{"id":437,"date":"2009-10-20T19:20:52","date_gmt":"2009-10-20T22:20:52","guid":{"rendered":"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/?page_id=437"},"modified":"2024-03-16T14:20:31","modified_gmt":"2024-03-16T14:20:31","slug":"etapa-2-relatorio-6","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/?page_id=437","title":{"rendered":"Etapa 2 \u2013 Relat\u00f3rio 6"},"content":{"rendered":"<h4>15.OUT.2002<\/h4>\n<h3 class=\"tit-rel\">Ola amigos, acabei de atravessar a ilha de Java na Indon\u00e9sia. Depois de visitar o templo de Borubudur em Yogiakarta atravessei as montanhas no meio da ilha, cheguei na capital Jacarta e peguei um navio para Mal\u00e1sia. Toda a ilha possui uma caracter\u00edstica comum: \u00e9 extremamente povoada. N\u00e3o encontrei nenhum lugar inabitado. Existem poucos pr\u00e9dios e as casas est\u00e3o distribu\u00eddas por todos os lugares. As \u00e1reas onde n\u00e3o existem casas s\u00e3o na maioria utilizadas para planta\u00e7\u00f5es de arroz.<\/h3>\n<p><img decoding=\"async\" align=\"left\"  src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_2\/rel_06\/rel_6_01.jpg\" class=\"images-rel\" alt=\"Trabalho nas planta\u00e7\u00f5es de arroz\" \/><\/p>\n<p>Quase n\u00e3o existe cria\u00e7\u00e3o de gado. As carnes consumidas s\u00e3o principalmente de frango e peixe. S\u00e3o servidas nos restaurantes tradicionais &#8211; tendas na beira da rua com fog\u00f5es improvisados e mesas na cal\u00e7ada. Estes restaurantes cumprem o papel social das pra\u00e7as que praticamente n\u00e3o existem. Fui em v\u00e1rios deles, sempre obedecendo a tradi\u00e7\u00e3o de comer com a m\u00e3o, lembrando de usar sempre a m\u00e3o direita pois a esquerda \u00e9 falta de respeito (ela \u00e9 usada para substituir o papel higi\u00eanico!). V\u00e1rias comidas s\u00e3o cozidas embrulhadas em folha de bananeira. Para comer basta desembrulhar e comer diretamente na folha. Tudo com muito arroz e pimenta.<\/p>\n<p>Em Yogiakarta visitei o Templo de Borubudur, um dos maiores e mais antigos templos budistas da \u00c1sia. Ele foi todo constru\u00eddo com pedras vulc\u00e2nicas, fica no alto de um morro e no meio de um vale com uma vis\u00e3o fant\u00e1stica. A subida para o topo do templo passa por v\u00e1rios patamares que possuem centenas de pequenas esculturas minuciosamente detalhadas. O \u00faltimo patamar \u00e9 circular e tem vista para as montanhas que cercam o vale. No topo est\u00e3o v\u00e1rias constru\u00e7\u00f5es de pedra em forma de sinos com esculturas budistas dentro. Hoje o templo \u00e9 o principal ponto tur\u00edstico de toda a ilha de Java. Al\u00e9m dos templos, Yogiakarta possui tamb\u00e9m o pal\u00e1cio de Kraton, muitas artes e artistas, o que d\u00e1 um ar especial para a cidade.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" align=\"right\"  src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_2\/rel_06\/rel_6_02.jpg\" class=\"images-rel\" alt=\"Templo de Borubudur\" \/><\/p>\n<p>Na estrada a loucura no tr\u00e2nsito seguiu igual. Entre Yogiakarta e Jakarta eu tentei desviar da estrada principal passando pelas montanhas mas mesmo assim n\u00e3o tive sossego. Os \u00f4nibus quase me enlouqueceram. N\u00e3o existe ponto de parada e eles freiam em todos lugares o tempo todo. Cortam as bicicletas sem nenhum remorso e \u00e9 preciso ter cuidado dobrado para n\u00e3o atropelar os cobradores que sempre saltam da porta para chamarem os clientes na cal\u00e7ada. Nunca se sabe se ser\u00e1 poss\u00edvel ultrapassar ou n\u00e3o pois eles nunca param de verdade. Os passageiros sobem e descem com o carro em movimento. V\u00e1rios \u00f4nibus eram velhos e jogavam fuma\u00e7a preta na minha cara quando aceleravam. N\u00e3o adiantava fazer nada. O melhor era ter paci\u00eancia e ficar dando &#8220;thauzinho&#8221; para os passageiros que ficava sempre sorrindo.