{"id":555,"date":"2009-10-21T17:57:20","date_gmt":"2009-10-21T20:57:20","guid":{"rendered":"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/?page_id=555"},"modified":"2024-03-16T14:20:31","modified_gmt":"2024-03-16T14:20:31","slug":"etapa-3-relatorio-11","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/?page_id=555","title":{"rendered":"Etapa 3 \u2013 Relat\u00f3rio 11"},"content":{"rendered":"<h4>Jord\u00e2nia.DEZ.2003<\/h4>\n<h3>Salam Malaikom, Bem vinda a \u00c1frica!! Fiz minhas \u00faltimas pedaladas asi\u00e1ticas na Jord\u00e2nia e acabo de atravessar para o Sinai no Egito.<\/h3>\n<p>Junto com as celebra\u00e7\u00f5es do novo continente estamos comemorando tamb\u00e9m dois anos na estrada! Viva viva!<br \/>\nNa Jord\u00e2nia as ru\u00ednas dos antigos imp\u00e9rios continuaram sendo a grande atra\u00e7\u00e3o. Em Petra, al\u00e9m de visitar a sua impressionante cidade perdida, parei tamb\u00e9m para fazer um tratamento num hospital e matar uma ameba que carregava j\u00e1 h\u00e1 alguns meses. Agora j\u00e1 estou bem e sigo com sa\u00fade.<\/p>\n<p>Um pouco sobre a Jord\u00e2nia&#8230;<\/p>\n<p>A \u00e1rea da atual Jord\u00e2nia era habitada por amonitas, amorreus, moabitas e edomitas. A partir do S\u00e9c. VII   a.C. o povo n\u00f4made dos nabateus constru\u00edram aqui uma civiliza\u00e7\u00e3o rica e deixaram no pa\u00eds sua heran\u00e7a arquitet\u00f4nia. A imponente ru\u00edna de Petra. <\/p>\n<p>A regi\u00e3o \u00e9                                  uma estrat\u00e9gica liga\u00e7\u00e3o das                                  rotas entre a \u00c1frica e a \u00c1sia o                                  que fez v\u00e1rios imp\u00e9rios se estabeleceram                                  aqui. Depois dos nabateus passaram por aqui os                                  babil\u00f4nios, persas, gregos, romanos, bizantinos,                                  \u00e1rabes, cruzados e turco-otomanos. Aqui                                  \u00e9 tamb\u00e9m a &#8220;terra sagrada&#8221;                                  para os crist\u00e3os, judeus e mu\u00e7ulmanos.<\/p>\n<p>At\u00e9 o in\u00edcio                                  do S\u00e9c. XX Jord\u00e2nia era parte da                                  Palestina, grande parte do que \u00e9 hoje o                                  Estado de Israel. Ap\u00f3s a I Guerra Mundial                                  a regi\u00e3o foi dividida entre franceses e                                  brit\u00e2nicos e o Reino Unido controlou o pa\u00eds                                  at\u00e9 a independ\u00eancia proclamada pelo                                  Rei Abdullah em 1946.<\/p>\n<p>A popula\u00e7\u00e3o                                  de apenas 5,5 milh\u00f5es (ONU,2003) \u00e9                                  dividida entre \u00e1rabes palestinos (60%)                                  &#8211; muitos refugiados &#8211; e \u00e1rabes jordanianos                                  (37,7%) &#8211; tribos bedu\u00ednas, naturais do                                  pa\u00eds. 93,5% pratica o islamismo e 74% vive                                  nas cidades (2000). <\/p>\n<p>>O pa\u00eds faz fronteira                                  com Israel, Palestina, Egito, Iraque Ar\u00e1bia                                  Saudita e S\u00edria. Apesar de estar no meio                                  da &#8220;confus\u00e3o&#8221; o local \u00e9                                  tranquilo. O ex-Rei Hussein, que morreu em 1999,                                  \u00e9 idolatrado pela popula\u00e7\u00e3o                                  por sua atua\u00e7\u00e3o de intermediador                                  e bom diplomata conseguindo fazer o pa\u00eds                                  prosperar em paz. <\/p>\n<p>Agricultura n\u00e3o                                  representa muito na economia do pa\u00eds. \u00c9                                  apenas 2% do PIB.<br \/>\nDiferente de seus vizinhos, possui pouco petr\u00f3leo.                                  Sua receita vem de Minerais (fosfato), fertilizantes,                                  turismo e \u00f3leo.