n<p>&#8220;Apesar de n\u00e3o terem escravid\u00e3o, a produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar do sul de Queensland no S\u00e9c. XIX contou com uma m\u00e3o de obra semi-escrava no Mar do Sul, os kanakas, que recebiam pagamentos irris\u00f3rios, eram mantidos em alojamentos subumanos e alguns vinham sequestrados.&#8221;<\/p>\n<p>Hoje essa regi\u00e3o \u00e9 umas das \u00e1reas rurais mais ricas do pa\u00eds. Grande produtora de tomate, feij\u00e3o e a\u00e7\u00facar. E possui as maiores minas de safira do mundo.<\/p>\n<p>Passei v\u00e1rios dias atravessando planta\u00e7\u00f5es de cana. Perto de Inghan dormi em uma fazenda e conheci um pouco do dia a dia dessa produ\u00e7\u00e3o. \u00c9 totalmente mecanizada e emprega pouca m\u00e3o de obra. Em geral a fam\u00edlia trabalha unida. O sal\u00e1rio de um trabalhador na planta\u00e7\u00e3o \u00e9 de aproximadamente 80 US$\/dia (o equivalente ao sal\u00e1rio m\u00ednimo mensal do Brasil). V\u00e1rias pequenas cidades ao norte de Queensland possuem Usina de A\u00e7\u00facar e t\u00eam cheiro de rapadura.<\/p>\n<p>Agora, no inverno, \u00e9 a alta esta\u00e7\u00e3o do norte australiano. O clima \u00e9 quente (19 a 27 graus) e seco. No ver\u00e3o as mon\u00e7\u00f5es atingem essa regi\u00e3o e chove todo o tempo. Algumas estradas possuem uma r\u00e9gua para saber qual a profundidade que o carro vai submergir nas pistas que ficam inundadas. (no inverno chove 15 mm\/m\u00eas e no ver\u00e3o 300 mm\/m\u00eas).<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_2\/rel_02\/foto_02_9.jpg\" class=\"images-rel\" align=\"left\" alt=\"Casas do norte da Austr\u00e1lia - Estilo \"Queenslander\" \"><\/p>\n<p>As casas no sul, de Sydney at\u00e9 Brisbane, possuem paredes duplas de tijolo ou madeira para isolar termicamente a casa. Em geral possuem no m\u00ednimo tr\u00eas quartos, sala, cozinha e sala de jantar. No norte as casas possuem grandes varandas que s\u00e3o utilizadas para dormir no ver\u00e3o. Quase todas s\u00e3o constru\u00eddas sobre palafitas para aumentar a circula\u00e7\u00e3o de ar e proteger a casa de inunda\u00e7\u00f5es. Os carpetes usados para esquentar as casas inglesas acabaram influenciando as casas de Queensland e muitas possuem carpetes mesmo vivendo em uma regi\u00e3o quente e \u00famida.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_2\/rel_02\/foto_02_10.jpg\" class=\"images-rel\" align=\"left\" alt=\"Perigo! Crocodilos...\"><\/p>\n<p><strong>Abor\u00edgenes<\/strong><br \/>\nInfelizmente n\u00e3o estou passando por nenhuma \u00e1rea oficialmente abor\u00edgene. Quanto mais pedalo para o norte mais encontro abor\u00edgenes. Encontrei uma parcela que j\u00e1 est\u00e1 deturpada pela urbaniza\u00e7\u00e3o e vivem completamente deslocados. Infelizmente quase sempre est\u00e3o b\u00eabados. Acredito que nas reservas poderia encontrar a verdadeira cultura desse povo que imagino ser muito interessante. Em Darwin poderei conhec\u00ea-los melhor.<\/p>\n<p>O Dreamtime (Tempo do Sonho) \u00e9 o sistema abor\u00edgene de leis e cren\u00e7as e se baseia em uma rica mitologia sobre a cria\u00e7\u00e3o da terra.<\/p>\n<p>&#8220;Acredita-se que &#8216;criadores ancestrais&#8217;, entre eles serpentes gigantes, surgiram do n\u00facleo terrestre e percorreram o mundo, criando vales, rios e montanhas&#8230; Cada hist\u00f3ria do Dreamtime est\u00e1 relacionada a uma determinada paisagem. \u00c0 medida que uma paisagem se liga \u00e0 outra, forma-se uma &#8216;trilha&#8217;. As &#8216;trilhas&#8217; s\u00e3o chamadas Songlines e cruzam a Austr\u00e1lia toda. As tribos abor\u00edgenes se comunicam por meio dessas linhas.