<\/p>\n<p>De Yogiakarta passei por Kebumen, Jatilawang, Ciamis e cheguei em Bandung, no alto do morro, a quarta maior cidade da Indon\u00e9sia. \u00c9 uma regi\u00e3o com ind\u00fastrias t\u00eaxteis, de telecomunica\u00e7\u00e3o, ch\u00e1 e processamento de alimentos. Na descida para Jakarta passei por Purwakarta e assisti aos desfiles do &#8220;carnaval indon\u00e9sio&#8221;.<br \/>\nO &#8220;carnaval&#8221; daqui \u00e9 um desfile comportado mostrando as roupas e m\u00fasicas t\u00edpicas locais.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" align=\"left\"  src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_2\/rel_06\/rel_6_03.jpg\" class=\"images-rel\" alt=\"Carnaval indon\u00e9sio\" \/><\/p>\n<p>O pa\u00eds \u00e9 muito seguro e h\u00e1 tempos n\u00e3o escuto sirenes e confus\u00f5es nas ruas. O indon\u00e9sio \u00e9 muito amig\u00e1vel e sorri o tempo todo. Eles possuem alguns costumes interessantes. Tomam banho de balde &#8211; os banheiros possuem sempre um compartimento para armazenar a \u00e1gua e um baldinho do lado. Em v\u00e1rios lugares s\u00f3 se pode entrar descal\u00e7o. Isso independe do tipo de lugar que pode ser um hotel, um templo, uma casa ou at\u00e9 mesmo um cyber caf\u00e9.<\/p>\n<p>A coloniza\u00e7\u00e3o Holandesa deixou poucas marcas no pa\u00eds. N\u00e3o vi nenhuma express\u00e3o cultural holandesa. N\u00e3o teve miscigena\u00e7\u00e3o e, com exce\u00e7\u00e3o de Surabaya, Bandung e Jacarta, quase n\u00e3o vi arquitetura com tra\u00e7os europeus.<\/p>\n<p>Existem mesquitas (templos mu\u00e7ulmanos) em toda a ilha. De hora em hora seus alto-falantes chamam os fi\u00e9is para orar. O som parece um choro, uma m\u00fasica profunda que toma conta de todo o ambiente. At\u00e9 mesmo para n\u00e3o mu\u00e7ulmanos o momento se torna sagrado e parece que todas pessoas se transformam em respeito<br \/>\n\u00e0 Al\u00e1.<\/p>\n<p>A paisagem da estrada foi mudando aos poucos at\u00e9 chegar em Jakarta (ex Bat\u00e1via), quando as pequenas casas deram lugar para um emaranhado de pr\u00e9dios e imensas avenidas suspensas. A capital da Indon\u00e9sia \u00e9 uma das maiores e mais polu\u00eddas cidades do mundo. Foi outro importante porto da Cia Holandesa das \u00cdndias Orientais e hoje \u00e9 mais uma das problem\u00e1ticas megacidades.<\/p>\n<p>Nos anos 50 apenas Nova York era uma megacidade (como s\u00e3o chamadas as cidades com mais de 10 milh\u00f5es de habitantes) e hoje h\u00e1 mais de 20 delas espalhadas pelo mundo. Todas possuem s\u00e9rios problemas de sustentabilidade, principalmente com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00e1gua. Em Jakarta o esgoto n\u00e3o \u00e9 encanado, ele corre em valas abertas paralelas \u00e0s cal\u00e7adas. Em alguns casos o esgoto se parece com um rio e \u00e9 utilizado para tudo &#8211; lavar roupa, nadar e at\u00e9 pescar. Em alguns lugares existem blocos de concreto para tampar as valas mas sempre existe um bloco quebrado ou alguma fresta que serve de porta para os ratos e baratas que infestam toda a cidade.<\/p>\n<p>Na capital fiz uma palestra no Semin\u00e1rio Internacional da Cultura que coincidentemente estava ocorrendo na mesma data. Logo quando cheguei passei um pouco mal com a comida. No dia seguinte fiz a palestra e sa\u00ed correndo para o hotel. Fiquei de cama dois dias at\u00e9 me curar e depois fui visitar a imensa cidade.<\/p>\n<p>Muitos pr\u00e9dios seguem o estilo arquitet\u00f4nico da vizinha rica Singapura. Imensas torres envidra\u00e7adas com o ar condicionado ligado todo o tempo para aliviar o terr\u00edvel calor da rua. Os mais luxuosos s\u00e3o em geral hot\u00e9is, bancos ou empresas de petr\u00f3leo.