<br \/>\nNo meu primeiro dia na Jord\u00e2nia pedalei                                  at\u00e9 Jerash, onde existem ru\u00ednas                                  de uma antiga cidade. Cheguei de tarde e n\u00e3o                                  encontrei nenhum hotel. Segui pedalando para sair                                  um pouco da cidade e armar minha barraca. No caminho                                  os alto-falantes das mesquitas anunciaram o fim                                  do jejum di\u00e1rio do Ramad\u00e3. Um senhor                                  me viu pedalando e me convidou para<strong> jantar                                  com sua fam\u00edlia.<\/strong> A refei\u00e7\u00e3o                                  veio junto com um lugar para dormir e, mesmo sem                                  formularmos uma frase, ficamos bons amigos. A                                  fam\u00edlia trabalha numa planta\u00e7\u00e3o                                  de oliveiras e era bastante simples. Ao pedir                                  para tomar um banho percebi que eu j\u00e1 estava                                  querendo luxo demais. Pegaram metade de um \u00fanico                                  balde de \u00e1gua da casa e me arrumaram um                                  lugar para me limpar. Fiquei com vergonha de usar                                  a pouca \u00e1gua que tinham mas j\u00e1 era                                  tarde. Insistiram que eu tomasse meu banho &#8211; excesso                                  de gentileza \u00e1rabe ou talvez eu tivesse                                  fedendo. Na madrugada acordei para compartir com                                  a fam\u00edlia alguns p\u00e3es. Eles acordaram                                  \u00e0s 3:30 da madrugada, comeram, beberam                                  e fumaram o m\u00e1ximo que conseguiram e voltaram                                  a dormir. Quando acordamos novamente o sol j\u00e1                                  havia nascido e j\u00e1 n\u00e3o podiam comer                                  at\u00e9 o sol se p\u00f4r novamente. Assim                                  foi at\u00e9 o fim do Ramad\u00e3.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_3\/rel_11\/III-11%20Foto01%20Familia%20em%20Jerash.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"140\" \/><br \/>\nFam\u00edlia que me hospedou em Jerash<\/p>\n<p>No outro dia fui novamente para                                  a cidade visitar as ru\u00ednas. Jerash \u00e9                                  uma das mais bem preservadas cidades da <strong>Dec\u00e1polis                                  Romana.<\/strong> Tamb\u00e9m fazem parte da Dec\u00e1polis                                  Romana as cidades que visitei na S\u00edria                                  &#8211; Bosra e Damascus.<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"ttp:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_3\/rel_11\/III-11%20Foto02%20Jerash%204.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"150\" \/><br \/>\nJerash<\/p>\n<p><em>&#8220;Os romanos estabeleceram a Dec\u00e1polis,                                  a liga\u00e7\u00e3o de dez cidades na \u00e1rea                                  do norte da Jord\u00e2nia, S\u00edria e Palestina                                  para facilitar o com\u00e9rcio e proteger o                                  imp\u00e9rio. Quatro dessas cidades est\u00e3o                                  na Jord\u00e2nia: Philadelphia (atual Aman),                                  Jerash, a mais bem preservada e mais completa                                  cidade da Dec\u00e1polis, Pella e Umm Qais.&#8221;<br \/>\n<\/em>Jordan Tourism Board<\/p>\n<p>De tarde segui para a capital Aman. <strong>O norte                                  do pa\u00eds \u00e9 a parte menos \u00e1rida<\/strong> e onde se pode ver alguma agricultura. No caminho                                  vi planta\u00e7\u00f5es de orqu\u00eddeas,                                  oliveiras e pequenas florestas de pinus.<\/p>\n<p>Calculei mal a pedalada, fui devagar e cheguei                                  de noite. A noite \u00e9 muito movimentada na                                  Jord\u00e2nia, at\u00e9 as 23:00 o com\u00e9rcio                                  fica aberto e tem muita gente na rua. Um costume                                  que provavelmente vem do calor do ver\u00e3o.                                  