{"id":433,"date":"2009-10-20T19:17:20","date_gmt":"2009-10-20T22:17:20","guid":{"rendered":"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/?page_id=433"},"modified":"2024-03-16T14:20:31","modified_gmt":"2024-03-16T14:20:31","slug":"etapa-2-relatorio-4","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/?page_id=433","title":{"rendered":"Etapa 2 \u2013 Relat\u00f3rio 4"},"content":{"rendered":"<h4>03.SET.2002<\/h4>\n<h3 class=\"tit-rel\">Ola amigos, acabo de passar pela Na\u00e7\u00e3o mais nova do mundo, Timor Leste, que lutou os \u00faltimos 28 anos pela independ\u00eancia e conseguiu alcan\u00e7\u00e1-la agora &#8211; dia 20 de maio de 2002.<\/h3>\n<p>Timor Leste foi, assim como o Brasil, col\u00f4nia de explora\u00e7\u00e3o portuguesa. Em 1975 conseguiu a independ\u00eancia de Portugal e foi invadida pelo pa\u00eds vizinho, Indon\u00e9sia, que manteve seu dom\u00ednio at\u00e9 1999, quando o povo votou pela independ\u00eancia. Ap\u00f3s este plebiscito mil\u00edcias pr\u00f3-Indon\u00e9sia arrasaram o pa\u00eds. Desta data at\u00e9 20 de maio de 2002 a UNTAET (Administra\u00e7\u00e3o Transit\u00f3ria das Na\u00e7\u00f5es Unidas no Timor Leste) governou o pa\u00eds. Hoje o poder est\u00e1 sendo transferido para o atual presidente eleito pelo povo em abril de 2002, Xanana Gusm\u00e3o.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" align=\"right\" class=\"images-rel\" src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_2\/rel_04\/rel_4_09.jpg\" alt=\"\"\/><\/p>\n<p>&#8220;No sil\u00eancio vivemos demasiado tempo, sujeitos \u00e0 obscuridade de uma Indon\u00e9sia dominada pela vontade de esmagar o sonho e o direito \u00e0 nossa liberdade. A luz que pod\u00edamos ver, era apenas a que nossas almas mauberes projectavam para al\u00e9m de cada trag\u00e9dia que atingia cada fam\u00edlia, cada vila ou aldeia desta Na\u00e7\u00e3o. No sil\u00eancio e no escuro tecemos uma liberta\u00e7\u00e3o conquistada a cada instante. O contraste das cores, aberto vezes sem conta no sangue da cada irm\u00e3 ou irm\u00e3o ca\u00eddo, foi ao longo dos anos de luta, refazendo o Timor do Sol Nascente, revelando as feridas imensas, mas ao mesmo tempo as belezas e as grandezas que nem tempo nem dom\u00ednio algum podem apagar.&#8221;<\/p>\n<p>Xanana Gusm\u00e3o \u2013 cita\u00e7\u00e3o no livro Timor Lorosa\u2019e 2001 de Regina Santos<\/p>\n<p>Resumo da Hist\u00f3ria de Timor Leste:<\/p>\n<p>A partir de 1514 os navios portugueses passaram a navegar regularmente pela regi\u00e3o para extrair o s\u00e2ndalo, \u00e1rvore que praticamente s\u00f3 existia em Timor. &#8220;A sua madeira era muito apreciada na India e sobretudo na China, de onde a vinham buscar desde s\u00e9culos atr\u00e1s. Este bem era utilizado nessas regi\u00f5es para v\u00e1rios fins, sobretudo na perfumaria e na medicina&#8230; Em 1642 calculava-se que a quantidade de s\u00e2ndalo que os portugueses obtinham anualmente em Timlor rondava as 400 toneladas&#8230; A import\u00e2ncia deste produto foi declinando ao longo do s\u00e9culo XVIII, sendo actualmente j\u00e1 dif\u00edcil encontrar esta \u00e1rvore.&#8221;*. De Timor a madeira era levada para Malaca, um importante entreposto comercial portugu\u00eas no S\u00e9c. XVI.