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" align=\"right\"  src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_2\/rel_06\/rel_6_04.jpg\" class=\"images-rel\" alt=\"Jacarta - capital da Indon\u00e9sia\" \/><\/p>\n<p>De toda a ilha foi somente na Embaixada do Brasil que encontrei brasileiros. A pequena comunidade verde e amarela estava naquela semana organizando um bazar beneficente que orgulhosamente coloca o Brasil na lista dos cinco pa\u00edses que mais arrecadam fundos para as institui\u00e7\u00f5es de caridade da Indon\u00e9sia. Parab\u00e9ns para os conterr\u00e2neos!<\/p>\n<p>A viagem de bicicleta tem me ensinado v\u00e1rios macetes curiosos. Depois de mais de cinquenta furos de pneu comprei na Austr\u00e1lia uma faixa de kevlar que coloquei entre o pneu e a c\u00e2mara e nunca mais tive um furo. Este m\u00eas aprendi o que foi at\u00e9 ent\u00e3o meu melhor rem\u00e9dio para dor de barriga: carv\u00e3o ativado em pastilhas. Achei a id\u00e9ia interessante e resolvi experimentar. Natural e sem nenhuma contra-indica\u00e7\u00e3o o carv\u00e3o ativado funciona como um filtro e absorve as sujeiras internas. Faz sentido e funciona. Desde o Mato Grosso do Sul carrego um pequeno carimbo de bolso que substituiu o cart\u00e3o pessoal &#8211; tem meu nome e o endere\u00e7o do site. \u00c9 muito pr\u00e1tico! Nunca mais precisei imprimir cart\u00f5es. Outro macete foi com os m\u00e9todos para me enxugar. Comecei a viagem utilizando uma toalha de silicone. A id\u00e9ia \u00e9 boa pois ela n\u00e3o precisa secar &#8211; voc\u00ea pode guard\u00e1-la num pequena embalagem de pl\u00e1stico logo ap\u00f3s o uso. Mas n\u00e3o enxuga direito e fica fedendo depois de algumas semanas. Ent\u00e3o mudei para a fralda &#8211; dessas para bunda de nen\u00e9m. A id\u00e9ia \u00e9 boa tamb\u00e9m &#8211; leve, pequena e seca r\u00e1pido. Mas fica encardida e n\u00e3o enxuga direito. Diante de tantas tentativas complicadas para algo t\u00e3o simples resolvi ir num supermercado e comprar uma toalha normal. Finalmente encontrei a melhor solu\u00e7\u00e3o para me enxugar.<\/p>\n<p>A crise do d\u00f3lar no Brasil me pegou em cheio. Tive de reduzir ainda mais o or\u00e7amento que j\u00e1 estava curto. Sigo buscando mais apoios para o projeto. A recess\u00e3o econ\u00f4mica me fez tomar duas dif\u00edceis decis\u00f5es. A primeira foi abandonar Singapura, o porto mais importante da Rota da Cia das \u00cdndias Orientais que \u00e9 hoje um dos lugares mais caros do sudeste asi\u00e1tico. A outra decis\u00e3o foi de ir na &#8220;quinta classe&#8221; do navio para Mal\u00e1sia.<\/p>\n<p>O navio foi um suspense. Na ag\u00eancia de viagens todos me falavam para ir de avi\u00e3o. O pre\u00e7o era igual ao da primeira classe no navio e seria apenas uma hora de v\u00f4o ao inv\u00e9s das cinquenta horas no mar. Mas logo expliquei que dinheiro e pressa s\u00e3o as duas coisas que menos tenho no momento e me venderam a tal passagem. Me explicaram v\u00e1rias vezes que eu n\u00e3o teria direito a uma cadeira &#8211; era apenas um ch\u00e3o onde todo mundo dorme.<\/p>\n<p>Entrei uma hora adiantado no navio para conseguir um bom lugar no &#8220;ch\u00e3o&#8221; e descobri que todos os 953 passageiros da &#8220;quinta classe&#8221; j\u00e1 estavam acomodados. O ch\u00e3o dos dois andares superiores j\u00e1 estavam ocupados e s\u00f3 me sobrou o terceiro andar subterr\u00e2neo (ou subaqu\u00e1tico) para estender meu saco de dormir. Me arrumei em um canto e despenquei de sono nas primeiras cinco horas da viagem.