{"id":455,"date":"2009-10-21T10:31:12","date_gmt":"2009-10-21T13:31:12","guid":{"rendered":"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/?page_id=455"},"modified":"2024-03-16T14:20:31","modified_gmt":"2024-03-16T14:20:31","slug":"etapa-2-relatorio-11","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/?page_id=455","title":{"rendered":"Etapa 2 \u2013 Relat\u00f3rio 11"},"content":{"rendered":"<h4>30.JAN.2003<\/h4>\n<h3 class=\"tit-rel\">Ol\u00e1 amigos, atravessamos Camboja. Come\u00e7amos pedalando pelas montanhas do sudoeste do pa\u00eds e depois pedalamos pela grande plan\u00edcie do vale do rio Mekong. Visitamos na capital Phnom Penh os resqu\u00edcios da terr\u00edvel hist\u00f3ria do Khmer Vermelho e depois, em Siem Reap, as incr\u00edveis ru\u00ednas de Angkor Wat. Agora estamos pedalando para a fronteira com a Tail\u00e2ndia.<\/h3>\n<p>Come\u00e7amos nossa viagem em Camboja comendo poeira numa estrada de terra do in\u00f3spito sudoeste do pa\u00eds. O sol forte e as montanhas dificultaram a viagem mas a alegria dos cambojanos compensava. As vilas dessa regi\u00e3o s\u00e3o apenas aglomerados de casas que se concentram na beira dos rios. A estrada ainda n\u00e3o possui pontes e todas travessias s\u00e3o feitas de balsa.<\/p>\n<p>A primeira parada foi em Tha Tai, uma cidade que n\u00e3o existe no mapa e nem mesmo n\u00f3s sab\u00edamos que existia. A pequena vila n\u00e3o possui guest house e resolvemos montar a barraca na beira do rio. A barraca chamou aten\u00e7\u00e3o e logo est\u00e1vamos acompanhados de toda crian\u00e7ada da vila. Um professor tamb\u00e9m acompanhou a montagem e depois nos convidou para usar o banho da sua casa. Logo percebemos que em Camboja existe um sorriso muito sincero e que as pessoas sofreram muito nos \u00faltimos anos e aprenderam a se ajudar.<\/p>\n<p>Nos outros dias encontramos guest houses. Seguimos pedalando para o leste e aos poucos as montanhas do sudoeste de Camboja foram desaparecendo. Pedalamos atentos pois lemos que ainda existem membros do Khmer Vermelho que vivem escondidos nessa \u00e1rea mas n\u00e3o vimos ou escutamos falar de nenhum problema. Com exce\u00e7\u00e3o dessas montanhas o pa\u00eds \u00e9 praticamente plano e faz parte do grande vale do rio Mekong.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" align=\"left\"  src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_2\/rel_11\/sri_ambel_camboja.jpg\" class=\"images-rel\" alt=\"sri_ambel_camboja.jpg\" \/><\/p>\n<p>Chegamos em Sihanoukville, uma cidade de praia que \u00e9 tamb\u00e9m o porto mais importante do pa\u00eds. Passamos dois dias um pouco decepcionados com as praias que esper\u00e1vamos serem desertas e quase n\u00e3o encontramos lugar para caminhar por causa da grande quantidade de turistas locais.<\/p>\n<p>Um pouco da hist\u00f3ria de Camboja:<\/p>\n<p>O pa\u00eds se tornou col\u00f4nia francesa em 1863, foi dominada pelos japoneses durante a II Guerra Mundial e conseguiu a independ\u00eancia em 1953.<\/p>\n<p>O maior terror em Camboja come\u00e7ou com o bombardeio norte-americano durante a Guerra Secreta de Nixon e Kissinger. Camboja, assim como Laos, foi bombardeada pelos americanos para evitar que o pa\u00eds ajudasse o comunismo no Vietn\u00e3. 550.000 toneladas de bombas foram despejadas em Camboja &#8211; um total de explosivos que possui 25 vezes a for\u00e7a da bomba de Hiroshima! Um bombardeio que o pr\u00f3prio Kissinger admitiu ter sido um erro. At\u00e9 hoje nascem pessoas com problemas de deforma\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica por causa dos desfolhantes usados durante essa guerra.