Durante as quentes tardes as pessoas ficam dentro                                  das casas e quando refresca de noite abrem o com\u00e9rcio                                  e v\u00e3o para as ruas.<\/p>\n<p>Aman n\u00e3o tem muito o que visitar. Possui                                  um teatro romano e uma cidadela. L\u00e1 aproveitei                                  a conex\u00e3o com internet e passei dois pacientes                                  dias para atualizar toda a galeria de fotos do                                  site.<\/p>\n<p>Segui para Madaba onde dormi e no outro dia fui                                  para o Mar Morto passando por <strong>Monte Nebo<\/strong>,                                  local b\u00edblico onde existe uma Igreja em                                  homenagem a Mois\u00e9s e, desde o topo de sua                                  montanha, \u00e9 poss\u00edvel ver Jerusal\u00e9m,                                  Bel\u00e9m, Jeric\u00f3, Mar Morto, Rio Jord\u00e3o,                                  West Bank, etc.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"ttp:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_3\/rel_11\/III-11%20Foto03%20Mont%20Nebo.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"158\" \/><br \/>\nCruz no alto do Monte Nebo<\/p>\n<p>Dali desci para o <strong>mar morto<\/strong> e pedalei                                  por toda sua extens\u00e3o norte-sul. O Mar                                  Morto fica no Great Rift Valley que se extende                                  desde a Turquia at\u00e9 o leste africano. \u00c9                                  ali o <strong>ponto mais baixo da Terra<\/strong> com mais                                  de 400 metros abaixo do n\u00edvel do mar. Ele                                  faz a divisa entre a Jord\u00e2nia e Israel-Palestina.                                  Em toda sua extens\u00e3o existem bases do ex\u00e9rcito.                                  Do meu lado esquerdo tinham montanhas \u00e1ridas                                  quase sem vegeta\u00e7\u00e3o e na direita                                  uma cerca e uma descida barrenta para o Mar, o                                  dia estava um pouco emba\u00e7ado mas era poss\u00edvel                                  ver as montanhas de Israel e Palestina.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"ttp:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_3\/rel_11\/III-11%20Foto04%20Mar%20morto.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"122\" \/><br \/>\nMar morto<\/p>\n<p>A brincadeira de flutuar no<strong> mar mais salgado                                  do mundo<\/strong> compensou a falta de gra\u00e7a                                  do caminho. Por causa da alta concentra\u00e7\u00e3o                                  de sal na \u00e1gua agente flutua muito mais                                  do que na \u00e1gua doce e \u00e9 poss\u00edvel                                  ficar &#8220;sentado&#8221; no mar. Mas se entra                                  \u00e1gua no olho arde pra caramba! Existem                                  alguns hot\u00e9is com acesso para o mar mas                                  eu n\u00e3o estava disposto a pagar cinco d\u00f3lares                                  para passar dez minutos nadando. Resolvi procurar                                  algum lugar perto da estrada onde eu pudesse entrar                                  na \u00e1gua. Encontrei um caminho e fui empurrando                                  a bicicleta por uns 300 metros de barro. De repente                                  me dei conta que eu estava no meio de uns tanques                                  de guerra camuflados. Os soldados chegaram brincando                                  &#8220;- American or Israeli?&#8221; Perguntaram                                  &#8211; Noooo! Brazilian! Futbol, Ronaldo, samba! Respondi.                                  Os soldados foram bacanas mas o local \u00e9                                  um pouco tenso. Ali eu estava exatamente na fronteira                                  entre Israel e um pa\u00eds cuja maioria dos                                  habitantes \u00e9 de palestinos. Toda a regi\u00e3o                                  \u00e9 minuciosamente controlada. Logicamente                                  nem pensei em tirar a c\u00e2mera fotogr\u00e1fica.