{"id":585,"date":"2009-10-21T18:08:42","date_gmt":"2009-10-21T21:08:42","guid":{"rendered":"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/?page_id=585"},"modified":"2024-03-16T14:20:31","modified_gmt":"2024-03-16T14:20:31","slug":"etapa-6a-relatorio-2","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/?page_id=585","title":{"rendered":"Etapa 6A \u2013 Relat\u00f3rio 2"},"content":{"rendered":"<h4>Tanz\u00e2nia &#8211; novembro 2004<\/h4>\n<h3><em>\u201cUlisses, o retorno <\/em><\/h3>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_6\/rel_02\/bandeiratanzania.gif\" alt=\"\" hspace=\"50\" width=\"80\" height=\"53\" align=\"left\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_6\/rel_02\/mapatanzania.gif\" alt=\"\" hspace=\"50\" width=\"80\" height=\"53\" align=\"right\" \/><\/p>\n<p><em><\/em><em><br \/>\n<\/em><\/p>\n<p><em>Como voltar <\/em><\/p>\n<p><em>depois de Itaca <\/em><\/p>\n<p><em>das sereias <\/em><\/p>\n<p><em>dos c\u00edclopes <\/em><\/p>\n<p><em>de tanto assombro <\/em><\/p>\n<p><em>de tanto sangue <\/em><\/p>\n<p><em>na espada <\/em><em>? <\/em><em> <\/em><\/p>\n<p><em> <\/em><\/p>\n<p><em>Como voltar <\/em><\/p>\n<p><em>se aquele que partiu <\/em><\/p>\n<p><em>partiu-se <\/em><\/p>\n<p><em>e voltar\u00e1 com os fragmentos <\/em><\/p>\n<p><em>do excesso? <\/em><\/p>\n<p><em> <\/em><\/p>\n<p><em>N\u00e3o h\u00e1 retorno.<\/em><\/p>\n<p><em>H\u00e1 outra viagem <\/em><\/p>\n<p><em>diariamente urdida <\/em><\/p>\n<p><em>dentro da viagem <\/em><\/p>\n<p><em>antiga. <\/em><\/p>\n<p><em> <\/em><\/p>\n<p><em>Embora o caminho <\/em><\/p>\n<p><em>da volta <\/em><\/p>\n<p><em>seja percorrido <\/em><\/p>\n<p><em>ningu\u00e9m retorna <\/em><\/p>\n<p><em>apenas volta a viajar <\/em><\/p>\n<p><em>no espa\u00e7o anterior <\/em><\/p>\n<p><em>estranhamente familiar.<\/em><\/p>\n<p><em> <\/em><\/p>\n<p><em>Como se o regresso <\/em><\/p>\n<p><em>fosse acr\u00e9scimo <\/em><\/p>\n<p><em>e o viajante descobrisse <\/em><\/p>\n<p><em>que \u00e9 atr\u00e1s <\/em><\/p>\n<p><em>que est\u00e1 a fonte <\/em><\/p>\n<p><em>e na alvorada <\/em><\/p>\n<p><em>o horizonte <\/em><\/p>\n<p><em>n\u00e3o h\u00e1 retorno.<\/em><\/p>\n<p><em>H\u00e1 o contorno <\/em><\/p>\n<p><em>do pr\u00f3rpio eixo <\/em><\/p>\n<p><em>o tempestuoso <\/em><\/p>\n<p><em>p\u00e9riplo do ego <\/em><\/p>\n<p><em>um di\u00e1logo de ecos <\/em><\/p>\n<p><em>como quem <\/em><\/p>\n<p><em>tenta encaixar <\/em><\/p>\n<p><em>diferentes rostos no mesmo espelho.<\/em><\/p>\n<p><em> <\/em><\/p>\n<p><em>Por isto, o retorno<\/em><\/p>\n<p><em>inelut\u00e1vel<\/em><\/p>\n<p><em>\u00e9 perigoso <\/em><\/p>\n<p><em>exige mais per\u00edcia <\/em><\/p>\n<p><em>que na partida <\/em><\/p>\n<p><em>mais destreza <\/em><\/p>\n<p><em>que nos conflitos <\/em><\/p>\n<p><em>pois o risco <\/em><\/p>\n<p><em>\u00e9 naufragar <\/em><\/p>\n<p><em>exatamente <\/em><\/p>\n<p><em>quando chegar <\/em><\/p>\n<p><em>ao porto.\u201d <\/em><\/p>\n<p><em> <\/em><\/p>\n<p><em>Affonso Romano de Sant&#8217;anna <\/em><\/p>\n<p>Ol\u00e1 amigos,  Dia 01 de dezembro comemoraremos 3 anos na estrada. \u00c9 muito ch\u00e3o! J\u00e1 se passaram 28 pa\u00edses e muitas experi\u00eancias bacanas.  Depois de muita reflex\u00e3o decidi que  est\u00e1 na hora de voltar para casa. A saudade est\u00e1 batendo forte&#8230;  Daqui voarei o oceano Atl\u00e2ntico e aterrisarei em Recife. De l\u00e1 descerei pedalando para Cordisburgo em Minas Gerais.