<\/p>\n<p>&#8220;Ali tamb\u00e9m Timor, que o lenho manda s\u00e2ndalo, salut\u00edfero e cheiroso&#8221;<\/p>\n<p>Lu\u00eds de Cam\u00f5es, Os Lus\u00edadas, X, 134.<\/p>\n<p>A ocupa\u00e7\u00e3o portuguesa foi interrompida pelos japoneses que invadiram a ilha durante a Segunda Guerra Mundial, entre 1942 e 1945. Durante essa ocupa\u00e7\u00e3o a popula\u00e7\u00e3o que vivia em Timor passou de 472 mil habitantes para 403 mil.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial Timor voltou a ser col\u00f4nia portuguesa. Em 1974 a ditadura em Portugal foi derrubada \u2013 Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos &#8211; e o novo governo decidiu n\u00e3o continuar a coloniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Timor, digamos que \u00e9 um transatl\u00e2ntico im\u00f3vel, que nos custa muito dinheiro.&#8221;<\/p>\n<p>Almeida Santos, ministro da Coordena\u00e7\u00e3o Inter-Territorial de Portugal em 1974.<\/p>\n<p>Tudo parecia caminhar para uma independ\u00eancia pac\u00edfica. A vizinha Indon\u00e9sia a princ\u00edpio declarou n\u00e3o ter interesses nas terras timorenses. &#8220;Quem quer que governe em Timor depois da independ\u00eancia, pode estar seguro da amizade da Indon\u00e9sia e da sua coopera\u00e7\u00e3o&#8221; garantiu o ministro dos Neg\u00f3cios Estrangeiros Adam Malik.<\/p>\n<p>No entanto a situa\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o estava tensa. A guerra do Vietn\u00e3 (1959-1975) a pouco tinha acabado e as grandes for\u00e7as capitalistas estavam receosas do alastramento do comunismo no sudeste asi\u00e1tico. Alguns movimentos de extrema esquerda vindos da revolu\u00e7\u00e3o portuguesa influenciaram a FRENTILIN (Frente Revolucion\u00e1ria de Timor-Leste Independente), at\u00e9 ent\u00e3o principal partido do pa\u00eds.<\/p>\n<p>&#8220;Nada disso passa despercebido em Jacarta (capital da Indon\u00e9sia). Afinal, tinha decorrido apenas uma d\u00e9cada desde que o general Suharto comandara o massacre de largas dezenas de milhares de comunistas na Indon\u00e9sia.&#8221;*<\/p>\n<p>Em 1975 a FRENTILIN proclama a independ\u00eancia do pa\u00eds. O secret\u00e1rio de Estado dos EUA Henry Kissinger visita Jacarta e dias depois a Indon\u00e9sia invade Timor Leste. Seguiram-se anos de massacre. Estima-se que 80% da popula\u00e7\u00e3o masculina de Dili tenha sido assassinada. A guerra durou 24 anos.<\/p>\n<p>&#8220;No saldo da guerra entre 1975 e 1979, um censo realizado pelas autoridades indon\u00e9sias revela que a popula\u00e7\u00e3o de Timor-Leste \u00e9 de 653 mil pessoas. Faltam 130 mil em rela\u00e7\u00e3o ao \u00faltimo levantamento efectuado pelos portugueses, em 1974.&#8221;* O uso da l\u00edngua portuguesa \u00e9 proibido e v\u00e1rias mulheres s\u00e3o levadas para programas de controle de natalidade.<\/p>\n<p>A resist\u00eancia n\u00e3o morre. \u00c9 montada a FALINTIL (For\u00e7as Armadas de Liberta\u00e7\u00e3o de Timor Leste) e nela se destacam Xanana Gusm\u00e3o e MaHuno.