<\/p>\n<p>Segui mais uns quil\u00f4metros. A informa\u00e7\u00e3o                                  que eu tinha era de que o caminho seria todo plano                                  mas, de repente, vi uma montanha descomunal na                                  minha frente. Seriam trinta quil\u00f4metros                                  de subida e o sol j\u00e1 ia se p\u00f4r. Passei                                  na frente de mais uma barreira do ex\u00e9rcito                                  e mais uma vez fui convidado para um &#8220;jantar                                  Ramad\u00e3&#8221;.<\/p>\n<p>A cena dessa <strong>janta foi memor\u00e1vel<\/strong>.                                  Numa mesa de concreto na beira da estrada colocaram                                  uma bandeja de metal de um metro de di\u00e2metro                                  e uma montanha de arroz e peda\u00e7os de carne.                                  Eram aproximadamente dez soldados ao redor da                                  comida. Alguns se empoleiraram descal\u00e7os                                  sobre a mesa, alguns sentados e outros de p\u00e9                                  come\u00e7aram um ataque que deixava clara a                                  fome da tropa. Todos comendo com as m\u00e3os,                                  os que estavam em p\u00e9 deixavam arroz cair                                  na cabe\u00e7a dos que estavam sentados, os                                  que estavam com os p\u00e9s na mesa ajudavam                                  com o ded\u00e3o a manter a bandeja parada.                                  A cena medieval me divertiu e a comida estava                                  uma del\u00edcia. Passada a &#8220;guerra&#8221;                                  a tropa se dispersou para fumar e tomar ch\u00e1s.<\/p>\n<p>Encontrei por ali um engenheiro que estudou na                                  Inglaterra e falava bom ingl\u00eas. Conversa                                  vai conversa vem fui convidado para dormir no                                  acampamento com o pessoal que esta fazendo a tubula\u00e7\u00e3o                                  para irrigar a regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Conversar com pessoas de costumes diferentes                                  \u00e9 sempre interessante. Minha conversa com                                  o engenheiro acabou sendo sobre os tabus das nossas                                  diferentes culturas. Pai de dois filhos ele me                                  deixou impressionado com o <strong>conservadorismo                                  da tradicional fam\u00edlia jordaniana<\/strong>.                                  Da nossa conversa me lembro de alguns detalhes                                  &#8220;- Pai tem que bater. Quando vivia na Inglaterra                                  o governo estava discutindo sobre a proibi\u00e7\u00e3o                                  dos pais baterem nos filhos. Eu bato para ter                                  controle. Filho n\u00e3o pode ter liberdade.                                  Se meu filho quiser sair quero saber com quem,                                  para onde, quando volta e sobre o que conversam.                                  J\u00e1 a filha n\u00e3o sai. Se quiser passear                                  de tarde pode ir com o irm\u00e3o ou comigo.                                  Na Europa est\u00e3o todos perdidos. Com 16                                  anos fazem o que querem. Por isso tem tanto problema,                                  tanto gay, tanta crian\u00e7a que j\u00e1                                  \u00e9 m\u00e3e.&#8221; Eu aproveitei para                                  perguntar sobre o pagamento para casar. &#8220;-                                  Est\u00e1 certo. Pagar para casar \u00e9 uma                                  boa solu\u00e7\u00e3o. Se voc\u00ea paga                                  caro pensa duas vezes antes de separar. Se paga                                  pouco depois de um ano separa.&#8221; Afirmou.                                  