<\/p>\n<p>Depois veio o Khmer Vermelho (Khmer Rouge). Entre 1975 e 1979 Camboja viveu sob um terr\u00edvel regime de comunismo ultra-maoista liderado por Pol Pot. Durante esse per\u00edodo o dinheiro, a propriedade privada, a escola e a religi\u00e3o foram abolidos e os habitantes das cidades foram obrigados a se retirarem para o campo. Aproximadamente 1,7 milh\u00e3o de cambojanos morreram &#8211; muitos por exaust\u00e3o nos trabalhos for\u00e7ados e muitos por tortura e execu\u00e7\u00e3o por serem considerados inimigos do estado.<\/p>\n<p>O governo instaurou o &#8220;Camboja ano zero&#8221;. Milhares de pessoas que sabiam ler e escrever foram torturadas e executadas e crian\u00e7as foram estimuladas a matarem os pr\u00f3prios pais que soubessem ler. Segundo o regime, as pessoas instru\u00eddas eram &#8220;inimigas do estado&#8221;.<\/p>\n<p>Quando todos l\u00edderes do mundo pareciam ter aprendido com o erro de Hitler na Alemanha apareceu um outro louco que conseguiu fazer pior.<\/p>\n<p>A imagina\u00e7\u00e3o de toda essa brutalidade ficou um pouco mais real quando visitamos o &#8220;Setor 21&#8221;, ex-escola de Phnom Penh que foi transformada em pres\u00eddio com salas de tortura e execu\u00e7\u00e3o dos &#8220;traidores&#8221;. Hoje o local \u00e9 aberto \u00e0 visita\u00e7\u00e3o e mant\u00e9m v\u00e1rios instrumentos que foram utilizados para tortura. N\u00e3o existem palavras para descrever o horror que foi o Khmer Vermelho.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" align=\"right\"  src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_2\/rel_11\/S21_Phnom_Penh_Camboja.jpg\" class=\"images-rel\" alt=\"s21_phnom_penh_camboja\" \/><\/p>\n<p>Em 1979 o Khmer Vermelho foi retirado do poder com a invas\u00e3o das tropas do Vietn\u00e3 que abandonaram o pa\u00eds em 1989 quando o pa\u00eds come\u00e7ou a ser governado pela Autoridade Transit\u00f3ria da ONU. Em 1993 o partido de Norodon Sihanouk, atual rei de Camboja, venceu as elei\u00e7\u00f5es e instaurou a monarquia parlamentarista que existe at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>Durante nossas pedaladas pelo pa\u00eds foram comemorados 24 anos do fim do Khmer Vermelho e at\u00e9 hoje o atual governo e a ONU n\u00e3o formaram uma corte para apurar os respons\u00e1veis do genoc\u00eddio.<\/p>\n<p>A capital Phnom Penh possui 1 milh\u00e3o dos 14 milh\u00f5es de habitantes de Camboja. A cidade \u00e9 banhada pelo rio Mekong e na rua que beira o rio est\u00e3o o Pal\u00e1cio Real e v\u00e1rios templos de budismo que \u00e9 a principal religi\u00e3o do pa\u00eds. O tr\u00e2nsito \u00e9 infernal. Existem milhares de motos-t\u00e1xis que quase imploram para conseguir um cliente e miser\u00e1veis pedindo dinheiro por todos os cantos. A capital \u00e9 o reflexo de um pa\u00eds desordenado que est\u00e1 tentando se restabelecer do longo per\u00edodo de guerra e corrup\u00e7\u00e3o que destruiu toda sua infra-estrutura.<\/p>\n<p>&#8220;This is a society that&#8217;s been trough hundreds of years of agrarian feudalism, twenty-three years of civil war, ten years of Communism and isolation, ten years of foreign occupation, and then the world just flipped a switch and turned Cambodia inte this democratic, capitalistic, open, developing country. You think there might be some tension created ?&#8221;<\/p>\n<p>Frase de uma jornalista retirada do livro Off the rails in Phnom Penh de Amit Gilboa.