<\/p>\n<p>&#8220;Era preciso sair das aldeias durante o dia para nos escondermos dos avi\u00f5es que largavam bombas. A terra tremia por causa das bombas, havia barulho todo o tempo e as bombas faziam grandes buracos no ch\u00e3o. Assim, de manh\u00e3, com a alvorada, mud\u00e1vamo-nos para as montanhas, deixando para tr\u00e1s os velhos e os doentes que n\u00e3o podiam correr mais&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>Testemunho ao Australian Senate Inquiry, citado em Timor-A Hist\u00f3ria Oculta de John Taylor<\/p>\n<p>Ocorrem v\u00e1rios conflitos entre a FALINTIL e o governo indon\u00e9sio e os problemas come\u00e7am a chamar a aten\u00e7\u00e3o da ONU (Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas) e da m\u00eddia internacional. Xanana Gusm\u00e3o \u00e9 capturado e fica preso em Jacarta, capital da Indon\u00e9sia. Os EUA mudam de lado e come\u00e7am a defender Timor Leste. A justificativa dessa defesa vem com o interesse de navega\u00e7\u00e3o dos submarinos nucleares americanos nos estreitos de Ombai-Wetter, ao largo de Timor.<\/p>\n<p>Aos poucos a Indon\u00e9sia perde o controle na luta timorense. A internet facilita a comunica\u00e7\u00e3o da rede clandestina da resist\u00eancia que cada dia fica mais organizada. Em 1996 o pr\u00eamio Nobel da Paz vai para dois importantes personagens da resist\u00eancia timorense: Jos\u00e9 Ramos-Horta e D. Ximenes Belo (Bispo Belo). E em 1997 Nelson Mandela visita Xanana na pris\u00e3o e faz um apelo para o Presidente Suharto libert\u00e1-lo.<\/p>\n<p>&#8220;&#8230; apesar da brutal coloniza\u00e7\u00e3o indon\u00e9sia e da repress\u00e3o cultural dos \u00faltimos 21 anos, da proibi\u00e7\u00e3o de uma l\u00edngua e cultura que chegaram \u00e0 nossa regi\u00e3o h\u00e1 cerca de 500 anos, em Timor Leste esta l\u00edngua secular persiste teimosamente&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>Discurso de Jos\u00e9 Ramos Horta na cerim\u00f4nia de entrega do Pr\u00eamio Nobel da Paz, em Oslo, 1996. (Transmitido ao vivo para todo o mundo pela CNN)<\/p>\n<p>Sob press\u00e3o internacional, em 1999 a Indon\u00e9sia aceita uma vota\u00e7\u00e3o para que o povo timorense decida pela independ\u00eancia. A UNAMET (Miss\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas em Timor Leste) chega ao pa\u00eds para organizar a vota\u00e7\u00e3o e evitar conflitos.<\/p>\n<p>A participa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o foi surpreendente, 446 mil timorenses se inscreveram para votar na consulta popular e 98,6% do total de recenseados foram \u00e0s urnas. 78,5% votaram a favor da independ\u00eancia de Timor Leste.<\/p>\n<p>Logo ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es Timor Leste viveu novamente dias de terror.<\/p>\n<p>&#8220;A alegria dos independentistas n\u00e3o tem oportunidade de se transformar em festa \u2013 pelo menos no territ\u00f3rio de Timor-Leste. O an\u00fancio dos resultados era o sinal esperado para as mil\u00edcias, com a colabora\u00e7\u00e3o das TNI e da pol\u00edcia, tendo desencadeado uma onda de viol\u00eancia in\u00e9dita, a fazer lembrar os mais tr\u00e1gicos acontecimentos de 1975.&#8221;*<\/p>\n<p>Antes de abandonarem o pa\u00eds as mil\u00edcias pr\u00f3-Indon\u00e9sia destru\u00edram grande parte da cidade em protesto ao patrim\u00f4nio que estavam deixando em Timor Leste. Foi necess\u00e1rio apenas um m\u00eas, o setembro de 1999, para que Dili fosse completamente destru\u00edda e queimada. A ONU organizou uma nova interven\u00e7\u00e3o no pa\u00eds, a INTERFET (For\u00e7a Internacional para Timor-Leste), que chegou dia 20 do mesmo m\u00eas e encontrou a cidade em ru\u00ednas. Estima-se que setenta por cento das infra-estruturas vitais do pa\u00eds foram arrasadas.