{"id":539,"date":"2009-10-21T17:41:46","date_gmt":"2009-10-21T20:41:46","guid":{"rendered":"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/?page_id=539"},"modified":"2024-03-16T14:20:31","modified_gmt":"2024-03-16T14:20:31","slug":"etapa-3-relatorio-4","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/?page_id=539","title":{"rendered":"Etapa 3 \u2013 Relat\u00f3rio 4"},"content":{"rendered":"<h4>dia.MES.2003<\/h4>\n<h3>Namast\u00ea, fizemos nossas \u00faltimas pedaladas no Nepal e cruzamos novamente a fronteira com a \u00cdndia.<\/h3>\n<p>Descemos o Himalaia e conhecemos a regi\u00e3o do Terai, parte plana do Nepal no vale do rio Ganges. Debaixo de muito sol visitamos dois parques nacionais com rinocerontes, elefantes, tigres de bengala, crocodilos, etc.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"images-rel\" src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_3\/rel_04\/03_04_mapa.jpg\" alt=\"Mapa da rota \u00cdndia-Nepal\"><\/p>\n<p>Ficamos mais alguns dias nadando no lago de Pokhara e depois descemos as \u00faltimas montanhas entre o verde das planta\u00e7\u00f5es de arroz e o vermelho das flores e das roupas das mulheres nepalesas.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"images-rel\" src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_3\/rel_04\/03_04_foto_01.jpg\" alt=\"Pokhara\"><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"images-rel\" src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_3\/rel_04\/03_04_foto_02.jpg\" alt=\"Planta\u00e7\u00e3o de arroz\"><\/p>\n<p>Al\u00e9m das roupas vermelhas, a mulher usa adornos de acordo com sua casta e estado civil. Uma mulher casada usa pulseira e colar e quando possue filhos usa brincos. As j\u00f3ias de ouro s\u00e3o passadas de m\u00e3e para filha. Geralmente as av\u00f3s s\u00e3o as mais enfeitadas com direito a piercing, tika e enormes brincos.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"images-rel\" src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_3\/rel_04\/03_04_foto_03.jpg\" alt=\"Uma av\u00f3 nepalesa\"><\/p>\n<p>Chegamos na regi\u00e3o do Terai que \u00e9 totalmente diferente do Himalaia. Aqui, no sul do Nepal, estamos no plano a aproximadamente 300 m.a.n.m. acompanhando v\u00e1rios afluentes do rio Ganges. Agora \u00e9 ver\u00e3o e os rios est\u00e3o secos ou possuem pouca \u00e1gua. O calor est\u00e1 forte e tivemos dias com temperatura de 40 graus. Pedalamos somente pela manh\u00e3, entre 5:00 e 12:00 horas para evitar o sol da tarde que, viajando para o oeste, fica na nossa cara. Mas apesar do calor estamos passando por aqui em bom momento pois em junho come\u00e7am as chuvas de mon\u00e7\u00f5es e pedalar ficaria dif\u00edcil debaixo de tanta \u00e1gua.<\/p>\n<p>O Terai \u00e9 o habitat natural do tigre de bengala e v\u00e1rios outros animais selvagens. Depois de eliminar a mal\u00e1ria do Terai nos anos 50, habitantes das montanhas e indianos migraram para a regi\u00e3o e triplicaram a popula\u00e7\u00e3o. Essa ocupa\u00e7\u00e3o tem gerado um grande desmatamento e muitos animais est\u00e3o perdendo seu habitat. As pequenas cidades que visitamos s\u00e3o muito simples e com uma infra-estrutura deficiente &#8211; algumas nem sequer possuem \u00e1gua encanada e energia &#8211; e o crescimento demogr\u00e1fico continua a uma m\u00e9dia de 2,3% ao ano (2002 est.) e 4,5 filhos por mulher (2002 est.), o que significa que a popula\u00e7\u00e3o ainda ir\u00e1 dobrar nos pr\u00f3ximos 30 anos.<\/p>\n<p>Antigamente a regi\u00e3o era usada como \u00e1rea de ca\u00e7a \u2013 a ca\u00e7a mais famosa e deplor\u00e1vel foi talvez a do ex-rei que em 1952 matou 37 rinocerontes, 11 tigres, 3 crocodilos e 19 veados. Al\u00e9m da ca\u00e7a, os animais selvagens, principalmente elefantes, rinocerontes e on\u00e7as, eram v\u00edtimas tamb\u00e9m dos habitantes que os matavam para protegerem as planta\u00e7\u00f5es e animais dom\u00e9sticos.<\/p>\n<p>A partir da d\u00e9cada de 70 o governo come\u00e7ou a estabelecer \u00e1reas de prote\u00e7\u00e3o ambiental e criou v\u00e1rios parques nacionais. O Royal Chitwan National Park foi estabelecido em 1973, possui uma \u00e1rea de 932 km2 e uma altitude entre 150 e 815 m.a.n.m.. Existem ali mais de 470 esp\u00e9cies de plantas, 56 de mam\u00edferos, 500 de aves, 47 de r\u00e9pteis, 9 de anf\u00edbios, 126 de peixes e 150 de borboletas. Segundo a \u00faltima contagem oficial o parque possui aproximadamente 450 rinocerontes e 300 tigres.