A conversa seguiu me impressionando, me lembro                                  de perguntar se vivendo no acampamento ele n\u00e3o                                  sentia falta da esposa que vive em Aman. &#8220;-                                  N\u00e3o tem problema, meu pai cuida dela.&#8221;                                  Respondeu. Se fosse no Brasil eu emendaria automaticamente                                  um &#8220;-Como assim?!&#8221; mas a situa\u00e7\u00e3o                                  n\u00e3o permitiu. Apenas balancei a cabe\u00e7a                                  como quem entendeu, tentei inutilmente falar sobre                                  liberdade, desisti e fui dormir.<\/p>\n<p>Novamente o pessoal do acampamento acordou \u00e0s                                  3:30, comeu e fumou o quanto conseguiram e voltaram                                  a dormir. Eu acordei com o sol, pedalei um pouco                                  e me escondi atr\u00e1s de uma pedra para tomar                                  meu caf\u00e9 da manh\u00e3.<\/p>\n<p>Subi a tal montanha pasando por uma \u00e1rea                                  onde acredita-se ser a cidade de <strong>Sodoma e Gomorra.<\/strong> Existe um imenso c\u00e2nion que fez a subida                                  valer a pena. Pedalei apenas 30 km e cheguei quase                                  morto em Kerak.<\/p>\n<p>Em Kerak visitei mais um imenso castelo das Cruzadas.                                  Fiquei na cidade dois dias. Senti que o corpo                                  tava amolecendo e as montanhas estavam parecendo                                  muito maiores. Arrumei mais um pouco de energia                                  e segui um pouco mais para o sul.<\/p>\n<p>Pedalei pela King\u00b4s Road, uma rota t\u00e3o                                  antiga quanto as ru\u00ednas que ela liga. Fui                                  viajando pelas hist\u00f3rias b\u00edblicas,                                  cidades perdidas, filmes de Indiana Jones, Lawrence                                  da Arabia e de repente uma pedra acertou minhas                                  costas. Outros ciclistas j\u00e1 tinham me comentado                                  sobre essa &#8220;intifada ciclistica&#8221; mas                                  at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o tinha recebido                                  nenhuma pedrada. Aqui as crian\u00e7as t\u00eam                                  uma <strong>inc\u00f4moda mania de jogar pedras nos                                  ciclistas<\/strong>. A situa\u00e7\u00e3o se repetiu                                  por mais umas quatro vezes. Quando eram poucas                                  crian\u00e7as foi poss\u00edvel fazer a molecada                                  parar mas quando vinham mais de dez o jeito era                                  pedalar forte. Que coisa estranha!<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"ttp:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_3\/rel_11\/III-11%20Foto05%20Kings%20Road.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"150\" \/><br \/>\nKing\u00b4s road<\/p>\n<p>O visual da estrada \u00e9 lindo. S\u00e3o                                  montanhas no deserto com alguns o\u00e1sis.                                  Mas a moleza no corpo continuou, pedalei muito                                  devagar e o esfor\u00e7o reduziu a beleza. Passei                                  todo o dia para pedalar pouco mais de 80 km. O                                  sol se p\u00f4s e tentei sem sucesso uma carona                                  para terminar de chegar. A estrada ficou literalmente                                  deserta pois era a hora em que todos estavam dentro                                  das casas comendo. Segui pedalando devagar e o                                  frio chegou forte. Passei mais umas tr\u00eas                                  horas pedalando de noite e cheguei congelando                                  na Reserva Florestal de Dana. Entrei no primeiro                                  hotel que encontrei, tomeio um bem vindo ch\u00e1                                  e um banho quente que me ressucitou.<\/p>\n<p>Passei tr\u00eas dias em Dana e a moleza continuou.                                  