<\/p>\n<p>Xanana Gusm\u00e3o \u00e9 libertado e volta para Timor Leste. &#8220;Fui capturado como guerrilheiro e regresso como guerrilheiro&#8221; afirmou.<\/p>\n<p>O pa\u00eds, primeiro do terceiro mil\u00eanio, renasceu nas cinzas sob a administra\u00e7\u00e3o da UNTAET (Administra\u00e7\u00e3o de Transi\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas em Timor Leste). A nova autoridade era o diplomata brasileiro S\u00e9rgio Vieira de Mello que assumiu o complexo desafio de exercer a autoridade sem contrariar o povo timorense que, &#8220;\u00e0 m\u00ednima discord\u00e2ncia, n\u00e3o hesitavam em falar de neocolonialismo por parte da presen\u00e7a das Na\u00e7\u00f5es Unidas.&#8221;*<\/p>\n<p>Em abril de 2002 foram feitas elei\u00e7\u00f5es para decidir o novo presidente. Xanana \u00e9 eleito com 82,7% dos votos. O novo presidente assumiu o poder dia 20 de maio de 2002 e aos poucos a UNTAET est\u00e1 transferindo os postos de administra\u00e7\u00e3o para os timorenses.<\/p>\n<p>&#8220;&#8230;combater todas as formas de tirania, opress\u00e3o, domina\u00e7\u00e3o e segrega\u00e7\u00e3o social, cultural ou religiosa, defender a independ\u00eancia nacional, respeitar e garantir os direitos humanos e os direitos fundamentais do cidad\u00e3o&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>Trecho da Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica de Timor Leste, 2002<\/p>\n<p>Timor Loro Sa\u2019e, terra do sol nascente, \u00e9 a mais nova Na\u00e7\u00e3o do mundo e come\u00e7a agora uma etapa de muito trabalho para reconstruir tudo que foi destru\u00eddos durante os tempos de guerrra.<\/p>\n<p>O pa\u00eds vive at\u00e9 hoje uma economia de fantasia. A moeda \u00e9 o d\u00f3lar americano e os pre\u00e7os s\u00e3o tr\u00eas vezes maiores que na Indon\u00e9sia. A atual economia e estrutura, principalmente de Dili, vivem na sombra dos funcion\u00e1rios da ONU e das ONGs que est\u00e3o no pa\u00eds desde 1999.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" align=\"left\" class=\"images-rel\" src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_2\/rel_04\/rel_4_07.jpg\" alt=\"Protesto contra os \"internacionais\" em frente ao Edif\u00edcio do Governo\"\/><\/p>\n<p>A cidade ainda vive um clima de rebeli\u00f5es. Agora com uma viol\u00eancia muito menor e com reivindica\u00e7\u00f5es mais amenas. Um dos protestos que presenciei foi um pouco tragi-c\u00f4mico. Dezenas de presos fugiram da cadeia para se rebelarem em frente ao pal\u00e1cio do governo e depois voltaram para a pris\u00e3o. A sociedade tem uma estrutura tribal e \u00e9 bastante comum as rebeli\u00f5es e brigas se transformarem em pedradas, catanadas ou inc\u00eandio. Alguns timorenses, principalmente ex-membros da resist\u00eancia desocupados, protestam contra os &#8220;internacionais&#8221; alegando que est\u00e3o perdendo postos de trabalho.<\/p>\n<p>Tive sorte e cheguei em Dili no dia 20 de agosto, exatamente na data de comemora\u00e7\u00e3o de anivers\u00e1rio de 28 anos da FALINTIL. Os guerreiros das montanhas desceram para a capital para comemorarem pacificamente.