<\/p>\n<p>O pa\u00eds depende de ajuda internacional para suportar suas necessidades b\u00e1sicas. A \u00e1rea da educa\u00e7\u00e3o \u00e9 lastim\u00e1vel. Sem uma gera\u00e7\u00e3o de pais educados, as crian\u00e7as n\u00e3o possuem refer\u00eancia e base familiar para desenvolverem a capacidade de aprender. A \u00e1rea da sa\u00fade \u00e9 ca\u00f3tica. O pa\u00eds possui um or\u00e7amento para sa\u00fade de apenas 1,5 US$ habitante\/ano, paga o sal\u00e1rio de 20 US$\/m\u00eas para um m\u00e9dico e a maioria dos hospitais nem sequer possui \u00e1gua encanada.<\/p>\n<p>Existe uma minoria de cambojanos que realmente surpreende. Ficamos admirados com a for\u00e7a de vontade que esses possuem em aprender. Muitas vezes fomos emparelhados na estrada por bicicletas com estudantes que nos seguiram por v\u00e1rios quil\u00f4metros para treinarem um pouco de ingl\u00eas.<\/p>\n<p>Depois de Phnom Penh fomos para Skun. Antes de encontrarmos uma guest house um estudante de ingl\u00eas nos convidou para conhecermos sua &#8220;escola-casa&#8221;. No local vivem 67 alunos que estudam ingl\u00eas por 6 meses e durante per\u00edodo limpam os quartos, lavam roupas, consertam de tudo, cozinham e aprendem muito. Os professores s\u00e3o ex-alunos volunt\u00e1rios e todo o instituto \u00e9 mantido (inclusive o aluguel da casa e alimento) com 35 US$ doados por uma empresa da Mal\u00e1sia. A necessidade de aprenderem, a no\u00e7\u00e3o de equipe e a determina\u00e7\u00e3o fazem esse dinheiro multiplicar. Os professores n\u00e3o possuem nenhum material did\u00e1tico para aperfei\u00e7oarem o ingl\u00eas e literalmente &#8220;catam&#8221; turistas na cidade para treinarem. Ficamos maravilhados com o projeto e, &#8220;papo vem papo vai&#8221;, acabamos dormindo na casa.<\/p>\n<p>Na estrada vimos o reflexo de uma vida rural simples. Grande parte de seu povo (75%) vive da agricultura de subsist\u00eancia plantando principalmente arroz no vale do rio Mekong. No dia a dia comem sopa de macarr\u00e3o pela manh\u00e3 e no almo\u00e7o arroz acompanhado com vegetais, carne de galinha, porco, vaca, ou alguma das v\u00e1rias comidas &#8220;ex\u00f3ticas&#8221; como aranhas, formigas, cobras, escorpi\u00f5es, besouros, cigarras, c\u00e9rebros, lesmas, etc.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" align=\"right\"  src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_2\/rel_11\/aranha_frita_Camboja.jpg\" class=\"images-rel\" alt=\"aranha frita - Camboja\" \/><\/p>\n<p>O transporte nas estradas \u00e9 curioso. Vimos muitos carros de boi, motos e caminhonetes carregando de tudo. V\u00e1rias motos carregam centenas de galinhas penduradas, porcos em cestas de bambu e muitas vezes possuem carro\u00e7aria onde levam dezenas de pessoas amontoadas. As caminhonetes desafiam a gravidade empilhando at\u00e9 seis metros de sacos e bagagens de todo tipo e para completar o malabarismo colocam pessoas no topo. Existem tamb\u00e9m carros que carregam porcos, geralmente fazem umas cinco camadas de porcos amarrados ainda vivos e colocam at\u00e9 50 deles em um \u00fanico ve\u00edculo. Esses carros com porcos param de tempo em tempo perto de um rio e o motorista fica jogando baldadas de \u00e1gua para os animais n\u00e3o morrerem.