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"images-rel\" src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_3\/rel_04\/03_04_foto_04.jpg\" alt=\"Rinoceronte no Parque Chitwan\"><\/p>\n<p>Um grande desafio para a administra\u00e7\u00e3o dos parques foi convencer os habitantes a protegerem os animais selvagens e pararem de cortar as \u00e1rvores para fazerem fogo de cozinha. Segundo Hem Subedi, administrador da Bird Education Society Nepal, o desmatamento e matan\u00e7a de animais foram controlados atrav\u00e9s de v\u00e1rias a\u00e7\u00f5es entre o parque e a comunidade. Metade do valor da entrada do parque serve para subsidiar a perda das planta\u00e7\u00f5es que s\u00e3o danificadas pelos animais selvagens e 35% das casas j\u00e1 substitu\u00edram o fog\u00e3o a lenha por biog\u00e1s, tamb\u00e9m subsidiado pelo parque.<\/p>\n<p>O biog\u00e1s \u00e9 uma alquimia m\u00e1gica que transforma fezes de animais em g\u00e1s natural &#8211; 30 kg de fezes e 50 litros de \u00e1gua por dia j\u00e1 s\u00e3o suficientes para cozinhar para uma fam\u00edlia com cinco pessoas. Visitamos a casa do amigo Kamal que consegue acender 3 lampi\u00f5es e 2 bocas de fog\u00e3o usando as fezes das 4 vacas, 3 b\u00fafalos, 2 touros, 4 carneiros, 20 galinhas, 2 porcos e 5 pessoas. O custo inicial de todo o sistema \u00e9 de 200 d\u00f3lares e a manuten\u00e7\u00e3o \u00e9 praticamente gratuita. Apesar da apar\u00eancia f\u00e9tida da vantajosa engenhoca, a produ\u00e7\u00e3o do g\u00e1s n\u00e3o fede e a pasta que sobra do processo ainda \u00e9 utilizada como adubo. Viva a merda!<\/p>\n<p>Fizemos um dia de caminhada pelo Parque Chitwan. Para visitarmos o parque \u00e9 obrigat\u00f3rio dois guias que usam peda\u00e7os de pau para protegerem os visitantes dos animais. Logo no come\u00e7o os guias passam as instru\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a: temos de manter sil\u00eancio e, se virmos um rinoceronte, temos de ficar parados pois, apesar de quase cegos, os rinocerontes percebem muito bem o movimento e o cheiro. Caso o animal ataque a \u00fanica sa\u00edda \u00e9 subir em uma \u00e1rvore pois<br \/>\nnada consegue parar duas toneladas a 30 km\/h. No caso do urso n\u00e3o adianta subir em \u00e1rvore pois ele subir\u00e1 mais r\u00e1pido do que n\u00f3s. Temos que ficar unidos e fazer muito barulho para tentar espant\u00e1-lo. J\u00e1 o tigre de bengala \u00e9 uma animal t\u00edmido e foge quando v\u00ea humanos mas n\u00e3o tivemos a sorte de encontr\u00e1-lo. Vimos rinocerontes, crocodilos e muitos p\u00e1ssaros ex\u00f3ticos dentre eles o glamouroso pav\u00e3o e seu v\u00f4o desengon\u00e7ado. Mas a grande emo\u00e7\u00e3o ficou com uma tempestade que apareceu e desapareceu repentinamente no meio do dia ensolarado e nos apedrejou com muito granizo.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"images-rel\" src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_3\/rel_04\/03_04_foto_05.jpg\" alt=\"Lumbini \u2013 Local onde Buda nasceu\"><\/p>\n<p>Seguimos viagem para oeste e paramos em Lumbini, local sagrado onde Buda nasceu. A cidade se parece muito com os outros locais de perigrina\u00e7\u00e3o budista que conhecemos na \u00cdndia (Bodh Gaya, Nalanda e Vaishali). V\u00e1rios templos de diferentes pa\u00edses est\u00e3o em constru\u00e7\u00e3o e o local exato do nascimento s\u00e3o ru\u00ednas de tijolos e um pequeno lago.<\/p>\n<p>De Lumbini fomos para o Royal Bardia National Park numa regi\u00e3o onde a migra\u00e7\u00e3o indiana \u00e9 muito grande e a linha de fronteira j\u00e1 foi oficialmente modificada diminuindo o tamanho do Nepal. As cidades s\u00e3o esparsas e algumas noites tivemos de acampar por falta de guest houses. Aproveitamos para inaugurar nossos novos sacos de dormir e colch\u00e3o t\u00e9rmico. Finalmente estou com bons equipamentos de camping e parece que o frio que passei nos Andes e na Austr\u00e1lia felizmente n\u00e3o vai mais se repetir nessa viagem.