{"id":446,"date":"2009-10-21T10:11:56","date_gmt":"2009-10-21T13:11:56","guid":{"rendered":"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/?page_id=446"},"modified":"2024-03-16T14:20:31","modified_gmt":"2024-03-16T14:20:31","slug":"etapa-2-relatorio-8","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/?page_id=446","title":{"rendered":"Etapa 2 \u2013 Relat\u00f3rio 8"},"content":{"rendered":"<h4>23.NOV.2002<\/h4>\n<h3 class=\"tit-rel\">Ola amigos, neste m\u00eas completei 10 mil quil\u00f4metros pedalados. Como passa r\u00e1pido! J\u00e1 se foi um ter\u00e7o da volta ao mundo&#8230; Visitei a ilha de Penang na Mal\u00e1sia que tamb\u00e9m fez parte da Cia das \u00cdndias Orientais e fui para Tail\u00e2ndia. Decidi trocar minha rota de praias no sul do pa\u00eds pelas montanhas do norte e agora estou pedalando perto da fronteira com Mianmar e Laos.<\/h3>\n<p>De Taiping, na Mal\u00e1sia, segui para Penang passando por Parit Bunsar.<\/p>\n<p>Penang, ou Pulau Pinang, \u00e9 a mais antiga ocupa\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica na Mal\u00e1sia. Foi parte da Cia Inglesa das Indias Orientais como base comercial mar\u00edtima em 1786. Em 1832, Penang formou parte do Straits Settlement com Malacca e Singapura como uma Crown Colony, at\u00e9 a conquista dos japoneses em 1941. Em meados do Sec. XIX a ilha ficou famosa por ser a maior exportadora de ch\u00e1, pimenta e tecido.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" align=\"right\"  src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_2\/rel_08\/rel_8_01.jpg\" class=\"images-rel\" alt=\"Detalhe de uma casa em Penang\" \/><\/p>\n<p>Hoje Penang \u00e9 uma ilha tur\u00edstica com v\u00e1rias praias e uma cidade entre o ativo porto e uma montanha cercada por floresta tropical. Fiquei hospedado em uma guest house na china town e acordei com o quarto balan\u00e7ando. N\u00e3o sabia se era minha cabe\u00e7a ou a Terra at\u00e9 a hora que vi a \u00e1gua do copo sacudindo. Eu estava no meio de um terremoto! Na verdade eu senti apenas um reflexo do grande tremor que estava ocorrendo na ilha da Sumatra, Indon\u00e9sia, que depois fui saber que matou v\u00e1rias pessoas e deixou mais de cinco mil desabrigados. Felizmente aonde eu estava foi s\u00f3 um susto&#8230;<\/p>\n<p>Em Penang conheci Alexandra, uma alem\u00e3 que tamb\u00e9m est\u00e1 fazendo uma viagem de bicicleta. Resolvemos ent\u00e3o pedalar a etapa da Tail\u00e2ndia juntos.<\/p>\n<p><strong>Tail\u00e2ndia&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Fiz uma mudan\u00e7a na rota da Tail\u00e2ndia. Resolvemos n\u00e3o ficar muito tempo nas praias do sul e fomos encarar as montanhas do norte que nos pareceram mais interessantes por causa de suas v\u00e1rias tribos. A id\u00e9ia agora \u00e9 percorrer o norte, atravessar para Laos, voltar para Tail\u00e2ndia e visitar Camboja. Fizemos uma travessia de trem de sul a norte com uma parada perto de Phuket para conhecer as famosas ilhas da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>A primeira cidade tailandesa foi em Hat Yai, no sudeste do pa\u00eds, onde ficamos uma noite para esperar o trem. Agora \u00e9 \u00e9poca de mon\u00e7\u00e3o em todo litoral leste da pen\u00ednsula (Tail\u00e2ndia e Mal\u00e1sia) e o \u00fanico dia que ficamos em Hat Yai choveu todo o tempo. A cidade \u00e9 famosa pelo turismo sexual abastecido pela porta de entrada do pa\u00eds pela Mal\u00e1sia.<\/p>\n<p>Infelizmente em quase todos locais tur\u00edsticos que passei o que mais encontrei foi prostitui\u00e7\u00e3o. A oferta \u00e9 grande e cliente \u00e9 o que n\u00e3o falta. Existem muitos europeus que visitam o pa\u00eds e alimentam a ind\u00fastria. O pa\u00eds vizinho Laos tentou durante anos evitar esse turismo mas a constru\u00e7\u00e3o da ponte no rio Mekong fez o turismo da Tail\u00e2ndia expandir. A prostitui\u00e7\u00e3o que esse turismo causou foi t\u00e3o grande que hoje essa ponte \u00e9 conhecida como ponte da AIDS.