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" align=\"right\" class=\"images-rel\" src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_2\/rel_04\/rel_4_01.jpg\" alt=\"\"\/><br \/>\n<img decoding=\"async\" align=\"right\" class=\"images-rel\" src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_2\/rel_04\/rel_4_08.jpg\" alt=\"FALINTIL \u2013 Guerreiros que lutaram pela independ\u00eancia de Timor Leste\"\/><\/p>\n<p>A proibi\u00e7\u00e3o da l\u00edngua portuguesa durante a ocupa\u00e7\u00e3o indon\u00e9sia fez com que a l\u00edngua representasse um orgulho nacionalista. Tive oportunidade de fazer algumas palestras e os alunos sempre ficavam curiosos sobre as l\u00ednguas faladas no Brasil. O portugu\u00eas e o t\u00e9tum s\u00e3o as l\u00ednguas oficiais no Timor Leste e o ingl\u00eas e o indon\u00e9sio as l\u00ednguas de trabalho. Al\u00e9m destas o pa\u00eds possui dezenas de dialetos que s\u00e3o falados nos Sucos (aldeias). Nas ruas o portugu\u00eas falado \u00e9 muito simplificado. N\u00e3o existe conjuga\u00e7\u00e3o verbal e o vocabul\u00e1rio \u00e9 muito reduzido.<\/p>\n<p>Fiz duas palestras em portugu\u00eas junto ao programa Brasil \u2013 Timor Leste (Projeto Teleduca\u00e7\u00e3o) patrocinado pelo Governo Brasileiro, Governo Timorense, ABC e Funda\u00e7\u00e3o Roberto Marinho. Para isso contei com a ajuda imprescind\u00edvel de dois brasileiros: a mineira Mariangela Guerra e Francisco Osler. Obrigado pelo apoio e parab\u00e9ns pelo trabalho!<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" align=\"right\" class=\"images-rel\" src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_2\/rel_04\/rel_5_01.jpg\" alt=\"Desenho de aluno timorense - Casa t\u00edpica do Timor Leste\"\/><\/p>\n<p>&#8220;A Nossa Independ\u00eancia.<\/p>\n<p>A nossas independ\u00eancia foi no dia 20 de maio de 2002, n\u00f3s comemoramos a nossas independ\u00eancia em Tasitolu. Foram 180 Na\u00e7\u00f5es \u00e9 que participaram a nossa independ\u00eancia. Muitas popula\u00e7\u00f5es em Tasitolu, e depois de comemorarmos a nossa dia da independ\u00eancia, os membros do Parlamento Nacional. Eles fizeram o funcionamento do governo de Timor Leste.<\/p>\n<p>Agora Timor Leste j\u00e1 \u00e9 uma Na\u00e7\u00e3o desenvolvida&#8221;<\/p>\n<p>Texto de aluno timorense<\/p>\n<p>Muitos acreditaram que a independ\u00eancia tiraria o pa\u00eds da mis\u00e9ria e resolveria todos os seus problemas e a situa\u00e7\u00e3o atual \u00e9 de um pa\u00eds devastado e com uma perspectiva de reconstru\u00e7\u00e3o lenta. A m\u00e3o de obra especializada \u00e9 tamb\u00e9m outro problema. Existem apenas mil licenciados no pa\u00eds. Um estudo oficial indica que dois ter\u00e7os dos adultos pobres n\u00e3o possuem qualquer escolariza\u00e7\u00e3o e 49% s\u00e3o analfabetos. Para a reconstru\u00e7\u00e3o do pa\u00eds a ajuda internacional est\u00e1 sendo fundamental. Os projetos arquitet\u00f4nicos das novas escolas est\u00e3o sendo feitos por uma equipe portuguesa atrav\u00e9s de acordos de coopera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;duas em cada cinco pessoas vivem com menos de 0,55 US$ por dia e 41% da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 considerada pobre&#8230; um PIB per capita de 400 US$ e uma esperan\u00e7a de vida de pouco mais de 50 anos, o pa\u00eds encontra-se no patamar do Congo e da Eritr\u00e9ia.