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"images-rel\" src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_3\/rel_04\/03_04_foto_06.jpg\" alt=\"Casa no Terai\"><\/p>\n<p>Sa\u00edmos da estrada principal e pedalamos sete km em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Banali no Parque Bardia numa simp\u00e1tica trilha de terra. Ali as casas s\u00e3o feitas de barro misturado com bosta de vaca&#8230; Olha merda com fun\u00e7\u00e3o nobre de novo! A simp\u00e1tica vila \u00e9 toda constru\u00edda utilizando esse material e a cor begem homog\u00eanea d\u00e1 um tom especial para as casas dispersas no meio da natureza. Alguns aglomerados de casas possuem uma curiosa cerca el\u00e9trica para se protegerem dos elefantes.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"images-rel\" src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_3\/rel_04\/03_04_foto_07.jpg\" alt=\"Vegeta\u00e7\u00e3o t\u00edpica do Terai - sal forest\"><\/p>\n<p>A pequena Banali nos surpreendeu com a amizade dos moradores e resolvemos fazer uma palestra na escola. Mesmo sendo em hor\u00e1rio extra-classe conseguimos reunir quase metade da escola e lotamos a sala de aula. Pela primeira vez estrangeiros entraram nessa escola. A \u00fanica forma de mostrar as fotos da viagem foi atrav\u00e9s do notebook e muitos ali nunca tinham visto um computador. Mas o que mais gostaram foi de brincar depois da aula. Principalmente depois que descobri que consigo pedalar com cinco crian\u00e7as na bicicleta.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"images-rel\" src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_3\/rel_04\/03_04_foto_08.jpg\" alt=\"Seis crian\u00e7as na bicicleta\"><\/p>\n<p>&#8220;Brincar \u00e9 condi\u00e7\u00e3o fundamental para ser s\u00e9rio.&#8221; Arquimedes<\/p>\n<p>No segundo dia Alexandra ficou com muita febre. Toda vila ficou envolvida para tentar ajud\u00e1-la. V\u00e1rios foram para a floresta atr\u00e1s das plantas medicinais que o b\u00e1ba, o homem bento do hindu\u00edsmo, usou para fazer uma bebida milagrosa. A mistura aliviou as dores mas a febre continuou alta (mais de 40 graus!) e resolvemos procurar um hospital. A vila \u00e9 isolada de tudo e o \u00fanico carro que encontramos para podermos sair dali foi do ex\u00e9rcito do Nepal que foi extremamente prestativo. Agora Alexandra j\u00e1 est\u00e1 bem melhor, ela ficou doente por beber \u00e1gua contaminada.<\/p>\n<p>Voltamos para a vila no outro dia e enquanto Alexandra descansava visitei o Parque, vi mais alguns rinocerontes e nadei nos rios para refrescar do forte sol. Encontrei tamb\u00e9m perseverantes observadores que passam dias ou semanas parados na selva para poderem ter alguns minutos vendo tigres.<\/p>\n<p>Sair do Nepal e foi uma miss\u00e3o dif\u00edcil. O cora\u00e7\u00e3o tem de ser mais forte que a perna para despedir de tantas pessoas especiais que encontramos no caminho. Agora estamos seguindo pelas montanhas do noroeste da \u00cdndia e em breve desceremos para Delhi. Ainda estamos em d\u00favida qual ser\u00e1 a rota p\u00f3s-Delhi.<\/p>\n<p>Grande abra\u00e7o e at\u00e9 a pr\u00f3xima,<br \/>\n<strong>Argus<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impe\u00e7a de tentar. Desconfie do destino e acredite em voc\u00ea. Gaste mais horas realizando que sonhando,fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo,quem quase vive j\u00e1 morreu.&#8221;<br \/>\nLuiz F.Ver\u00edssimo<\/p>\n<p><strong>Para saber mais:<\/strong><br \/>\nwww.biodiv-nepal.gov.np<br \/>\nwww.resourceshimalaya.org<br \/>\nwww.5tigers.org<br \/>\nwww.ses-explore.org<br \/>\nwww.project-himalaya.com<br \/>\nwww.wwfnepal.org.np<br \/>\nwww.birdlifenepal.com<br \/>\nwww.sit.edu<br \/>\nwww.panasia.org.sg<br \/>\nwww.eldis.org<br \/>\nwww.mekonginfo.org<br \/>\nwww.fhi.org\/en\/cntr\/asia\/nepal<br \/>\nwww.worldisround.com<br \/>\nwww.thamel.com<br \/>\nwww.wwf-areas.net<br \/>\nwww.geographia.com<br \/>\nwww.earthboundexp.com<br \/>\nwww.cookreport.com\/chitwan.shtml<br \/>\nwww.netlink.co.uk\/users\/aw\/abchome.html<br \/>\nwww.south-asia.com\/dnpwc\/chit-nat-park\/<br \/>\nwww.south-asia.com<br \/>\nwww.molon.de\/galleries\/Nepal\/Chitwan<br \/>\nwww.visitnepal.com<br \/>\nwww.nepalhomepage.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>dia.MES.2003 Namast\u00ea, fizemos nossas \u00faltimas pedaladas no Nepal e cruzamos novamente a fronteira com a \u00cdndia. 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