<\/p>\n<p>As prostitutas das cidades tur\u00edsticas contrastam com as mulheres conservadoras do pa\u00eds. Encostar a m\u00e3o em uma tailandesa \u00e9 considerado uma ofensa. Em geral para agradecer algo somente junta-se as m\u00e3os (como se eu tivesse rezando) e balan\u00e7o a cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>Vi um elefante andando no meio da rua. Era noite e ele tinha uma luz pendurada no rabo para ser visto pelos carros. Depois comecei a perceber que elefante aqui \u00e9 mais comum que cavalo no Brasil. Eles foram muito utilizados como meio de transporte e for\u00e7a para desmatamento e hoje s\u00e3o utilizados para passeios e apresenta\u00e7\u00f5es tur\u00edsticas. O elefante \u00e9 o animal que simboliza o pa\u00eds e \u00e9 muito utilizado nos adornos das casas e nos detalhes das constru\u00e7\u00f5es dos templos budistas.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" align=\"left\"  src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_2\/rel_08\/rel_8_02.jpg\" class=\"images-rel\" alt=\"Placa na beira da estrada\" \/><\/p>\n<p>A parada no sul do pa\u00eds durou cinco dias onde pedalamos 250 km e fizemos algumas travessias de barco entre Krabi, Phang-nga e Phuket.<\/p>\n<p>A regi\u00e3o que visitamos \u00e9 extremamente tur\u00edstica. A Ko Phi Phi island \u00e9 onde vi a maior concentra\u00e7\u00e3o de turistas em todo meu percurso. O filme The Beach, com Leonardo di Caprio, conta a hist\u00f3ria de um grupo de jovens que descobre a praia mais bonita do mundo e tenta mant\u00ea-la em segredo para n\u00e3o estragar o para\u00edso. A realidade contradiz a id\u00e9ia do filme e hoje a praia onde ele foi gravado \u00e9 um amontoado de barcos com pessoas por todos os lados.<\/p>\n<p>O local tamb\u00e9m \u00e9 famoso pelo mergulho. Fizemos um tour de mergulho e a decep\u00e7\u00e3o foi geral. N\u00e3o existe nenhum instrutor para informar os turistas sobre como mergulhar. Poucos sabem que um coral morre simplesmente com o toque das nossas m\u00e3os. O incessante e imprudente turismo debaixo d&#8217;\u00e1gua resultou na morte de quase todos os corais e hoje restou apenas um grande cemit\u00e9rio.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" align=\"right\"  src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_2\/rel_08\/rel_8_03.jpg\" class=\"images-rel\" alt=\"Phang-nga Marine National Park\" \/><\/p>\n<p>De Krabi fomos de trem para o norte do pa\u00eds. Recome\u00e7amos a pedalada em Chiang Mai, cidade famosa pela quantidade de templos budistas que possui.<\/p>\n<p>De Chiang Mai passamos por Chiang Dao e Fang seguindo os afluentes do importante rio Mekong que gera um imenso vale f\u00e9rtil e faz a divisa do pa\u00eds com Mianmar e Laos. Nas \u00e1reas cultiv\u00e1veis vimos muitas planta\u00e7\u00f5es de arroz e seringueira (borracha) que s\u00e3o os dois produtos que a Tail\u00e2ndia lidera na exporta\u00e7\u00e3o mundial.<\/p>\n<p>A reig\u00e3o \u00e9 famosa pelas tribos ind\u00edgenas. V\u00e1rias j\u00e1 se transformaram em ponto tur\u00edstico e algumas chegam a cobrar entrada para visitar a aldeia &#8211; principalmente as famosas tribos onde as pessoas usam an\u00e9is para aumentar o pesco\u00e7o &#8211; j\u00e1 disneylandizou tudo. Pedalando agente percorre muitas pequenas vilas e v\u00e1rias vezes achei que estava passando por algum lugar ainda intocado pelo turismo mas bastava esperar alguns minutos e encontrava algum europeu tirando fotos.