O parque \u00e9 lindo mas me contive em ver                                  de longe o imenso vale. N\u00e3o desci os mil                                  metros de altitude para fazer a tradicional caminhada                                  que os outros visitantes fazem. Fiquei na cidade                                  aproveitando a tranquilidade da pequena e simp\u00e1tica                                  vila de pedra para fazer um filminho para comemorar                                  os dois anos na estrada.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"ttp:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_3\/rel_11\/III-11%20Foto06%20Showbak.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"147\" \/><br \/>\nCastelo de Showbak &#8211; perto de Petra<\/p>\n<p>Duas amigas que estavam indo de Dana para Petra levaram minhas bagagens e pedalei sem os alforges.                                  Mesmo assim segui fraco e chegando em Petra procurei um hospital.<\/p>\n<p>Eu estava com disenteria amebiana e tive de parar a viagem por uns dias para me curar. Mais uma                                  vez os problemas foram por causa de \u00e1gua e comida infectadas. Desconfio que peguei a tal                                  ameba na \u00cdndia. Desde ent\u00e3o eu j\u00e1 vinha me tratando com comprimidos mas n\u00e3o                                  foi suficiente. Em Petra tive um \u00f3timo atendimento e um tratamento mais forte com inje\u00e7\u00f5es.                                  Foram <strong>dez dias divididos entre o hospital e visitas \u00e0s maravilhosas ru\u00ednas. <\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"ttp:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_3\/rel_11\/III-11%20Foto07%20Hospital.jpg\" alt=\"\" width=\"195\" height=\"200\" \/><br \/>\nHospital &#8211; Consertando o vazamento no motor da                                  bicicleta<\/p>\n<p><strong>Petra<\/strong> s\u00e3o monumentais constru\u00e7\u00f5es                                  escavadas nas rochas pelo povo nabateu e possui                                  uma atmosfera de &#8220;cidade perdida&#8221;. Para                                  chegar ao centro da antiga cidade \u00e9 preciso                                  caminhar por mais de um quil\u00f4metro numa                                  imenesa fenda entre rochas com mais de 100 metros                                  de altura. De repente a fenda se abre num largo                                  com uma imensa rocha esculpida &#8211; \u00e9 o Al                                  Khazneh (O Tesouro), uma constru\u00e7\u00e3o                                  feita no S\u00e9c. I a.C. e muito bem preservada                                  &#8211; o cart\u00e3o postal do pa\u00eds.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"ttp:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_3\/rel_11\/III-11%20Foto08%20Tesouro%20-%20Petra%20-%20Jordania.jpg\" alt=\"Al Khazneh - Petra\" width=\"112\" height=\"200\" \/><\/p>\n<p><em>&#8220;Desde sua base em Petra os nabateus                                  controlavam o lucrativo com\u00e9rcio da seda,                                  especiarias e incenso indiano e marfim africano.                                  Impuseram altos impostos sobre essas valiosas                                  mercadorias e recolhiam dinheiro para proteger                                  as caravanas dos bandidos. Em 160 d.C. o imperador                                  Trajano anexou o rico reino nabateu formando a                                  prov\u00edncia da Ar\u00e1bia.&#8221;<\/em> Jordan                                  Tourism Board<\/p>\n<p>As esculturas nas pedras coloridas sobrviveram                                  \u00e0s for\u00e7as naturais. Um dos poucos                                  exemplos no mundo de uma arquitetura t\u00e3o                                  antiga.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"ttp:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_3\/rel_11\/III-11%20Foto09%20monasterio%20-%20Petra%20-%20Jordania4.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"121\" \/><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"ttp:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_3\/rel_11\/III-11%20Foto10%20monasterio%20-%20Petra%20-%20Jordania3.