<\/p>\n<p>Ainda tenho muito ch\u00e3o pela frente mas j\u00e1 d\u00e1 para sentir um gostinho de miss\u00e3o cumprida. Mas agora \u00e9 preciso aten\u00e7\u00e3o redobrada pois, como escreveu Afonso Romano, \u201co risco \u00e9 naufragar exatamente quando chegar ao porto\u201d.  O percurso no Brasil ser\u00e1 de aproximadamente 3 meses.<\/p>\n<p>De Recife irei para Macei\u00f3, Aracaju e Salvador (ano novo), atravessarei a fronteira Bahia-Minas, descerei at\u00e9 encontrar a estrada real e subirei por Tiradentes e Ouro Preto (carnaval) at\u00e9 chegar em Cordisburgo (meados de fevereiro). Mas, como sempre, tudo pode mudar.<\/p>\n<p>Planejei, planejei e mais uma vez modifiquei tudo. Que bom ser livre! Imaginei mil perip\u00e9cias pela \u00c1frica e Am\u00e9rica Central antes do retorno mas percebi que, de alguma forma, estava tentando fazer todas as viagens da minha vida de uma s\u00f3 vez. Desconsiderei a energia c\u00edclica que existe em todos n\u00f3s e a necessidade de concluir etapas para renovar as baterias.<\/p>\n<p><em>\u201cA \u00fanica coisa certa do planejamento \u00e9 que as coisas nunca ocorrem como foram  planejadas.\u201d <\/em>Arquiteto L\u00facio Costa<\/p>\n<p><strong>A Tanz\u00e2nia <\/strong> A hist\u00f3ria da Tanz\u00e2nia e a situa\u00e7\u00e3o atual do pa\u00eds s\u00e3o muito parecidas com as do Qu\u00eania. Muita pobreza, muita explora\u00e7\u00e3o e muito perigo. Um povo sofrido que nunca teve a oportunidade de ser realmente independente.  A regi\u00e3o sub-saariana \u00e9 a <strong>mais pobre do mundo<\/strong>. Vi de perto dois pa\u00edses nas \u00e1reas cr\u00edticas de fome do mundo (mais de 35% s\u00e3o subnitridos). Eles fazem parte dos pa\u00edses pobres altamente endividados e sofrem muito com a nova era da golbaliza\u00e7\u00e3o. S\u00e3o escravos do capitalismo e parece que a sa\u00edda para a triste situa\u00e7\u00e3o ainda est\u00e1 muito distante.  <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_6\/rel_02\/Casa%20de%20barro%202.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"194\" \/> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_6\/rel_02\/Casa%20de%20barro.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"166\" \/> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/caminhos.arguscaruso.com.br\/wp-content\/uploads\/site_images\/relatorios\/etapa_6\/rel_02\/Estrada%20de%20terra.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"156\" \/><\/p>\n<p>Segui pedalando pelo litoral at\u00e9 Dar es Salaam. A estrada na Tanz\u00e2nia \u00e9 de terra, possui poucos carros e muitas pessoas caminhando ou pedalando. As vilas do percurso s\u00e3o feitas de casas de barro e palha e todos vestem as roupas das tribos com muitas cores. Poucas vilas possuem \u00e1gua encanada ou energia. As pessoas s\u00e3o lindas mas, quando perguntei se poderia tirar a foto de um grupo, uma mulher saiu correndo atr\u00e1s de mim com um porrete. Tive um certo desconforto por ser o \u00fanico branco. V\u00e1rias vezes cumprimentei as pessoas e, ao inv\u00e9s de responderem, ficavam me olhando com uma cara feia. Tentaram me assaltar mais algumas vezes mas felizmente n\u00e3o levaram nada. Cheguei a tomar a decis\u00e3o est\u00fapida de comprar uma faca de meio metro de comprimento e pedalar com ela na cintura. Essa foi mais uma raz\u00e3o para minha volta, afinal meu objetivo, al\u00e9m de pedalar e educar, \u00e9 tamb\u00e9m sobreviver.