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" align=\"left\"  src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_2\/rel_08\/rel_8_04.jpg\" class=\"images-rel\" alt=\"Crian\u00e7a da tribo Lisu - norte da Tail\u00e2ndia\" \/><\/p>\n<p>As tribos daqui possuem v\u00e1rias caracter\u00edsticas em comum com algumas da Am\u00e9rica do Sul. As casas s\u00e3o feitas com bambu, utilizando a mesma t\u00e9cnica das tribos amaz\u00f4nicas. As roupas s\u00e3o muito parecidas com as ropas qu\u00edchuas e aimaras e s\u00e3o feitas com as mesmas t\u00e9cnicas e as crian\u00e7as s\u00e3o carregadas nas costas com panos igual nos Andes. Aqui os ind\u00edgenas tamb\u00e9m aprenderam bem o valor do dinheiro e muitas crian\u00e7as estendem a m\u00e3o pedindo moedas para os todos os &#8220;gringos&#8221; que encontram.<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio da viagem as casas de bambu me chamaram muita aten\u00e7\u00e3o. S\u00e3o muito baratas e relativamente f\u00e1ceis de construir. Uma op\u00e7\u00e3o razo\u00e1vel para o d\u00e9ficit habitacional de muitas regi\u00f5es do Brasil. Com uma boa orienta\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica esse material pode ser muito bom para substituir as casas de papel\u00e3o e lona das favelas por locais mais resistentes e saud\u00e1veis.<\/p>\n<p>O budismo e a monarquia s\u00e3o muit\u00edssimo respeitados. As cores vermelha, branca e azul da bandeira representam a na\u00e7\u00e3o, o budismo e a monarquia respectivamente. Nas estradas existem grandes pain\u00e9is com fotos da fam\u00edlia real e existem milhares de templos budistas distribu\u00eddos por todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>O Budismo reflete a vida calma de toda popula\u00e7\u00e3o. H\u00e1 tempos n\u00e3o vejo uma briga ou discuss\u00e3o nas ruas. \u00c9 muito comum ver os monges andando com as roupas laranjas. Qualquer homem pode ser monge, inclusive crian\u00e7as, e quase todos j\u00e1 foram monges por algum per\u00edodo da vida. Durante esse per\u00edodo aprendem a religi\u00e3o e fazem v\u00e1rios trabalhos e medita\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" align=\"right\"  src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_2\/rel_08\/rel_8_05.jpg\" class=\"images-rel\" alt=\"Templo Budista em Chiang Mai\" \/><\/p>\n<p>A comida tailandesa \u00e9 uma das maiores maravilhas do pa\u00eds. Mas \u00e9 preciso pedir &#8220;no chilli&#8221; para poder comer. Se eles colocam o tal &#8220;chilli&#8221; fica imposs\u00edvel de tanta pimenta. Aqui n\u00e3o \u00e9 muito comum comer com a m\u00e3o e nem arrotar. Em geral usam palitos no lugar de talheres e toda comida j\u00e1 \u00e9 feita em pequenos peda\u00e7os para n\u00e3o precisar de faca. Ficamos t\u00e3o maravilhados com a comida que resolvemos fazer um curso de um dia e aprender alguns pratos. Com a ajuda da professora a comida ficou \u00f3tima mas acho que j\u00e1 n\u00e3o lembro de mais nada&#8230;<\/p>\n<p>Para contrastar com as del\u00edcias da culin\u00e1ria eles tamb\u00e9m possuem uns pratos estranh\u00edssimos. Passei por um restaurante cheio de gaiolas com cobras vivas para fazer sopas. T\u00f4 fora! Tamb\u00e9m vi nas ruas umas barracas vendendo besouro, grilos e outros seres fritos. Urgh. E o mais incr\u00edvel \u00e9 que eles comem e acham bom.<\/p>\n<p>Pedalar na Tail\u00e2ndia est\u00e1 sendo bastante seguro. \u00c9 muito comum ver uma moto carregando toda a fam\u00edlia &#8211; as vezes quatro crian\u00e7as &#8211; e isso faz com que os motoristas dirijam com algum cuidado. Quase todas estradas possuem acostamento e s\u00e3o bem sinalizadas mas n\u00e3o adianta nada pois n\u00e3o entendo o que est\u00e1 escrito.