&#8221;*<\/p>\n<p>Embora a agricultura seja a atividade principal em quase todo pa\u00eds, 40% da popula\u00e7\u00e3o enfrenta car\u00eancia alimentar. &#8220;&#8230;se a agricultura n\u00e3o evoluir de um conceito de subsist\u00eancia para uma l\u00f3gica de mercado, associada a pr\u00e1ticas modernas, n\u00e3o haver\u00e1 progressos na luta contra a pobreza, na educa\u00e7\u00e3o e na sa\u00fade&#8230; se a qualidade do caf\u00e9 n\u00e3o melhorar, perde-se uma ocasi\u00e3o de ouro de tirar partido da maior cultura do pa\u00eds, que \u00e9 tamb\u00e9m a principal fonte de riqueza, o seu primeiro produto de exporta\u00e7\u00e3o e o modo de vida de 40 mil fam\u00edlias.&#8221;*<\/p>\n<p>Aqui comem de tudo! Desde o tradicional arroz at\u00e9 cachorro. Se voc\u00ea atropela qualquer animal na estrada tem de pagar uma multa pelo &#8220;alimento perdido&#8221;. Atropelar um cachorro tem multa entre 15 e 20 d\u00f3lares. Em geral os animais aqui s\u00e3o muito maltratados. Ainda existem muitas brigas de galo. Quase toda casa tem um galo que fica amarrado pela perna. Galinhas s\u00e3o transportadas vivas, de cabe\u00e7a para baixo, amarradas nas motos e cachorros s\u00e3o transportados totalmente amorda\u00e7ados.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" align=\"left\" class=\"images-rel\" src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_2\/rel_04\/rel_4_06.jpg\" alt=\"Escombros de um pr\u00e9dio destru\u00eddo pelas mil\u00edcias pr\u00f3-Indon\u00e9sia\"\/><\/p>\n<p>Muito pouco foi feito at\u00e9 ent\u00e3o para reabilitar a infra-estrutura do pa\u00eds. A energia cai constantemente e ainda prov\u00e9m de geradores diesel improvisados. Os orelh\u00f5es est\u00e3o todos quebrados. Para telefonar \u00e9 preciso usar celular da austr\u00e1lia que est\u00e1 funcionando provisoriamente no Timor. A \u00e1gua que j\u00e1 era problema antes da destrui\u00e7\u00e3o est\u00e1 ainda pior. Todo esgoto est\u00e1 a c\u00e9u aberto e a \u00e1gua encanada n\u00e3o \u00e9 confi\u00e1vel.<\/p>\n<p>Para se reerguer, o pa\u00eds conta com o ouro e reservas de petr\u00f3leo e g\u00e1s natural ao largo de suas costas que s\u00e3o hoje uma quest\u00e3o diplom\u00e1tica complicada entre Austr\u00e1lia e Timor Leste.<\/p>\n<p>O poder \u00e9 dividido entre o presidente Xanana Gusm\u00e3o, os chefes dos Sucos e a igreja cat\u00f3lica que \u00e9 a religi\u00e3o de 97% da popula\u00e7\u00e3o (reflexo da coloniza\u00e7\u00e3o portuguesa).<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" align=\"right\" class=\"images-rel\" src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_2\/rel_04\/rel_4_02.jpg\" alt=\"Casa das aldeias perto de Dili\"\/><\/p>\n<p>A cidade possui apenas casas e pr\u00e9dios baixos. Muitas das constru\u00e7\u00f5es usadas pela ONU e governo est\u00e3o cercadas por barricadas de arames farpados. Pedalando um pouco para a periferia j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel encontrar bairros que mais parecem aldeias ind\u00edgenas, que ficam na base das montanhas que cercam Dili.<\/p>\n<p>Da Austr\u00e1lia soube que o amigo brasileiro Caco estava trabalhando na ONU no Timor e, antes de voar para Dili, recebi uma encomenda: &#8220;- Argus, por favor me traga um saco de leite em p\u00f3 da Austr\u00e1lia!