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"200\" \/><br \/>\nMonast\u00e9rio com a luz do p\u00f4r do sol<\/p>\n<p>Deste largo a caminhada segue por v\u00e1rias outras ru\u00ednas. \u00c9 poss\u00edvel passar cinco dias caminhando e ainda ter\u00e1                                  ru\u00ednas para visitar. A cidade \u00e9                                  imensa e dispersa entre v\u00e1rias montanhas                                  no deserto. A caminhada mais longa foi para visitar                                  o Monast\u00e9rio. Atravessei todas as ru\u00ednas                                  do que foi o centro da cidade e uma montanha.                                  Depois de uma hora camiinhando cheguei no maior                                  monumento de petra. O incr\u00edvel Monast\u00e9rio                                  com sua fachada de 45&#215;50 metros fica com uma cor                                  linda no p\u00f4r do sol. Esperei o sol se p\u00f4r                                  e voltei caminhando de noite, outra experi\u00eancia                                  bacana pois nas ru\u00ednas ainda vivem alguns                                  bedu\u00ednos e passei algumas horas da noite                                  com eles escutando m\u00fasica e tomando ch\u00e1.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"ttp:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_3\/rel_11\/III-11%20Foto11%20bedu%EDnos%20em%20Petra.jpg\" alt=\"\"  \/><br \/>\nBedu\u00ednos em Petra<\/p>\n<p>Os <strong>bedu\u00ednos<\/strong> viviam nas cavernas  entre as ru\u00ednas e foram relocados em 1984                                  para uma cidade cercana. Hoje vivem do turismo alugando camelos e &#8220;jumentos-t\u00e1xis&#8221;                                  para os visitantes. S\u00e3o um povo extremamente simp\u00e1tico, vivem em tendas de pano preto,                                  s\u00e3o n\u00f4mades e vivem caminhando procurando pastos para seus rebanhos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"ttp:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_3\/rel_11\/III-11%20Foto12%20Camelo.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"150\" \/><br \/>\nCamelo &#8211; que bicho engra\u00e7ado!<\/p>\n<p>O <strong>Ramad\u00e3 terminou<\/strong>. Ainda em Petra presenciei a festa, Eid al-Fitr,                                  quando todos rezam juntos, visitam amigos e d\u00e3o presentes. N\u00e3o sei se por uma desanima\u00e7\u00e3o                                  amebiana ou por pura realidade mas a tal festa \u00e9 decepcionante. Os motivos religiosos                                  s\u00e3o interessante e tenho respeito por eles mas a celebra\u00e7\u00e3o nas ruas \u00e9 desanimadora &#8211; um bando de homens gritando sem conex\u00e3o sem m\u00fasica ou cerveja. Mas por aqui gostam disso e se divertem.<\/p>\n<p>Finalizei o tratamento segui pedalando para Wadi Rum, um deserto paradis\u00edaco no sul da Jord\u00e2nia.                                  L\u00e1 vi o outro lado da festa Eid al-Fitr. Uma simp\u00e1tica fam\u00edlia bedu\u00edna me convidou para a janta especial que fazem nessa                                  data e acabei morando com eles por tr\u00eas                                  dias.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"ttp:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_3\/rel_11\/III-11%20Foto13%20Amigos%20beduinos%20em%20Wadi%20Rum.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"150\" \/><br \/>\nAmigos bedu\u00ednos em Wadi Rum<br \/>\nEssa foi outra janta memor\u00e1vel. Novamente                                  num prato imenso serviram p\u00e3es com grandes                                  peda\u00e7os de carne e a cabe\u00e7a do carneiro                                  no topo da montanha de comida. Para comer usam                                  a m\u00e3o direita. Nada de garfo e faca. O                                  detalhe principal foi cortar os peda\u00e7os                                  de carne apenas com uma m\u00e3o. Era preciso                                  enfiar o ded\u00e3o na carne quente e tentar                                  esmag\u00e1-la para retir\u00e1-la do osso.                                  