<\/p>\n<p>Eles usam um alfabeto diferente que \u00e9 incompreens\u00edvel para um ocidental. O alfabeto tailandes foi criado em 1283 pelo rei Ramkhamhaeng modelado pelo ancestral s\u00e2nscrito indiano e o Pali atrav\u00e9s dos caracteres Khmer. Todos escrevem e l\u00eaem utilizando essas letras e poucas placas possuem tradu\u00e7\u00e3o utilizando o alfabeto ocidental.<\/p>\n<p>Em todos locais que passei vi o p\u00e9ssimo h\u00e1bito de prenderem animais. Al\u00e9m dos pequenos p\u00e1ssaros engaiolados vi tamb\u00e9m \u00e1guias e macacos amarrados. Na porta de alguns templos vendem p\u00e1ssaros engaiolados para o turista libertar e ter boa sorte.<\/p>\n<p>Tanto a Mal\u00e1sia quanto a Tail\u00e2ndia desmataram mais de 60% de suas florestas nas \u00faltimas d\u00e9cadas. Hoje grande parte das florestas que restaram foram transformadas em Parques Nacionais.<\/p>\n<p>De Fang resolvemos pedalar seguindo o rio Kok, apesar de n\u00e3o existir estrada no mapa alguns moradores locais fizeram umas m\u00edmicas e entendemos que era poss\u00edvel fazer a rota com bicicleta. Que furada! Existe uma pequena estrada de terra maravilhosa nos primeiros vinte quil\u00f4metros e depois ela vira uma trilha que vai desaparecendo at\u00e9 se transformar em mata fechada. O caminho \u00e9 cheio de cobras e pequenos riachos sem pinguela. Para atravessar os riachos era preciso carregar a bicicleta. Numa das travessias o meu alforge (mochila da bicicleta) caiu na \u00e1gua. Durante quase um minuto a mochila com o notebook ficou no meio do riacho. Felizmente o alforge \u00e9 mais imperme\u00e1vel que imaginei e n\u00e3o entrou nenhuma \u00e1gua, ao contr\u00e1rio, ele flutuou como uma b\u00f3ia de ar. Ufa&#8230; No meio da trilha, faltando ainda mais de sessenta quil\u00f4metros para chegar na cidade passou um ind\u00edgena com uma canoa que deu carona at\u00e9 um lugar onde a estrada reaparece e voltamos a pedalar. Chegamos de noite em Chiang Rai, ainda a tempo de ver a festa Loi Krathong.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" align=\"left\"  src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_2\/rel_08\/rel_8_05.jpg\" class=\"images-rel\" alt=\"Desfile da festa Loi Krathong\" \/><\/p>\n<p>Todo ano, na lua cheia de novembro, Tail\u00e2ndia comemora a festa Loi Krathong em homenagem \u00e0 \u00e0gua. \u00c9 um festival de oferendas nos rios, desfiles nas ruas e muitas luzes no c\u00e9u. Todos preparam seus ramos de flores, incenso e velas para entregar para os rios e agradecer \u00e0 m\u00e3e Terra por tudo que ela ofereceu durante o ano. As ruas parecem desfiles de carnaval.<\/p>\n<p>Neste ano a lua cheia veio junto com meu anivers\u00e1rio, 21 de novembro. Parab\u00e9ns para mim!<\/p>\n<p>Agora vou atravessar a fronteira para Laos.<\/p>\n<p>Um grande abra\u00e7o e at\u00e9 a pr\u00f3xima,<br \/>\n<strong>Argus<\/strong><\/p>\n<p><strong>Para saber mais<\/strong><br \/>\nSites<br \/>\nwww.thaigov.go.th<br \/>\nwww.csmngt.com<br \/>\nwww.sala.net\/Thailand<br \/>\nwww.thaifocus.com<br \/>\nwww.countryreports.org<br \/>\nwww.nationbynation.com\/Thailand<br \/>\nwww.amazing-thailand.com<br \/>\nwww.encyclopedia.com<br \/>\nwww.photius.com\/wfb2000\/countries<br \/>\nwww.thaioregon.com\/thailand<br \/>\nwww.geography.about.com<br \/>\nwww.tourismthailand.org<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>23.NOV.2002 Ola amigos, neste m\u00eas completei 10 mil quil\u00f4metros pedalados. Como passa r\u00e1pido! J\u00e1 se foi um ter\u00e7o da volta ao mundo&#8230; Visitei a ilha de Penang na Mal\u00e1sia que tamb\u00e9m fez parte da Cia das \u00cdndias Orientais e fui para Tail\u00e2ndia. 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