&#8221;<br \/>\n(Guia Visual da Austr\u00e1lia &#8211; Folha de S\u00e3o Paulo)<\/p>\n<p>Quando os colonizadores chegaram na Austr\u00e1lia, consideraram a regi\u00e3o como Terra Nulis, ou seja, n\u00e3o habitada por seres humanos. Este conceito foi derrubado em 1992 pela suprema corte.<\/p>\n<p>Finalmente cheguei em Cairns, principal cidade do norte de Queensland e muito procurada pelos turistas que querem visitar a barreira de corais. \u00c9 ponto de parada de v\u00e1rios barcos e local onde estou tentando uma carona de veleiro para Darwin ou algum lugar no sudeste asi\u00e1tico.<\/p>\n<p>Tor\u00e7am para que eu consiga um veleiro para Indon\u00e9sia e comece as Rotas da Cia das \u00cdndias Orientais!<\/p>\n<p>Um grande abra\u00e7o,<br \/>\n<strong>Argus <\/strong><\/p>\n<p><strong>Para saber mais<\/strong><br \/>\nLivros<br \/>\nGuia Visual \u2013 Dreamtime Austr\u00e1lia \u2013 Folha de S\u00e3o Paulo<br \/>\nAtlas da Austr\u00e1lia \u2013 Headers Digest<\/p>\n<p>Sites<br \/>\nGreat Barrier Reef Marine Park Authority<br \/>\nhttp:\/\/www.gbrmpa.gov.au\/<br \/>\nSustainable Urban Design and Climate<br \/>\nhttp:\/\/www.bom.gov.au\/climate\/environ\/design\/design.shtml<br \/>\nMARINE REGION 14: SOUTH PACIFIC<br \/>\nhttp:\/\/www.environment.gov.au\/library\/pubs\/mpa\/chap14.html<br \/>\nClean Water<br \/>\nhttp:\/\/www.cais.net\/publish\/stories\/wat.htm<br \/>\nWorld School<br \/>\nhttp:\/\/www.worldschool.com.au\/<br \/>\nOther sources of information<br \/>\nhttp:\/\/www.homeworkcentral.com<br \/>\nVirtual Earthquake<br \/>\nhttp:\/\/www.gtaq.webcentral.com.au\/vearthquake.calstatela.edu\/<br \/>\nVolcano World &#8211; student area<br \/>\nhttp:\/\/volcano.und.nodak.edu\/vwdocs\/kids\/kids.html<br \/>\nFrank Potter&#8217;s Science gems &#8211; earth science<br \/>\nhttp:\/\/www.sci.lib.uci.edu\/SEP\/SEP.html<br \/>\nWhales of Australia<br \/>\nhttp:\/\/www.upstarts.net.au\/sites\/ideas\/whales\/whales.html<br \/>\nAustralian Bureau of Meteorology<br \/>\nhttp:\/\/www.bom.gov.au\/<br \/>\nKobe Web Cameras<br \/>\nhttp:\/\/methuss.cs.kobe-u.ac.jp\/qv10\/<br \/>\nEarthCam<br \/>\nhttp:\/\/earthcam.com\/<br \/>\nBillabong sanctuary<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"nkHWT0cZEO\"><p><a href=\"https:\/\/www.billabongsanctuary.com.au\/\">Home<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;Home&#8221; &#8212; Billabong Sanctuary\" src=\"https:\/\/www.billabongsanctuary.com.au\/embed\/#?secret=GKplmnfSRB#?secret=nkHWT0cZEO\" data-secret=\"nkHWT0cZEO\" width=\"500\" height=\"282\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><br \/>\nRecycle City<br \/>\nhttp:\/\/www.epa.gov\/recyclecity\/<br \/>\nInternational Institute for Energy Conservation<br \/>\nhttp:\/\/www.iiex.org\/<br \/>\nRenewable Resources Network<br \/>\nhttp:\/\/www.inforsk.dk\/<br \/>\nLand consolidation<br \/>\nhttp:\/\/www.geo.tudelft.nl\/pjg\/onderzoek\/toplanco.html<br \/>\nhttp:\/\/www.atsic.gov.au<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>31.JUL.2002 Ola amigos, depois de New Castle fiz uma longa jornada na Austr\u00e1lia. 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