<\/p>\n<p>Quando acordei me dei conta do local. N\u00e3o existia nenhuma ventila\u00e7\u00e3o. Milhares de baratas e todos comendo e jogando os restos de comida no &#8220;nosso lar&#8221;. De vez em quando se escutava uns escarros que eram lan\u00e7ados entre uma cama e outra. Urgh. Percebi ent\u00e3o que ali n\u00e3o era um bom local para passar as pr\u00f3ximas quarenta e tantas horas e resolvi procurar alguma solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Fui tentando conversar com os tripulantes at\u00e9 encontrar um que falava mais ou menos um ingl\u00eas. Depois de algumas horas caminhando pelo navio cheguei finalmente na cabina de comando. Fiquei impressionado com o tratamento que me deram. O navio tinha poucos turistas e acho que eles nunca tinham visto um brasileiro. Ficaram na maior alegria. Futebol, samba, papo vem, papo vai e logo o comandante me arrumou um lugar com ar condicionado e trocou meu carn\u00ea de alimenta\u00e7\u00e3o por um de primeira classe. Que maravilha! Foram dois dias comendo do bom e do melhor e dormindo confort\u00e1vel e tranquilamente.<\/p>\n<p>O navio \u00e9 um pouco entediante e com o &#8220;passe livre&#8221; eu sempre fazia umas caminhadas para conhecer as habita\u00e7\u00f5es. O navio \u00e9 incrivelmente grande. No total \u00e9ramos 1230 pessoas em seis andares. De vez em quando ia visitar os companheiros no &#8220;por\u00e3o&#8221; e aproveitava para conferir a bicicleta que tinha ficado por l\u00e1.<\/p>\n<p>A viagem foi numa quinta e sexta-feira. A sexta-feira \u00e9 especial para o mu\u00e7ulmano e todos rezam com mais frequ\u00eancia. No \u00faltimo andar do navio tem uma mesquita de uns 80m2 onde os mu\u00e7ulmanos se revezavam para rezar. \u00c9 costume rezarem com o corpo voltado para a cidade de Meca. Para caberem mais pessoas no templo, o navio mudava a rota para ficar ortogonal \u00e0 dire\u00e7\u00e3o da reza.<\/p>\n<p>Na viagem atravessamos a Linha do Equador e fiz a marinheira oferenda para Netuno. Navegamos mais um pouco e chegamos em Kijang, uma ilha indon\u00e9sia perto de Singapura, regi\u00e3o que foi utilizada de ref\u00fagio para os vietnamitas durante a Guerra do Vietn\u00e3. De Kijang pedalei at\u00e9 o outro porto onde peguei um ferry para Johor Baharu, na Mal\u00e1sia. O ferry passou pelo Estreito de Singapura e pude ter uma no\u00e7\u00e3o da pot\u00eancia econ\u00f4mica de Singapura apenas com o congestionamento de cargueiros em torno da ilha.<\/p>\n<p>Esta \u00faltima etapa foi at\u00e9 ent\u00e3o a mais &#8220;pedalada&#8221; de todas. Percorri de bicicleta mais de 1500 km em um m\u00eas. Agora estou na Mal\u00e1sia. Um pa\u00eds fant\u00e1stico &#8211; desenvolvido e cheio de hist\u00f3rias interessantes.<\/p>\n<p>Um grande abra\u00e7o,<br \/>\n<strong>Argus<\/strong><br \/>\nObrigado Embaixada do Brasil na Indon\u00e9sia pela organiza\u00e7\u00e3o da palestra e divulga\u00e7\u00e3o do projeto em Jakarta.<\/p>\n<p>Errata: No \u00faltimo relat\u00f3rio escrevi &#8220;os t\u00e1xi-bicicletas&#8221; e o correto seria escrever &#8220;os t\u00e1xis-bicicletas&#8221;. Obrigado professora Edna dos Santos l\u00e1 do Maranh\u00e3o que est\u00e1 atenta no texto e ajudando o projeto!<\/p>\n<p><strong>Para saber mais<\/strong><br \/>\nwww.geocities.com\/bali_info_4u<br \/>\nwww.budar.go.id<br \/>\nwww.nafed.go.id<br \/>\nwww.prica.org\/indonesia\/general\/history.html<br \/>\nwww.countryreports.org\/history\/indonhist.htm<br \/>\ncoombs.anu.edu.au\/WWWVLPages\/IndonPages\/Culture.html<br \/>\nwww.heiferindonesia.org\/program\/history.htm<br \/>\nwww.nationbynation.com\/Indonesia\/History1.html<br \/>\nnews.bbc.co.uk\/1\/hi\/world\/americas\/1461859.stm<br \/>\nwww.asianinfo.org\/asianinfo\/indonesia\/pro-history.htm<br \/>\nwww.photius.com\/wfb\/wfb1999\/indonesia\/ indonesia_geography.html<br \/>\nwww.thejakartapost.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>15.OUT.2002 Ola amigos, acabei de atravessar a ilha de Java na Indon\u00e9sia. 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