Tudo isso vendo a cara do pobre carneiro que foi                                  morto ainda naquela tarde. Nunca me senti t\u00e3o                                  carn\u00edvoro.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"ttp:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_3\/rel_11\/III-11%20Foto14%20Deserto%20de%20Wadi%20Rum.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"150\" \/><br \/>\nDeserto de Wadi Rum<\/p>\n<p>A fam\u00edlia me adotou e at\u00e9 me deu                                  um nome, Marmud. No primeira noite passei sentando                                  ao redor de uma fogueira na tenda conversando                                  com o pai e os filhos. No segundo dia a m\u00e3e                                  apareceu e me apresentaram as filhas. No terceiro                                  dia todos da vila j\u00e1 tinham andando na                                  bicicleta, eu estava dando cambalhotas com o pai,                                  cantando com os filhos, brincando com as crian\u00e7as                                  e dan\u00e7ando com as filhas. A noite foi bem                                  divertida. Passada a festa o pai me falou que                                  no costume bedu\u00edno ningu\u00e9m pode                                  ter rela\u00e7\u00f5es antes de casar. Se                                  voc\u00ea perde a virgindade antes do casamento                                  eles arrancam sua cabe\u00e7a. Mas j\u00e1                                  era hora do Marmud ir embora. J\u00e1 havia                                  visitado o deserto e estava curioso para ver o                                  Sinai.<br \/>\nDe Wadi Rum fui para Aqaba, peguei um ferryboar                                  e atravessei para a \u00c1frica. Agora estou                                  no Sinai mergulhando no Mar Vermelho.<\/p>\n<p>Grande abra\u00e7o,<\/p>\n<p>Argus<\/p>\n<hr \/>\n<p>Para saber mais:<\/p>\n<p>Sites Oficiais<\/p>\n<p>Official site of His Majesty King Abdullah<br \/>\nwww.kingabdullah.jo<\/p>\n<p>Official site of Her Majesty Queen Rania<br \/>\nwww.queenrania.jo<\/p>\n<p>Official site or His late Majesty King Hussein<br \/>\nwww.kinghussein.gov.jo<\/p>\n<p>national Information System<br \/>\nwww.nic.go.jo<\/p>\n<p>Jordan Tourism Board<br \/>\nwww.arabia.com\/jordan<br \/>\nwww.see-jordan.com<br \/>\nRamad\u00e3<\/p>\n<p>www.submission.org<br \/>\nwww.kidsdomais.com\/holiday\/ramadan<br \/>\nwww.usc.edu\/dept\/MSA\/fundamentals\/pillars\/fasting<br \/>\nhttp:\/\/islam.about.com<br \/>\nwww.islamicity.com<br \/>\nwww.101ramadan.com<br \/>\nwww.islamonline.net<br \/>\nummah.org.uk\/ramadhan<\/p>\n<p>Geografia do Oriente M\u00e9dio<br \/>\nwww.oranim.macam98.ac.il\/geo\/meast.htm<\/p>\n<p>www.columbia.edu\/cu\/libraries\/indiv\/area\/MiddleEast\/index.html<\/p>\n<p>www.arab.net<\/p>\n<p>www.birzeit.edu<br \/>\nwww.unifiti.it\/project\/petra<\/p>\n<p>www.menewsline.com<\/p>\n<p>www.nic.gov.jo<\/p>\n<p>www.odci.gov\/cia\/publications\/factbook\/jo.html<\/p>\n<p>Royal Society for the Conservation of Nature<br \/>\nwww.rscn.org.jo<\/p>\n<p>www.tourism.com.jo<br \/>\nJornais<\/p>\n<p>The Star<br \/>\nwww.star.com.jo<\/p>\n<p>The Jordan Times<br \/>\nwww.jordantimes.com<\/p>\n<hr \/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jord\u00e2nia.DEZ.2003 Salam Malaikom, Bem vinda a \u00c1frica!! Fiz minhas \u00faltimas pedaladas asi\u00e1ticas na Jord\u00e2nia e acabo de atravessar para o Sinai no Egito. Junto com as celebra\u00e7\u00f5es do novo continente estamos comemorando tamb\u00e9m dois anos na estrada! Viva viva! Na Jord\u00e2nia as ru\u00ednas dos antigos imp\u00e9rios continuaram sendo a grande atra\u00e7\u00e3o. Em Petra, al\u00e9m de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":351,"menu_order":100,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-555","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/555","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=555"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/555\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1810,"href":"https:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/555\/revisions\/1810"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/351"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=555"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}