&#8221; Antes de chegar em Timor j\u00e1 imaginei o caos que deveria estar uma cidade onde falta leite em p\u00f3! Um dos poucos supermercados \u00e9 o &#8220;Hello, Mister&#8221; que abastece a popula\u00e7\u00e3o local e as centenas de trabalhadores internacionais da ONU, chamados de &#8220;misters&#8221; pelos timorenses.<\/p>\n<p>O tr\u00e2nsito \u00e9 literalmente sem lei. O policiamento \u00e9 feito pelos &#8220;boinas azuis&#8221;, pol\u00edcias internacionais, e est\u00e1 sendo transferido para a pol\u00edcia local que ainda n\u00e3o \u00e9 suficiente. N\u00e3o existem sinais de tr\u00e2nsito e controle de carteiras de motoristas. Os carros bons s\u00e3o geralmente da ONU ou do governo, os carros e motos da popula\u00e7\u00e3o est\u00e3o caindo aos peda\u00e7os. Os postos de abastecimento s\u00e3o tendas improvisadas na beira da rua com gal\u00f5es de pl\u00e1stico com gasolina. De noite as ruas ficam escuras pois os postes de luz foram destru\u00eddos. Poucas ruas possuem nomes, os im\u00f3veis n\u00e3o possuem numera\u00e7\u00e3o e o correio funciona apenas com caixas postais. Apesar de tantos problemas a criminalidade \u00e9 baixa.<\/p>\n<p>O povo timorense \u00e9 extremamente amig\u00e1vel e adora brasileiros. S\u00e3o bons de bola e apaixonados pelo futebol do Brasil. Aqui \u00e9 comum os homens pintarem as unhas e andarem de m\u00e3os dadas nas ruas. Diferente do que ocorreu no Brasil aqui existiu muita pouca miscigena\u00e7\u00e3o entre portugueses e o povo local. A fam\u00edlia tem um costume de enterrar os parentes pr\u00f3ximos no quintal da casa e, quando mudam, desenterram o falecido e levam o caix\u00e3o junto com a bagagem para enterrarem no quintal da casa nova. De alguma forma o morto segue vivo e possui moradia &#8220;- Meu pai est\u00e1 morto em Bali&#8221; me falou um timorense.<\/p>\n<p>O pa\u00eds tem 24.300 km2 e situa-se no Arquip\u00e9lago das Pequenas Ilhas Sonda e tem clima tropical \u00famido e mais de 90% da precipita\u00e7\u00e3o anual ocorre na \u00e9poca das chuvas entre novembro e maio. Agora praticamente n\u00e3o chove e o calor \u00e9 grande. Toda ilha \u00e9 muito montanhosa e sua forma\u00e7\u00e3o \u00e9 geologicamente recente. O ponto mais alto de Timor Leste \u00e9 o Monte Remelau com 2960 metros. A ilha \u00e9 banhada pelo Oceano \u00cdndico (Mar de Timor) ao sul e pelo Oceano Pac\u00edfico (Mar de Banda) ao norte.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" align=\"left\" class=\"images-rel\" src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_2\/rel_04\/rel_4_03.jpg\" alt=\"Crian\u00e7as na praia de Dili\"\/><\/p>\n<p>Timor Lorosa\u2019e \u00e9 um exemplo de resist\u00eancia e esperan\u00e7a. Fiquei contente de ter visitado este novo pa\u00eds num momento t\u00e3o importante para sua hist\u00f3ria. Um pequeno pa\u00eds cuja grandeza do ideal chocou todo o mundo. Infelizmente as conquistas custaram muitas vidas. Mais uma vez n\u00f3s humanos fomos incapazes de resolver nossas quest\u00f5es diplomaticamente e tivemos de regredir para a guerra usando o m\u00e9todo mais primitivo de negocia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>De Dili segui para Bali. Atravessei a fronteira para a Indon\u00e9sia pedalando e depois peguei um carro at\u00e9 Kupang para atravessar as montanhas do centro da ilha. De Kupang peguei um barco para Kuta, em Bali.