<\/p>\n<p>As pequenas cidades s\u00e3o espalhadas pela beira da estrada e praticamente n\u00e3o encontramos um quil\u00f4metro que n\u00e3o existissem casas. V\u00e1rias cidades n\u00e3o possuem um centro propriamente dito, existe apenas uma \u00e1rea da estrada onde se concentra o com\u00e9rcio. Essas &#8220;cidades-estradas&#8221; perdem a identidade de uma comunidade. O fato de n\u00e3o possu\u00edrem um centro para a conviv\u00eancia, esporte e divers\u00e3o gera a falta de express\u00e3o cultural, falta de m\u00fasica, falta de poesia e a falta do prazer que existe em viver em um ambiente saud\u00e1vel. Os \u00fanicos ambientes de encontro dessas cidades s\u00e3o os karaok\u00eas que s\u00e3o a grande divers\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em todo percurso encontramos v\u00e1rias pessoas que se tornaram deficientes f\u00edsicas por causa das minas que est\u00e3o espalhadas pelo pa\u00eds. Camboja divide com Angola e Afeganist\u00e3o o titulo ingl\u00f3rio de pa\u00eds mais minado do mundo. Cerca de 46% das aldeias do pa\u00eds possuem zonas afetadas pelas minas. Durante o Khmer Vermelho as florestas e estradas foram minadas para evitar que os habitantes fugissem do pa\u00eds. Tivemos o cuidado em usar somente estradas autorizadas pelo governo e nunca caminhar pela beira da estrada em locais desconhecidos.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" align=\"left\"  src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_2\/rel_11\/placa_avisando_sobre_minas_Camboja.jpg\" class=\"images-rel\" alt=\"placa avisando sobre minas - Camboja\" \/><\/p>\n<p>A poeira da estrada seguiu castigando e acabei ficando tr\u00eas dias de cama por causa de uma sinusite. A reza para n\u00e3o piorar foi grande. Parar em um hospital em Camboja n\u00e3o seria nada agrad\u00e1vel. Felizmente a sinusite veio em Kampong Thon, uma cidade com luz, \u00e1gua encanada e hotel limpo. Mais ou menos sarado seguimos viagem para Siem Reap.<\/p>\n<p>Siem Reap \u00e9 a cidade mais visitada do pa\u00eds por ser a base para conhecer os templos de Angkor. Quase todas institui\u00e7\u00f5es internacionais de apoio \u00e0 Camboja possuem centrais ali e a cidade concentra a melhor infra-estrutura do pa\u00eds. \u00c9 uma cidade para &#8220;ingl\u00eas ver&#8221; onde fomos inacreditavelmente parados por um policial por estarmos de bicicleta na contra m\u00e3o de uma de suas pacatas ruas.<\/p>\n<p>Durante tr\u00eas dias pedalamos mais de 150 km no S\u00edtio Arqueol\u00f3gico de Angkor e mesmo assim deixamos muitos lugares sem visitar. As constru\u00e7\u00f5es s\u00e3o os resqu\u00edcios de uma cidade que foi a capital do Imp\u00e9rio Khmer e ficou por v\u00e1rios anos esquecida e coberta pela vegeta\u00e7\u00e3o. Hoje todo s\u00edtio \u00e9 considerado Patrim\u00f4nio da Humanidade pela Unesco e est\u00e1 sendo vagarosamente restaurado.<\/p>\n<p>Em v\u00e1rias ru\u00ednas existem pedras esculpidas soltas e espalhadas pelo ch\u00e3o. Muitas \u00e1rvores e plantas cresceram dentro dos templos e ainda \u00e9 poss\u00edvel ter a sensa\u00e7\u00e3o de &#8220;exploradores&#8221; em alguns locais pouco visitadas.<\/p>\n<p>Angkor foi a capital do Imp\u00e9rio Khmer entre os s\u00e9culos VIII e XV. O antigo Imp\u00e9rio ocupava a regi\u00e3o dos atuais Laos, Tail\u00e2ndia e Camboja e possuiu dois per\u00edodos religiosos, um per\u00edodo Hindu e outro Budista. Em seu apogeu chegou a ter uma popula\u00e7\u00e3o com mais de um milh\u00e3o de habitantes e aproximadamente 100 templos. Em 1460 a capital foi transferida para Phnom Penh e Angkor ficou praticamente abandonada at\u00e9 o S\u00e9c. XX.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" align=\"left\"  src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_2\/rel_11\/Angkor_Wat_Camboja.jpg\" class=\"images-rel\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p>O Imp\u00e9rio era baseado na agricultura e ficou famoso por suas tecnologias de irriga\u00e7\u00e3o que tornaram poss\u00edvel quatro colheitas de arroz por ano enquanto normalmente seria poss\u00edvel somente uma. A superf\u00edcie da regi\u00e3o \u00e9 totalmente plana e todos templos foram constru\u00eddos ortogonalmente e direcionados pelo sol. A \u00e1gua e a pedra eram considerados sagrados e foram os elementos base da arquitetura de Angkor.