<\/p>\n<p>A passagem por essa regi\u00e3o da \u00c1frica ser\u00e1 muito interessante para entender melhor de onde viemos os brasileiros. Estima-se que entre 3 e 4 milh\u00f5es de africanos foram para o Brasil entre os s\u00e9culos XVI e XVII e hoje 46% de toda popula\u00e7\u00e3o \u00e9 de descendentes africanos (Censo 2000-IBGE). Esse n\u00famero corresponde \u00e0 segunda maior popula\u00e7\u00e3o negra no mundo, atr\u00e1s somente da Nig\u00e9ria.  Apesar da situa\u00e7\u00e3o social brasileira ser melhor que a africana, os negros que vivem no Brasil ainda sofrem muito com os \u201cresqu\u00edcios da escravid\u00e3o\u201d. Hoje, no Brasil, a m\u00e9dia do sal\u00e1rio recebido pelos brancos \u00e9 duas vezes e meia a do recebido pelos negros e apenas 2% dos negros possuem educa\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria, um percentual cinco vezes menor que o dos brancos. O resultado da discrimina\u00e7\u00e3o \u00e9 que 69% da popula\u00e7\u00e3o pobre \u00e9 negra (fonte: The New Internationalist). A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 ruim mas existe uma esperan\u00e7a de melhora. Hoje o Brasil conta com leis fortes contra discrimina\u00e7\u00e3o racial e estuda estrat\u00e9gias para aumentar o ingresso de negros na universidade. Uma mudan\u00e7a que logicamente tomar\u00e1 tempo mas parece estar, pelo menos, come\u00e7ando.  Com um pouco de atraso&#8230; Viva o     20 de novembro! Dia Nacional da Consci\u00eancia Negra.  Em breve estarei em Recife, no nordeste brasileiro, a regi\u00e3o com a maior concentra\u00e7\u00e3o de negros do Brasil, e seguramnte terei informa\u00e7\u00f5es mais reais para escrever sobre essa situa\u00e7\u00e3o racial.  Sigo mais feliz que nunca. N\u00e3o vejo a hora de dan\u00e7ar  forr\u00f3 e maracatu!<\/p>\n<p>Bem vinda a P\u00e1tria Amada!<\/p>\n<p>Grande abra\u00e7o,  Argus<\/p>\n<p>Para saber mais:<br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.%20tanzania%20.go.tz\/\">www. tanzania .go.tz<\/a><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.gm-unccd.org\/\">Rural Women-Based Integrated Project in Ruvuma Region, Tanzania <\/a><\/p>\n<p><strong>&#8211; Jornais da Tanz\u00e2nia:<\/strong><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.bcstimes.com\/\">Business Times <\/a> &#8211; private weekly  <a href=\"http:\/\/www.arushatimes.co.tz\/\">Arusha Times <\/a> &#8211; private weekly  <a href=\"http:\/\/www.itv.co.tz\/\">Independent Television (ITV) <\/a> &#8211; widely-watched private network.  <a href=\"http:\/\/www.radiofreeafrica.co.tz\/\">Radio Free Africa <\/a> &#8211; private FM network  <strong>Negros no Brasil<\/strong> <a href=\"http:\/\/www.palmares.gov.br\/\">www.palmares.gov.br<\/a> <a href=\"http:\/\/www.mulheresnegras.org%20\/\">www.mulheresnegras.org <\/a> Secretaria Especial de Pol\u00edticas de Promo\u00e7\u00e3o da Igualdade Racial  <a href=\"http:\/\/www.presidencia.gov.br\/seppir\/\">www.presidencia.gov.br\/seppir\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tanz\u00e2nia &#8211; novembro 2004 \u201cUlisses, o retorno Como voltar depois de Itaca das sereias dos c\u00edclopes de tanto assombro de tanto sangue na espada ? 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