<\/p>\n<p>O caminho pelo litoral possui v\u00e1rias praias paradis\u00edacas. De tempos em tempos encontrei aldeias de pescadores com muitas crian\u00e7as que sempre cumprimentavam e queriam tirar fotos. Na fronteira dormi no acampamento da For\u00e7a de Paz do Ex\u00e9rcito Brasileiro, onde ganhei um kit de primeiros socorros e algumas ra\u00e7\u00f5es que o ex\u00e9rcito usa em emerg\u00eancias.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" align=\"right\" class=\"images-rel\" src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_2\/rel_04\/rel_4_04.jpg\" alt=\"For\u00e7a de Paz do Ex\u00e9rcito Brasileiro no Timor Leste\"\/><\/p>\n<p>No lado indon\u00e9sio a l\u00edngua se transformou numa grande confus\u00e3o. N\u00e3o entendo nada de indon\u00e9sio e quase ningu\u00e9m fala ingl\u00eas. O neg\u00f3cio est\u00e1 sendo apelar para m\u00edmicas.<\/p>\n<p>Agora estou em Bali mas deixarei para falar sobre a Indon\u00e9sia no pr\u00f3ximo cap\u00edtulo.<\/p>\n<p>At\u00e9 a pr\u00f3xima,<br \/>\n<strong>Argus <\/strong><\/p>\n<p>* Revista VISAO \u2013 Edi\u00e7\u00e3o comemorativa da Independ\u00eancia. Suplemento Especial. Timor o nascimento de uma Na\u00e7\u00e3o. maio de 2002 (www.visaoonline.pt)<\/p>\n<p><strong>Para saber mais<\/strong><br \/>\nwww.gov.east-timor.org<br \/>\nSite da ONU (Organizacao das Nacoes Unidas)<br \/>\nwww.un.org<\/p>\n<p>Meio ambiente<br \/>\nAcompanhem as not\u00edcias da C\u00fapula Mundial de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel, Rio+10, que est\u00e1 acontecendo agora em Joanesburgo (26 de agosto a 04 de setembro).<br \/>\nwww.un.org\/rio+10\/<br \/>\nwww.rio-plus-10.org<br \/>\nwww.riomaisdez.org.br<\/p>\n<p>Livros<br \/>\nDUNN, James. A People Betrayed<br \/>\nSANTOS, Regina. Timor Lorosa\u2019e. 2001<br \/>\nTAYLOR, John. Timor-A Hist\u00f3ria Oculta<br \/>\nTHOMAZ, Lu\u00eds Felipe. Timor-Aut\u00f3psia de uma Trag\u00e9dia<br \/>\nUNTAET. Timor Lorosa\u2019e \u2013 Photographs and Anecdotes from East Timor 1999-2000<br \/>\nUNTAET. Photos Timor \u2013 Stories From a New Nation. Maio 2002<br \/>\nUNTAET. Viva Timor-Leste!. Maio 2002<br \/>\nVELADAS, Ant\u00f3nio. Timor Terra Sentida. 2001<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>03.SET.2002 Ola amigos, acabo de passar pela Na\u00e7\u00e3o mais nova do mundo, Timor Leste, que lutou os \u00faltimos 28 anos pela independ\u00eancia e conseguiu alcan\u00e7\u00e1-la agora &#8211; dia 20 de maio de 2002. Timor Leste foi, assim como o Brasil, col\u00f4nia de explora\u00e7\u00e3o portuguesa. Em 1975 conseguiu a independ\u00eancia de Portugal e foi invadida pelo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":348,"menu_order":30,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-433","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/433","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=433"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/433\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1790,"href":"https:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/433\/revisions\/1790"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/348"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=433"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}