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" align=\"right\"  src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_2\/rel_11\/Eu_em_angkor_Thom_Camboja.jpg\" class=\"images-rel\" alt=\"Eu em angkor Thom - Camboja\" \/><\/p>\n<p>Em Siem Reap conhecemos um dos projetos mais louv\u00e1veis de apoio \u00e0 Camboja. O projeto Beatocello &#8211; The Kantha Bopha Foundation &#8211; dirigido pelo Dr. Beat Richner, um m\u00e9dico su\u00ed\u00e7o coordenador de tr\u00eas hospitais que atendem gratuitamente 800 crian\u00e7as por dia. Al\u00e9m de m\u00e9dico ele tamb\u00e9m \u00e9 m\u00fasico e todos s\u00e1bados faz uma apresenta\u00e7\u00e3o tocando celo, falando sobre o desafio do seu projeto e angariando fundos para manter os hospitais. Ele n\u00e3o mede palavras para criticar os \u00f3rg\u00e3os internacionais que gerenciam as verbas para a sa\u00fade no terceiro mundo. Descreve a pol\u00edtica da World Health Organization como &#8220;poor medical care for poor people in poor countries&#8221; e apresenta exemplos que deixam \u00e0s claras a hipocrisia do primeiro mundo com rela\u00e7\u00e3o aos pa\u00edses desfavorecidos.<\/p>\n<p>Entre outros exemplos, em seu livro Kantha Bopha &#8211; A children&#8217;s doctor in Cambodia ele cita uma companhia farmac\u00eautica francesa que vende rem\u00e9dios danosos para Camboja. Esses rem\u00e9dios (chloramphenicol) j\u00e1 foram banidos em todo o mundo por serem prejudiciais \u00e0 sa\u00fade e, mesmo sabendo disso, os franceses seguem fazendo dinheiro \u00e0s custas da venda desses medicamentos.<\/p>\n<p>De Siem Reap estamos seguindo para Bangkok, capital da Tail\u00e2ndia, onde pegarei a nova bicicleta e seguiremos para a terceira etapa da viagem &#8211; A Rota da Seda!<\/p>\n<p>Grande abra\u00e7o,<br \/>\n<strong>Argus<\/strong><\/p>\n<p><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n<p>Sites<br \/>\nLand Mine Museum<br \/>\nwww.landmine-museum.com<br \/>\nhttp:\/\/peace.s9.xrea.com<br \/>\nCampaign for a Land Mine Free World<br \/>\nwww.vvaf.org<br \/>\nThe Cambodiaa Genocide Program<br \/>\nwww.yale.edu\/cgp\/<br \/>\nThe Documentation Center of Cambodia<br \/>\nwww.bigpond.com.kh\/users\/dccam.genocide<br \/>\nAngkor Wat Oficial Web Site<br \/>\nwww.autoriteapsara.org<br \/>\nKantha Bopha Foundation &#8211; Dr. Beat Richner<br \/>\nwww.beatocello.com<br \/>\nwww.beat-richner.ch<\/p>\n<p>Livros<br \/>\nHildebrand, George C. Cambodia: Starvation and Revolution. New York: Monthly Review Press, 1990.<br \/>\nKiernan, Ben. How Pol Pot Came to Power: A Hitory of Communism in Kampuchea, 1930-1975. London: Verso, 1985.<br \/>\nShawcross, William. Sideshow: Kissinger, Nixon and the Destruction of Cambodia. New York: Chato and Windus, 1979.<br \/>\nSzymusiak, Molyda. The Stones Cry Out: A Cambodian Childhood, 1975-1980. New York: Hill and Wang, 1986.<br \/>\nUng, Loung. First They Killed My Father &#8211; A Daughter of Cambodia Remembers. New York: Perennial, 2000.<br \/>\nVickery, Michael. Cambodia 1975-1982. Boston: South End Press, 1984.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>30.JAN.2003 Ol\u00e1 amigos, atravessamos Camboja. Come\u00e7amos pedalando pelas montanhas do sudoeste do pa\u00eds e depois pedalamos pela grande plan\u00edcie do vale do rio Mekong. 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